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Petrobras: Prates admite negociação com refinaria na Bahia, mas nega que seja reestatização

Segundo presidente da estatal, ‘renacionalização’ de ativos não faz parte do vocabulário da atual gestão, e negociação com refinaria privatizada está sendo feita a convite dos atuais donos

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Por Redação

RIO - O presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, disse nesta sexta-feira, 8, que o termo “renacionalização de ativos” é “mofado” e não faz parte do vocabulário da atual gestão da Petrobras. Segundo ele, a Petrobras não tem a intenção de recomprar ativos que pertenciam à empresa e foram vendidos à iniciativa privada no passado, mas vai manter conversas sobre o que interessa do ponto de vista de negócio.

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“‘Renacionalização’ de ativos não faz parte do nosso vocabulário. Olhamos para qualquer um desses ativos (vendidos no passado) como ativos de negócios. E se tiver de ter maioria por questão estratégica, teremos. Se não for o caso, não teremos. Se não for do interesse da Petrobras, não faremos proposta ou abordagem qualquer. Não estamos aqui para renacionalizar, reestatizar, nada disso. Estamos olhando ativos e vendo se interessa ou não”, disse.

Prates falou em teleconferência a investidores sobre os resultados do quarto trimestre de 2023. Antes, na teleconferência, ele já havia reiterado que Vibra (Ex-BR Distribuidora) “não está na mesa” e que não há estudos para recompra dessa empresa dentro da Petrobras.

Especificamente sobre a Refinaria de Mataripe (Ex-Rlam, vendida à Acelen, controlada pelo fundo Mubadala), na Bahia, Prates disse que há conversas porque a Petrobras recebeu um convite dos atuais donos.

O presidente Lula (E) e o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, durante anúncio da retomada dos investimentos na refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República

“Conversamos com eles porque recebemos um convite. Achamos interessante analisar e estamos analisando”, disse com relação à convocatória para negociações da Acelen sobre a refinaria e outros negócios de biorrefino no apagar das luzes de 2023.

A refinaria de Mataripe foi comprada da Petrobras pelo Mubadala em 2021, em um acordo de cerca de US$ 1,8 bilhão. A venda fez parte de um acordo fechado em 2019 no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que previa a negociação de oito refinarias da estatal, como uma forma de desconcentrar o mercado.

Com a volta do PT, claramente contrário às privatizações, ao poder, esse acordo com o Cade acabou sendo revisto no ano passado, e o plano de desestatização foi derrubado. No ano passado, uma pequena refinaria no Ceará, a Lubnor, que já tinha o acordo de venda assinado, não foi entregue pela estatal, que acabou voltando atrás no negócio, criando um grande ruído no mercado.

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Além de enterrar o plano de privatizações, a Petrobras também decidiu retomar investimentos em refino. Nesse caso, anunciou a retomada das obras da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, um dos principais símbolos da corrupção bilionária que envolveu a empresa e que foi investigada na Operação Lava Jato.

Sem alavancagem adicional

Apesar da análise declarada para investimentos em novos negócios não só em refino, como em geração de energia renovável e descarbonização, o diretor financeiro da empresa, Sergio Caetano Leite, disse que a companhia não enxerga necessidade de alavancagem adicional para a realização de fusões e aquisições futuras.

“Manutenção de nível de alavancagem e gestão de capital são mantras para nós”, disse Leite. Ele comentou, especificamente, sobre Mataripe e disse que a análise da Petrobras sobre os negócios da Acelen no Nordeste é global.

“Estamos analisando o todo. Tem combustível de aviação verde, tem biorrefino, horizontes novos. Mas a possibilidade de endividamento para isso (compra de participação em Mataripe) não está em consideração. Não esperamos tomar dívida para comprar (participação)”, disse Leite.

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