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Preço de imóveis em Piracicaba sobe 38% em um ano; entenda

O município do interior paulista foi o que teve maior valorização do m² de imóveis residenciais no último ano; empresas como Hyundai e Raízen movimentam economia local

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Foto do author Lucas Agrela
Por Lucas Agrela
Atualização:

Eloá Giacomelli Damiani comprou um apartamento em Piracicaba (SP), sua cidade natal, em abril deste ano para morar com o filho e o namorado. O imóvel de 45 metros quadrados (m²) tem dois quartos, um banheiro e uma vaga na garagem, além de churrasqueira e área de lazer para crianças e pets no condomínio, localizado próximo ao centro. “Tentei me mudar para outra cidade, mas acabei voltando. Piracicaba é uma cidade que se desenvolveu muito e tem muitas vagas de emprego.”

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O município do interior paulista tem 423 mil habitantes e é tradicionalmente conhecido pela produção de cana-de-açúcar, que responde por mais de 70% da agricultura local. Abriga um dos maiores centros de tecnologia canavieira, CTC, que desenvolve o melhoramento genético da planta - o que atrai muitos negócios para a região.

A cidade foi o que teve maior valorização do m² de imóveis residenciais no último ano no interior paulista. Segundo dados da consultoria imobiliária Geobrain, o aumento foi de 38%, de R$ 5.611 para R$ 7.720, em média. Financiada pelo programa Minha Casa Minha Vida, Eloá comprou seu apartamento na cidade por R$ 210 mil, em um empreendimento da MRV. A cidade tem lançamentos de outras empresas, como a RNI, e projetos do Grupo ADN para 2024.

Apartamento da MRV, em Piracicaba: empresa aposta no potencial de crescimento da cidade Foto: Divulgação/Piracicaba

Desde 2022, a Piracicaba recebeu novos investimentos de grandes empresas. A Hyundai completou dez anos de presença no mercado brasileiro no ano passado e inaugurou a primeira fábrica de motores na América Latina na cidade, onde a montadora sul-coreana já montava as linhas de automóveis HB20 e Creta.

A fábrica de 17.721 m² teve investimento de R$ 500 milhões. A capacidade de produção é de 70 mil motores ao ano e emprega mais de 250 funcionários. Ainda no ano passado, a cidade recebeu investimento de R$ 300 milhões da gigante de combustíveis Raízen para a construção de uma fábrica de biogás.

A professora de economia da ESPM, Cristina Helena de Mello, diz que, além do desenvolvimento da economia local com o investimento de empresas de grande porte, a qualidade de vida superior à oferecida pela capital paulista e a escassez de imóveis disponíveis na cidade estão relacionados ao aumento de preço do m² em Piracicaba.

“Não houve um preparo para antecipar essa busca por imóveis e fazer uma oferta mais expressiva que talvez amenizasse o impacto dos preços”, diz Cristina. A professora pondera que nem sempre os preços de anúncios são os valores efetivamente pagos pelas residências, o que dificulta a aferição correta dos dados.

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