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Mercado ajusta projeção do PIB de 2024 de 1,7% para 1,8% após dados do quarto trimestre

Queda do juro e melhora do crédito são fatores que contribuem para o crescimento da economia deste ano, com um mercado de trabalho ainda forte

Por Daniel Tozzi Mendes , Marianna Gualter (Broadcast) e Gabriela Jucá

O mercado ajustou nesta sexta-feira, 1°, a projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2024, de 1,7% para 1,8% (mediana), após a divulgação do resultado de 2023, quando a economia cresceu 2,9%.

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A estimativa intermediária para o crescimento da economia brasileira no primeiro trimestre deste ano permaneceu inalterada, em 0,4%, após estabilidade (0,0%) no quarto trimestre do ano passado, segundo o Estadão/Broadcast. As medianas indicam crescimento de 0,5% do PIB no segundo trimestre, de 0,4% no terceiro, e de 0,5% no quarto.

O resultado do quarto trimestre de 2023 veio em linha com a expectativa do mercado e confirmou o diagnóstico de desaceleração da atividade econômica no segundo semestre do ano passado, entre outros fatores, pela ausência do impulso da agropecuária registrado no início do ano.

Com a divulgação, várias instituições do mercado reiteraram suas projeções para o PIB de 2024, a exemplo de Bank of America (2,2%), G5 Partners (2,1%), UBS BB (2,0%), Bradesco (2,0%), Itaú Unibanco (1,8%), PicPay (1,8%), Citi (1,5%), Banco BV (1,5%) e WHG (1,5%).

PIB cresceu 2,9% em 2023, segundo o IBGE Foto: WERTHER SANTANA/ESTADÃO

Houve em parte do mercado, porém, um movimento de aumento das projeções. O BTG Pactual subiu de 1,7% para 2,0% a estimativa para o PIB do ano, e a Porto Asset Management, de 1,5% para 1,8%. A XP Investimentos colocou sob revisão o cenário anterior de crescimento de 1,5% e afirmou, em nota, que o resultado deve ficar mais próximo de 2,0%.

O economista-chefe da Porto Asset, Felipe Sichel, considerou a consolidação da melhora no cenário de crédito ao rever sua projeção para o PIB. A conjuntura, afirma, reflete o efeito inicial do ciclo de cortes da taxa Selic. Para ele, o aumento de 0,9% da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) no quarto trimestre, em comparação ao terceiro, foi uma “sinalização positiva” desta leitura do PIB.

O recuo de 0,2% do consumo das famílias, porém, foi um dos pontos de atenção na divulgação desta sexta. “O nível do mercado de trabalho sugeriria um consumo mais forte, mas pode ser uma história para o início deste ano”, avalia.

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O Bank of America (BofA) também cita a queda do juro e a melhora do crédito como vetores para o crescimento da economia deste ano, com um mercado de trabalho ainda forte.

A instituição manteve a projeção de crescimento de 2,2% para o PIB e sinalizou, em relatório, que espera elevação das expectativas do mercado. “Como foi o caso no ano passado, o mercado deve revisar gradualmente para cima as projeções de crescimento deste ano”, escreveram o chefe de economia para Brasil e estratégia para América Latina do banco, David Beker, e a economista Natacha Perez.

O economista Carlos Lopes, do Banco BV, instituição que manteve a projeção de crescimento 1,5% para o PIB de 2024, pondera que, apesar da projeção de crescimento menor do que o de 2023, o avanço esperado para este ano deve ter uma composição melhor, “com investimento se recuperando e o consumo ainda resiliente”. A expectativa é que a parte externa, via exportação, tenha menor influência sobre a alta da economia do que no ano passado.

O economista também ressalta que a tendência para as leituras ao longo de 2024 é de aceleração da atividade, na esteira dos juros mais baixos e da retomada do crédito. Para o primeiro trimestre, a projeção do BV é de crescimento de 0,2%. O economista, porém, não descarta a possibilidade de uma surpresa positiva com o resultado, associada ao efeito dos reajustes salariais e ao pagamento de precatórios.

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