Pix já pode ser usado em compras nos EUA, Argentina, Uruguai e outros países, diz Campos Neto

Presidente do Banco Central afirma que a internacionalização do sistema de pagamento instantâneo brasileiro é um processo contínuo

PUBLICIDADE

Foto do author Francisco Carlos de Assis
Foto do author Eduardo Laguna
Por Francisco Carlos de Assis (Broadcast) e Eduardo Laguna (Broadcast)
Atualização:

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse nesta segunda-feira, 2, que a internacionalização do sistema de pagamento instantâneo brasileiro, o Pix, é um processo contínuo, mas que o cidadão brasileiro já pode pagar compras feitas em Orlando (EUA), Argentina, Uruguai e em outros países.

Presidente do Banco Central afirma que a internacionalização do sistema de pagamento instantâneo brasileiro é um processo contínuo Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

“A internacionalização do PIX é um processo contínuo. Hoje se for em Orlando já consegue comprar com Pix, se for no Uruguai e na Argentina consegue comprar com Pix”, disse Campos Neto ao ser questionado durante o evento da Associação Brasileira das Corretoras de Câmbio (Abracam) sobre quando o Pix seria internacionalizado.

PUBLICIDADE

Ele lembrou que recentemente o governo argentino questionou a autoridade monetária brasileira sobre se o bancos de lá não poderiam usar o Pix como uma forma de integração entre os dois países. Campos Neto disse que o sistema está sendo aberto pra outros BCs. Para ele, o importante é fomentar este modelo que tem funcionado muito bem na Ásia.

Perguntado também como a autoridade monetária está vendo a possibilidade de aumento de fraudes através do Pix, como os economistas têm previsto, Campos Neto relativizou este risco. De acordo com ele, as pessoas sempre falam de fraudes por meio do Pix mas esquecem que o sistema está substituindo o dinheiro em espécie e outros nichos que tinham outros processos de fraude.

“O que a gente entende no final que é uma vantagem, quando olha pra frente, porque no final das contas, a fraude quando é digitalizada tem que passar por um sistema. Então, hoje, o que você tem é um sistema de fraude que basicamente usa contas de aluguel ou contas laranja, contas de passagem e esse é o lugar onde a gente precisa focar”, disse o presidente do BC.

De acordo com Campos Neto, “se a gente pensar que vai, eventualmente, viver em um mundo ideal, que não tem conta de aluguel, conta laranja e nem de passagem, basicamente se alguém fizer uma fraude terá que depositar o resultado daquela fraude na conta dele e ai você limita a capacidade de fraudes”.

O que o BC tem feito, segundo Campos Neto, é dar para o usuário a flexibilidade de fazer um Pix sob medida, entendendo a necessidade dele. “Se você não quer fazer um pagamento para uma pessoa que não está na agenda, você consegue bloquear o montante, o horário para fazer uma coisa mais subjetiva”.

Publicidade

A segunda coisa que Campos Neto disse estar sendo feita pelo BC é atacar esse tema das contas laranjas porque “no final das contas, se não tiver contas laranjas esse dinheiro vai pra onde? Tem que ir para alguma conta”. Para ele, se as contas laranjas forem mapeadas e as aberturas destas conta forem antecipadas pela inteligência artificial, por exemplo, o volume de fraude será bem menor do que era no sistema antigo.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.