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Qual material evita mais emissões ao ser reciclado? Veja ranking

Estudo inédito para a realidade do Brasil considerou os principais materiais utilizados em embalagens

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Foto do autor Luis Filipe Santos
Confira o resumo que a LE.IA, a IA do Estadão, fez pra você

Gerando resumo

A reciclagem pode ser uma importante aliada para reduzir as emissões de gases que causam o aquecimento global. Mas quanto cada material pode contribuir? Um estudo da startup eureciclo, focada neste mercado, e da climatetech Planton, especializada em soluções ambientais, tentou estimar para cinco materiais, os principais utilizados em embalagens no Brasil.

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Na média geral, a substituição de uma tonelada de material virgem por reciclado evita a emissão de 2,059 tCO₂e. O levantamento considerou as emissões totais de um material durante a extração da matéria-prima, a fabricação, o transporte, a utilização pelo consumidor final e o descarte final, quando se torna resíduo, se for para um aterro.

Para a reciclagem, foram consideradas as emissões do transporte entre coleta, triagem e reciclador e do processo de retransformação do material. Foi considerada apenas uma reciclagem, sem futuros reaproveitamentos do material.

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Estudos semelhantes já haviam sido realizados na Europa e na América do Norte, mas essa foi a primeira edição no Brasil, feita a partir da base de dados da própria eureciclo com as cooperativas com as quais trabalha. Uma das grandes diferenças é o caminho até locais de reciclagem, que no Brasil podem ser viagens interestaduais muito mais longas do que nos países europeus.

Confira o ranking:

  1. Alumínio: cada tonelada reciclada evita a emissão de até 10,563 toneladas de CO₂ equivalente (tCO₂e)
  2. Plástico: cada tonelada reciclada evita a emissão de até 2,128 tCO₂e, em média;
  3. Aço/ferro: cada tonelada reciclada evita a emissão de até 1,759 tCO₂e;
  4. Papel: cada tonelada reciclada evita a emissão de até 1,348 tCO₂e;
  5. Vidro: cada tonelada reciclada evita a emissão de até 0,354 tCO₂e.

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“O estudo comparou fluxo circular com fluxo não circular, traz qual é a pegada de carbono que reduz quando você recicla e vincula qual a pegada de carbono, considerando a realidade no Brasil”, cita Marcella Bueno, diretora de Economia Circular e Novos Negócios da eureciclo.

Como ela ressalta, a maior utilização de material reciclado pode ajudar empresas a atingirem metas de redução de emissões.

Grande desafio para a maioria dos materiais é estruturar uma cadeia de reciclagem que seja financeiramente viável para cooperativas e catadores  Foto: Taba Benedicto/Estadão

Alumínio

A reciclagem de alumínio evita muitas emissões porque necessita de menos energia para ser realizada em comparação com a fabricação do material virgem. Também evita a necessidade de mineração da bauxita, a matéria-prima principal do metal. A boa notícia é que o alumínio é o material mais reciclado no Brasil, principalmente levando em consideração as latinhas para bebidas.

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“Na reciclagem do alumínio se economiza mais porque tem o processo com a bauxita que consome muita energia. Os processos do refino e da polimerização do plástico também consomem muita energia”, afirma Marcos Matos, CEO da eureciclo.

Plástico

Derivado da nafta, que por sua vez vem do petróleo, o plástico tem origem num combustível fóssil, não renovável, cuja extração também costuma emitir gases de efeito estufa.

Há diferença na reciclagem para os diferentes tipos de plástico, sendo o PET, de garrafas, o que gera mais redução de emissões e o mais reciclado.

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Aço/ferro

Da mesma forma que o alumínio, a produção exige mineração e grande consumo de energia para queima de materiais em fornos, normalmente alimentados por combustíveis fósseis, o que faz com que as emissões subam na produção de material virgem.

Papel

Produzido a partir de um recurso natural teoricamente renovável (árvores como o eucalipto), o papel depende muito da cadeia e do tipo fabricado. No Brasil, os eucaliptos crescem mais rapidamente do que em outros lugares do mundo, o que ajuda a reduzir as emissões na produção de papel virgem, mas ainda há uma queda maior com os papéis reciclados.

Vidro

Derivado da areia, o vidro exige energia para ser produzido em fornos que utilizam principalmente gás natural. A cadeia da reciclagem sofre para se tornar financeiramente viável no Brasil, fazendo com que muitas vezes os cacos tenham que viajar por longas distâncias para serem triados e reciclados após a coleta.

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Estruturação da cadeia

O grande desafio para a maioria dos materiais é estruturar uma cadeia de reciclagem que seja financeiramente viável para cooperativas e catadores, como aconteceu com a do alumínio. Outro ponto é a viabilidade do transporte pelos catadores: se o material for pesado para se carregar e render pouco por quilo, é menos atrativo e mais doloroso para eles.

Uma tentativa de atuar para estruturar as cadeias é a venda de créditos de reciclagem por empresas como a própria eureciclo e outras. Neste modelo de negócios, uma empresa compra os créditos com a garantia de que a mesma quantidade de material que colocou no mercado será reciclado; esse dinheiro é usado pela vendedora para pagar mais a cooperativas e catadores, ajudar na aquisição de equipamentos que facilitem a coleta e a triagem e melhorem a reciclagem. “Aí não precisa ficar fazendo doação de material, as cooperativas e catadores vão ter interesse em coletar, vão montar negócios e crescer a cadeia”, projeta Matos.

Aumentar a aplicabilidade do material reciclado é outra ação possível para fortalecer a cadeia — quando se torna obrigatório utilizá-lo nas embalagens, a demanda sobe. “Ajuda a indústria a não consumir só material virgem, faz com que as empresas pensem no desenvolvimento de embalagens com conteúdo reciclado. Muita empresa acaba não olhando para embalagens secundárias e terciárias, as que são utilizadas para transporte”, cita Bueno. “Incentivos são a chave do negócio, tem que ter incentivos para todos”, resume.

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