‘Não conversei com Lula sobre Marcio Pochmann’, diz Tebet em entrevista à GloboNews

Ministra deu entrevista a emissora antes da indicação do economista; Tebet também abordou outras questões com o novo IVA, a manutenção da taxa de juros pelo Copom e da meta de inflação pelo Conselho Monetário Nacional

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Por Italo Bertão Filho
Atualização:

A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, disse não ter tratado sobre a escolha do economista Marcio Pochmann para o comando do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). ”Não conversei com o presidente da República sobre esse assunto”, afirmou Tebet nesta quarta-feira, 26, à GloboNews.

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Horas após a gravação da entrevista, o Palácio do Planalto confirmou a indicação de Pochmann. ”Não estamos tratando de IBGE, até porque seria um desrespeito com um presidente que está hoje lá e que tem um ciclo que não se encerrou”, disse a ministra, em referência ao atual chefe do órgão, Cimar Azeredo, que ocupa o cargo interinamente desde janeiro.

Tebet afirmou que não conhece Pochmann, que presidiu o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) entre 2007 e 2012, durante gestões petistas.

No mesmo período, a ministra foi prefeita da cidade de Três Lagoas (MS) e vice-governadora do Mato Grosso do Sul. “Não o conheço, no momento em que ele estava no governo, eu estava no meu Estado”, disse Tebet. “Como não sou economista e não o conheço, não posso fazer nenhuma consideração.”

‘Alíquota do novo IVA será bem menor do que está sendo projetado’, afirma Tebet

A ministra também afirmou durante entrevista que a alíquota do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), proposta pela reforma tributária, será mais baixa do que apontam as estimativas.

“A alíquota da reforma do consumo, desse novo IVA federal, será bem menor do que está sendo projetado, mas especialmente bem menor do que representa a carga tributária do setor produtivo no Brasil. É a reforma da indústria: sem indústria, não há crescimento”, disse Tebet à GloboNews. “Eu diria que essa é a reforma da distribuição de renda no Brasil”.

A ministra Simone Tebet em entrevista à Globo News na noite desta quarta-feira, 26. Foto: Reprodução de Vídeo/Globo News

A primeira parte da reforma tributária, que trata sobre o consumo, foi aprovada no início do mês na Câmara e vai começar a tramitar no Senado em agosto. Já as propostas de mudanças na tributação sobre a renda e o patrimônio serão apresentadas até o fim do ano pelo governo.

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“A ideia do ministro da Economia, Fernando Haddad era: termina na Câmara a tributária do consumo, vamos colocar a da renda, mas ele mesmo percebeu como é a política”, afirmou Tebet.

“O Senado precisa respirar, precisa de um protagonismo, o Senado precisa se debruçar sobre questões sensíveis da tributária que na Câmara conseguiu se passar, como, por exemplo, algumas exceções, até para que tenhamos uma alíquota abaixo de 25%, que é o compromisso da equipe econômica do presidente Lula”, disse a ministra.

A manutenção da meta de inflação pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para os próximos anos em 3%, também foram pauta da entrevista. Para Tebet, a manutenção, além de fatores como o arcabouço fiscal e a reforma tributária, foram decisivas para a elevação da nota de crédito do Brasil anunciada pela Fitch, de BB- para BB. ”É tudo o que faltava. Nós estávamos ansiosos”, disse Tebet.

A ministra lembrou que, há cerca de 60 dias, a equipe da agência de rating esteve no País conversando com representantes do governo. “Além dos dados macroeconômicos e de informações sobre contas públicas, quase que foi uma sabatina sobre essa fragmentação política. A grande preocupação: o governo vai ter maioria no Congresso para aprovar aquilo que é preciso?”.

Copom

Tebet criticou durante entrevista a manutenção da taxa de juros em 13,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). “Espero que o Banco Central tire essa venda dos olhos. Hoje, a meu ver, é isso que acontece com o Banco Central, está havendo uma miopia, uma visão obtusa do Brasil, do Brasil real”, afirmou a ministra, que ressaltou a melhora dos indicadores e das perspectivas para a economia. “Diante de tudo isso: o que falta? Um senso de realidade do Brasil real.”