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Porto do Açu movimenta 57,4 milhões de toneladas em 2022 e inaugura segundo armazém

Alta de 3,0% em relação a 2021 foi puxada por minério de ferro e petróleo; novos armazéns elevarão movimento de 1,6 milhão de toneladas para 4 milhões de toneladas de cargas, segundo controladora

Por Vinicius Neder

SÃO JOÃO DA BARRA (RJ) – O Porto do Açu, no litoral norte do Rio, movimentou 57,4 milhões de toneladas em 2022, alta de 3,0% sobre o ano anterior, puxado por seus terminais de minério de ferro e de petróleo. Com o objetivo de crescer em outras frentes, a Prumo Logística, dona do megacomplexo porto-indústria, inaugurou nesta quarta-feira, 8, um segundo armazém no seu Terminal Multicargas (T-MULT). Voltado para cargas gerais, de diferentes tipos, como minérios, fertilizantes e até veículos, o T-MULT movimentou em 2022 as mesmas 1,6 milhão de toneladas de 2021.

Com as expansões previstas, a meta é chegar a 4 milhões de toneladas por ano daqui a dois anos, disse Rogério Zampronha, presidente da Prumo Logística, empresa controlada, desde 2013, pelo EIG, que hoje tem como sócio o Mubadala, o fundo soberano de Abu Dhabi. Segundo João Braz, diretor de terminais e logística do Porto do Açu, a subsidiária da Prumo Logística que opera o empreendimento, o movimento poderá chegar a 5 milhões de toneladas por ano até 2036.

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Desde a inauguração, em 2016, a movimentação do T-MULT vinha crescendo a um ritmo médio de 55% ao ano, mas o avanço foi freado no ano passado, em parte, pela limitação de capacidade de armazenagem. O caminho do crescimento até os 5 milhões de toneladas por ano citados pelos executivos da Prumo Logística passa pelo aumento da capacidade de armazenagem e pela melhoria da infraestrutura rodoviária.

“Estamos expandindo a capacidade do terminal, trazendo mais carga para cá. Esse é o primeiro passo. O segundo passo é atrair as indústrias que produzem e beneficiam essas cargas”, afirmou o presidente do Porto do Açu, José Firmo, após a cerimônia de inauguração do armazém, numa referência ao modelo porto-indústria, destaque desde o desenho original do empreendimento, pelo empresário Eike Batista.

A unidade inaugurada nesta quarta-feira, 8, tem 6,8 mil metros quadrados e foi construída em parceria com a mineradora canadense Lundin Mining, que exporta, para a Europa e para a China, o cobre produzido em sua mina em Alto Horizonte (GO). Com capacidade de estocar 45 mil toneladas, o armazém ajudará a otimizar custos logísticos – a operação de transporte de Goiás ao litoral norte do Rio, uma distância de 1,6 mil quilômetros é feita via rodoviária, por caminhões, numa viagem que leva quatro dias, contou o diretor financeiro da Lundin no Brasil, Jean Cintra.

Um terceiro armazém, com 7,6 mil metros quadrados, será inaugurado em maio, com capacidade de 40 mil toneladas. Nesse caso, a unidade será do próprio T-MULT, destinada à movimentação de cargas diversas, como minérios, grãos, fertilizantes e produtos siderúrgicos. O terminal já tinha um armazém de 25 mil toneladas de capacidade, voltado para cargas especiais, e um pátio, de 35 mil metros quadros, para armazenar combustíveis sólidos usados na fabricação de aço e cimento.

Desde a inauguração, em 2016, movimentação do terminal multicargas do Porto do Açu vinha crescendo a um ritmo médio de 55% ao ano, mas avanço foi freado em 2022, em parte, pela limitação de capacidade de armazenagem. Foto: Pedro Kirilos/Estadão 

No total, a capacidade de armazenagem do T-MULT quadruplicará, para 110 mil toneladas. O T-MULT já recebeu em torno de R$ 600 milhões, de um plano de investimentos que já aplicou R$ 20 bilhões desde o início das obras do porto, em 2007, e prevê aplicar mais R$ 22 bilhões nos próximos cinco anos.

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O próximo passo, segundo Braz, será ampliar o cais. Hoje, o berço de atracação de navios tem 340 metros, com 13,1 metros de calado, o que permite atracar uma embarcação por vez. A ampliação poderá dobrar essa capacidade.

O crescimento tende a consolidar o Porto do Açu entre os maiores do País. Em 2021, com os 55,7 milhões de toneladas movimentados, o Porto do Açu ficou na sétima posição entre os mais movimentados, conforme dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), agregados por complexo portuário. Segundo a Prumo Logística, com os 57,4 milhões de toneladas de 2022, o complexo no litoral norte do Rio ficou em segundo lugar, quando se considera apenas os portos organizados, atrás do Porto de Santos, com 126,2 milhões de toneladas.

A expansão do T-MULT até as 5 milhões de toneladas por ano será baseado na logística rodoviária. Uma nova rodovia ligando o Porto do Açu à BR-101, cujas obras foram anunciadas em janeiro de 2022 e exigirão R$ 400 milhões em investimentos públicos do governo do Estado do Rio, é aguarda pela empresa – a própria Prumo Logística, em parceria com o governo fluminense, desenvolveu o projeto de engenharia da rodovia. Segundo José Firmo, presidente do Porto do Açu, trechos da estrada já foram licitados, mas o executivo prefere não fazer estimativas sobre o prazo de conclusão da obra.

Atualmente, a conexão rodoviária da BR-101 até o Porto do Açu passa, necessariamente, por dentro de Campos, maior cidade do norte fluminense, o que – ao lado de uma estrada de pista simples em mão dupla no trecho final do trajeto – acaba reduzindo a eficiência logística. Mesmo assim, chegam ao complexo portuário 500 caminhões por dia, em média. Segundo Firmo, o número poderá duplicar ou triplicar com a expansão do T-MULT.

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A melhoria da infraestrutura rodoviária é a solução de curto prazo, enquanto a conexão à malha ferroviária não vem. Executivos da Prumo Logística seguem defendendo a conexão ferroviária como essencial para consolidar o Porto do Açu como polo logístico, mas ela depende de investimentos públicos federais.

O caminho natural seria fazer a conexão direta com a malha ferroviária, entre São João da Barra e Anchieta (ES). No fim do ano passado, a Prumo Logística estimava o investimento no projeto entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões. Um trecho de 40 quilômetros de trilhos, dentro do Porto do Açu, terá investimento de R$ 600 milhões por parte da Prumo, mas só sairá do papel após uma decisão sobre o modelo para a conexão com a malha nacional.

Segundo Firmo, ainda não houve contatos da empresa com técnicos do Ministério dos Transportes, recriado em janeiro com o novo governo, mas o presidente do Porto do Açu demonstrou otimismo de que o investimento na conexão ferroviária sairá do papel. “Conversamos sobre a ferrovia há muito tempo”, afirmou o executivo, lembrando que as negociações envolvem também os governos estaduais do Rio, de Minas Gerais e do Espírito Santo.

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