‘Nossa meta é ter 10 mil franquias em cinco anos’, diz presidente de holding do setor

Empresário José Semenzato se junta a pelo menos 50 sócios em franquias e fatura R$ 3,3 bilhões

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Por Sonia Racy
Atualização:
Foto: Guido Ferreira
Entrevista comJosé SemenzatoPresidente da Holding SMZTO de Franquias

Foi ainda menino, aos 12 anos, que ele começou a sair de bicicleta pelas ruas de Lins, no interior paulista, vendendo coxinhas feitas pela mãe. Com o dinheiro, pagou um curso de computação – que lhe valeu o primeiro emprego, aos 15 anos. E, aos 23, já havia fundado uma escola de computação.

Na outra ponta dessa história, José Carlos Semenzato passou essa empresa adiante quando ela já controlava 750 escolas frequentadas por 500 mil alunos em 500 cidades do País. E o que a sucedeu foi a SMZTO Holding de Franquias Setoriais, que hoje é um dos maiores grupos desse setor no País, vendendo marcas e representações de outras empresas – o franchising. Em 2020, a SMZTO faturou R$ 3,3 bilhões.

E qual é o segredo? A procura. “Ao comprar uma franquia, em vez de abrir uma empresa, o investidor reduz em mais de 50% o risco de quebrar o negócio”, resume o executivo, para quem “o franchising é hoje um setor maduro no mundo todo”. “No Brasil, ele cresce 25% ao ano e tem marcas como O Boticário, Bobs.” Nesta entrevista ao Estadão, Semenzato conta seu projeto: “Nosso foco é o Brasil. Quero comprar umas oito empresas nos próximos 5 anos, o que vale dizer que vamos chegar a um total de 10 mil franquias”. A seguir, trechos da conversa.

Você apostou no setor de franquias e cresceu muito. Qual o segredo?

O franchising é um setor já maduro no mundo todo, em especial nos EUA e na Índia. No Brasil, ele se expandiu nos últimos 30 anos. Gerou sucessos como as marcas O Boticário e Bobs, e vive um processo de consolidação. Mas existem bons e maus operadores. Franqueadores que trabalham com governança e ética, dando bom suporte aos franqueados, vendem de fato um bom know-how.

José Carlos Semenzato, presidente da SZMTO Foto: Divulgação / SZMTO

Por que você recomendaria a alguém abrir uma franquia?

Posso afirmar com segurança que, ao comprar uma franquia, você reduz em mais de 50% o risco de quebrar o negócio. Exemplo prático: vou investir R$ 500 mil para abrir minha própria padaria. Há vários riscos: a escolha de um ponto errado, comprar os equipamentos inadequados, as chances de erro e de fechar no primeiro ano são grandes. Mas se você opta por abrir uma franquia, reduz esse risco. Eu costumo dar uma garantia de 75% de sucesso, os outros 25% dependem do compromisso e empenho do franqueado na loja.

E quem não dá certo?

Sim, há os que têm um negócio ainda em fase experimental e já tentam licenciar franquias. Se você está franqueando algo não testado, está replicando algo que pode dar errado.

E quais os truques para a franquia dar certo?

Primeiro, escolher uma marca que já tenha entre 20 e 30 franquias com pelo menos dois anos de operação. Significa que essa marca já passou por erros e ajustes, já tem certa maturidade. Também é bom contatar outros franqueados para ter um raio X completo do negócio. Eu analiso a escala daquele negócio, seu potencial de crescimento. E convém avaliar a liquidez, para saber se poderei vender a um terceiro.

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Você não entra como controlador da franquia?

Não, entro como sócio minoritário com direito a vetos importantes, em decisões estratégicas. Tenho aproximadamente 50 sócios hoje. Respeito e sou respeitado por eles. Meu nível de briga judicial é zero. Normalmente, assumo a parte financeira ou nomeio um CFO para a empresa. São estratégias nas quais eu não preciso controlar.

Pode falar sobre os valores em jogo nessas compras?

A partir de R$ 50 mil, você tem microfranquias. A Associação Brasileira de Franchising tem um portfólio extenso de microfranquias com investimentos abaixo de R$ 90 mil. Acima disso, já chamamos de franquias. Os investimentos do meu portfólio vão de R$ 90 mil a R$ 1,5 milhão. Um restaurante pode chegar a esse valor.

Como é a questão tributária para os franqueados?

Se você fatura até R$ 4,8 milhões, está na faixa do Simples Nacional. O imposto e a cadeia de custos trabalhistas são simplificados. Isso é uma beleza, pois dessa forma o Simples ajuda muito na geração de novos empregos. Mas se você ultrapassa essa faixa de faturamento, a empresa começa a operar no presumido ou no real, e aí vem uma enorme carga tributária a pagar.

Deborah Secco, sócia da franquia, em unidade do Peça Rara; franquia de brechós é uma das que conta com participação da SMZTO Foto: Debbie Schimitt / Divulgação

Você pensa em expandir o negócio a outros países?

Nosso foco é o Brasil. Quero comprar sete a oito empresas nos próximos cinco anos, o que equivale a dizer que nossa holding vai chegar a 10 mil franquias até lá.

Quais foram os últimos negócios que vocês fecharam?

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Há três anos, compramos uma participação na Oral Sin, uma companhia especializada em implantes. Na época, eram cento e poucas clínicas; hoje, são 500 em operação no Brasil. Ela cresceu 20 vezes nesse período em termos de faturamento. Nossa última aquisição foi na área de harmonização facial, a Royal Face. Eram 250 clínicas, um negócio já grande. A meta é chegar a 700 clínicas em quatro anos.

Como é o envolvimento de vocês com o ESG?

Temos uma preocupação muito grande com a questão ambiental. Com o Peça Rara, um brechó, colocamos mais de 3 milhões de roupas e acessórios de segunda mão de volta no mercado. Uma economia absurda no meio ambiente. Uma outra, a Oakberry Açaí, está transformando a vida dos ribeirinhos na Amazônia. Nós incentivamos e homologamos essas cooperativas – e essas pessoas estão compreendendo que a floresta viva vale mais do que se for derrubada. Com a HCC – Energia Solar, que é uma das nossas investidas, geramos energia para abastecer uma cidade de 200 mil habitantes. Equivale à retirada de 25 mil toneladas ano de CO2 por ano. A cada ano, ela cresce e dobra a produção.

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