Inflação de agosto vai a 0,87%, acima do esperado; em 12 meses, acumulado é de 9,68%

Resultado do IPCA é o maior para o mês em 21 anos e foi puxado pelo aumento nos preços da gasolina e dos alimentos

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Por Daniela Amorim
3 min de leitura

A disparada no preço da gasolina e dos alimentos fez a inflação medida pelo IPCA atingir a maior alta em 21 anos para o mês de agosto. O avanço de 0,87% no índice superou as estimativas mais pessimistas dos analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Projeções Broadcast. No acumulado dos últimos 12 meses, o IPCA saltou para quase 10%, sendo que em oito cidades pesquisadas já ultrapassa a marca dos dois dígitos de inflação. 

Com esse resultado, os economistas estão revisando suas previsões de inflação para o ano e também elevando as estimativas para a taxa de juros - a ferramenta usada pelo Banco Central para tentar conter a alta de preços. “O mercado já está dando como certo que o Banco Central vai acelerar o ritmo de alta (dos juros)”, disse o estrategista-chefe do Banco Muziho do Brasil, Luciano Rostagno. Antes da divulgação do IPCA, as apostas miravam uma alta 1 ponto porcentual na próxima reunião do Copom, nos dias 21 e 22. Agora, muitos analistas já falam em alta de 1,25 ponto. 

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O resultado do IPCA mostra que a inflação está cada vez mais disseminada. A difusão do indicador é a maior desde 2020 e subiu de 64% para 72% na passagem de julho para agosto. Segundo o IBGE, a alta do dólar influencia o encarecimento de combustíveis, enquanto a crise hídrica provoca um aumento na energia elétrica. Os alimentos também estão mais caros, sob pressão tanto das exportações quanto de problemas climáticos, como geada e estiagem. 

No IPCA, o grupo de transportes teve a maior alta de preços, de 1,46%, puxada pelos combustíveis. A gasolina subiu 2,80% e teve o maior impacto individual no IPCA do mês passado. Etanol (4,50%), gás veicular (2,06%) e óleo diesel (1,79%) também ficaram mais caros.

“O preço da gasolina é influenciado pelos reajustes aplicados nas refinarias de acordo com a política de preços da Petrobras. O dólar, os preços no mercado internacional e o encarecimento dos biocombustíveis são fatores que influenciam os custos, o que acaba sendo repassado ao consumidor final. No ano, a gasolina acumula alta de 31,09%, o etanol 40,75% e o diesel 28,02%”, disse o analista da pesquisa, André Filipe Guedes Almeida.

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O aumento nos preços de automóveis usados (1,98%) e novos (1,79%) e das motocicletas (1,01%) também pesou no indicador. Os preços do transporte por aplicativo subiram 3,06% e do ônibus intermunicipal, 0,62%, em decorrência dos reajustes nas tarifas em Salvador e Belo Horizonte e Porto Alegre.

Segundo o IBGE, a gasolina acumula alta de 31,09% só neste ano. Foto: Daniel Teixeira/Estadão - 9/6/2021

 

A segunda maior contribuição no IPCA de agosto foi do grupo alimentação e bebidas, que subiu 1,39% depois do avanço de 0,60% em julho. A alimentação no domicílio passou de alta 0,78% para 1,63%, principalmente por causa dos aumentos nos preços de batata-inglesa (19,91%), café moído (7,51%), frango em pedaços (4,47%), frutas (3,90%) e carnes (0,63%). 

No grupo habitação, que teve alta de 0,68%, o resultado foi influenciado pela energia elétrica (1,10%), que desacelerou em relação ao mês anterior (7,88%). “O resultado é consequência dos reajustes tarifários em Vitória, Belém e em uma das concessionárias em São Paulo. Além disso, a bandeira tarifária vermelha patamar 2, que adiciona R$ 9,492 a cada 100 kWh consumidos, vigorou nos meses de julho e agosto”, explicou Almeida. Os preços do gás encanado (2,70%) e do gás de botijão (2,40%) também subiram. 

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