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Investimentos em renda fixa seguem uma boa aposta com a Selic a 13,75%

Analistas apontam que movimento de redução dos juros só deve ocorrer na metade do ano que vem; veja recomendações para este momento

Por Heloísa Scognamiglio e Jessica Brasil Skroch
Atualização:

A manutenção da Selic em 13,75%, já esperada pelo mercado, encerrou o ciclo de alta de juros depois de 12 aumentos seguidos. Mesmo assim, analistas de investimentos explicam que a renda fixa continua com rentabilidade interessante num futuro próximo, pelo menos até o início da queda da taxa de juros. A cautela nos investimentos também é importante num cenário de incerteza sobre o posicionamento fiscal que será adotado pelo próximo governo.

Sem perspectivas de redução dos juros até a metade do ano que vem, aplicações pós-fixadas com vencimento em até um ano se encontram em situação favorável, afirma Felipe Moura, analista de investimentos da Finacap Investimentos. Uma recomendação para aproveitar os juros altos é o Tesouro Selic, que é atrelado à taxa, além de possuir alta liquidez e ser um dos investimentos mais seguros do País, ideal para os investidores mais conservadores.

Corretores trabalham em São Paulo; Selic foi mantida em 13,75%. Foto: Daniel Teixeira/Estadão

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As NTN-Bs, conhecidas como Tesouro IPCA+, também estão atrativas, já que pagam uma taxa de juros prefixada com rentabilidade indexada à inflação. “Apesar dessa deflação (nos últimos meses), que gera pressão no curto prazo, as NTN-Bs para 2026 e 2028, estão atrativas”, recomenda Rodrigo Cabraitz, especialista em alocação de ativos da Claritas.

A aposta entre especialistas em renda fixa é que a trégua nos preços será passageira. Por isso, títulos atrelados à inflação continuarão atrativos. “A deflação nos últimos meses é uma situação pontual, e nós não esperamos um cenário deflacionário daqui para a frente”, diz Rachel de Sá, chefe de economia da Rico Investimentos. “Principalmente no longo prazo, esses ativos continuam sendo boas opções, por proteger o poder de compra”, afirma.

Entre os principais produtos da renda fixa, a Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), a Letra de Crédito Imobiliário (LCI) e o Certificado de Depósito Bancário (CDB) se destacam com uma rentabilidade real positiva, segundo cálculos do professor de Finanças da FGV-SP Fabio Gallo. Ele considerou a projeção da inflação a 6%, como consta do último Boletim Focus divulgado pelo Banco Central.

Títulos prefixados e diversificação da carteira

Com uma eventual queda dos juros, esperada para a metade do ano que vem, o rendimento dos pós-fixados começa a cair, e o mercado já começa a olhar para os prefixados, como o Tesouro Prefixado. “Apostar nos prefixados é apostar que o Brasil vai dar certo e que todo o cenário tende a melhorar”, explica Rodrigo Cabraitz, da Claritas. Os fundos indexados à inflação também ficam favorecidos com a queda da Selic, acrescenta João Beck, economista e sócio da BRA.

Simone Albertoni, especialista de renda fixa na Ágora Investimentos, ressalta a importância da diversificação da carteira, para que o investidor consiga capturar os melhores movimentos do mercado ao longo do tempo. É preciso, porém, observar o objetivo do investidor e seu perfil de risco, alinhando seus investimentos a tudo isso.

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“A diversificação da carteira é muito importante e pode incluir ativos atrelados à inflação, para poder manter o poder de compra mais a longo prazo; títulos prefixados, para o cenário de um ou dois anos, já considerando uma queda de juros a partir de 2023; e títulos pós-fixados atrelados à Selic ou CDI, para aproveitar a taxa de juros alta no curto prazo e ter certa liquidez”, explica Simone. “Para investidores mais conservadores, por exemplo, pode haver uma maior presença do pós-fixado, que traz mais segurança porque oscila menos.”

Renda variável

Com a taxa de juros alta, o investimento em renda variável fica mais desafiador. A sugestão é que o investidor tente entender quando o processo de corte de juros começará, conseguindo assim avaliar as empresas e projetar o lucro.

Na Bolsa, as perspectivas futuras são antecipadas e alguns setores já podem começar a reagir à expectativa de queda de juros, como os setores de economia doméstica, construção civil, consumo e varejo, diz Felipe Moura, da Finacap. Ativos ligados ao crédito e ao mercado imobiliário ficam favorecidos, segundo João Beck, da BRA.

O setor educacional, ligado ao crédito, também é uma boa opção, já que os candidatos favoritos ao pleito da presidência estão prometendo releituras do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), afirma o economista.

Riscos

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Para Carlos Macedo, economista e especialista em alocação de investimentos na Warren, o maior risco do cenário atual é o externo, com o Federal Reserve (Banco Central dos Estados Unidos) comprometido a combater a inflação mesmo que cause uma recessão, além das crises do setor imobiliário na China e do setor energético na Europa. No Brasil, mesmo em meio às eleições, Macedo vê fatores que podem minimizar uma mudança radical de rota em termos de condução econômica.

“Para balancear as carteiras mais arrojadas, temos diminuído a exposição às ações globais e buscado por proteções. Em ações brasileiras, estamos otimistas considerando um prazo de investimento condizente para o risco da classe. Os preços apresentam boa margem de segurança e, mesmo com eventuais novas altas de juros, as empresas estão com fundamentos mais sólidos do que no passado. Acreditamos que os fundos de gestão ativa voltarão a performar melhor do que o Ibovespa nos próximos meses”, diz Macedo.

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