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Pacote positivo

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Por Alberto Tamer
Atualização:

O ministro da Fazenda anunciou medidas de redução de impostos e corte de juros para pessoas físicas e promete quatro outras medidas para estimular o crédito e a demanda interna. Demorou muito porque deveriam ter vindo há pelo menos um mês, quando se confirmou que o pacote anterior, de dezembro de 2011, não dera os resultados esperados e o PIB, em março, recuava mais de 1%, projetando apenas 2,7% este ano. Faltou crédito, reconhece o ministro. E investimento oficial e privado também, que vem encolhendo e hoje representa apenas 19% do PIB. No pacote de 4 de dezembro do ano passado, a coluna perguntava, "é só o começo?" Não foi. Passaram-se mais de cinco longos meses para que viesse outro, apesar do agravamento do cenário externo. A reação foi lenta, mesmo sem pressões inflacionárias e existindo recursos.Mais liquidez. O novo pacote não se concentrou apenas na redução de impostos, mas inclui a injeção de liquidez com R$ 12 bilhões dos compulsórios Também aqui é pouco porque o BC já tem retidos RS$ 400 bilhões de compulsórios que podem entrar no mercado. Somados a outros recursos, há pelo menos R$ 1 trilhão para conter os efeitos da crise na zona do euro e reanimar a economia. Vai funcionar? Pode, se não foi só um recomeço e não leve mais 5 meses como no ano passado, dizem os analistas. Não há inflação, há recursos, há renda, há mercado, há tudo para ir mais longe e evitar um PIB ainda menor, talvez de 2,5%. O que falta é produção e investimentos e demanda. Vem mais. E foi isso que o ministro prometeu, na terça-feira, um dia após o anúncio do pacote. Ação urgente em três áreas, fortalecimento do mercado interno, que agora se inicia, solidez fiscal e controle da inflação, já obtidos. Estão faltando investimentos que geram produção, empregos e aumentam a demanda, que hoje representa mais de 60% do PIB. E ela está longe de ter chegado à exaustão. Entre março deste ano e 2011, mesmo sem dar sinais de aumentar menos, as vendas do comércio ampliado, que inclui veículos e material de construção, aumentaram 10,2%. Há hoje forte aumento da renda, expansão do crédito, agora a juros reduzidos e prazos mais alongados e renegociáveis. Ao contrário de 2011, não há novas pressões inflacionárias. Assim, o ministro Mantega e o presidente do BC, Alexandre Tombini, afirmaram que é possível aumentar a liquidez e injetar mais dinheiro na economia sem gerar mais inflação. E é o que pretendem fazer.Pode crescer mais. Nas duas últimas colunas, dissemos que a economia pode crescer mais, desde que haja investimentos do governo principalmente de desdobramentos mais rápidos e estímulo à demanda interna. A coluna de domingo tinha como título "Há espaço para crescer mais," rejeitando a ideia de que o modelo de expansão via mercado interno estava superado, tese de alguns economistas rejeitada agora pelo ministro da Fazenda. A anterior, de 13 de maio, "Só governo salva o PIB", ressaltava que o governo não podia contar com o setor privado para investir - não investiu mais mesmo nos anos dourados e continua apático.Mantega admite tudo isso - insiste muito no incentivo ao mercado interno, mas fala menos em investimentos. Há recursos para investir, sim, mas eles não deslancham. Ele lembrou que até abril foram liberados R$ 11,3 bilhões para os projetos do PAC, mais que os R$ 7,6 bilhões do ano passado, mas reconhece que isso é pouco. Para que a economia cresça 4% é preciso aumentar os investimentos privados e oficiais em 8,8%. Estamos longe disso. Há recursos, admitiu o ministro. Falta agilizar e desburocratizar suas aplicações. O programa Minha Casa Minha Vida, que prevê o financiamento de 2,4 milhões de moradias até 2014, foi simplificado. Como resultado, a Caixa vai financiar R$ 100 bilhões este ano. O governo reforçou o caixa do BNDES com R$ 150 bilhões, com juros praticamente negativos, 5% ao ano.Mas essa parte do plano está atrasada, ao contrário do estímulo ao consumo interno que demorou, mas não foi tardio, está vindo em tempo. É evidente que, sozinho, quando muito poderá impedir um recuo maior do crescimento do PIB, mas não levá-lo a 4%.5 meses? Agora, é prever que as medidas do governo tenham maior sentido de urgência e não se tenha de esperar mais 5 meses e ter um novo pacote, absolutamente necessário, só no último trimestre de um ano quase perdido.

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