Arranha-céu de 150 metros criado por Niemeyer no Rio deve ser concluído após 55 anos

Com investimento de R$ 150 milhões, o Niemeyer 360º, na Barra da Tijuca, tem previsão de conclusão para 2025

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Por Bruna Klingspiegel
Atualização:
3 min de leitura

O icônico projeto arquitetônico Niemeyer 360º, conhecido no passado como Torre H, finalmente deve sair do papel. O projeto é de 1969 e a construção começou em 1970, mas uma série de problemas atrasou sua conclusão. O arranha-céu de 150 metros, idealizado por Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, está previsto para ser concluído somente 55 anos depois, em 2025, e terá 37 andares na Barra da Tijuca, no Rio, com vista panorâmica (360º) de todo o bairro.

Criado no início da década de 70, o empreendimento foi paralisado em 1984 por causa de uma crise financeira e a falência da empresa Desenvolvimento Engenharia, do empresário e político Múcio Athayde, morto em 2010. Originalmente destinado ao desenvolvimento urbano da Barra da Tijuca, o projeto previa a construção de 76 torres cilíndricas. No entanto, dos prédios planejados, somente quatro torres foram erguidas.

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Imagem ilustrativa do empreendimento Niemeyer 360º, na Barra da Tijuca Foto: Divulgação

A primeira delas foi entregue pela construtora em 1990, enquanto a segunda, sob a responsabilidade da Encol, chegou às mãos dos compradores em 1994. Já a terceira torre teve sua construção interrompida no quinto pavimento e foi posteriormente demolida para dar espaço a um novo empreendimento. Enquanto isso, a Torre H permaneceu abandonada e em ruínas.

As obras foram retomadas pela incorporadora brasiliense Capital 1 há 3 anos, que assumiu a construção e anunciou oficialmente o relançamento do projeto em 17 de novembro, trazendo alívio aos proprietários que aguardavam uma resolução. Parte dos compradores da época participarão financeiramente da conclusão das obras. Alguns têm pago mensalidades de R$ 1 mil por apartamento até o final deste ano; em 2024, serão R$ 7,7 mil por mês.

A empresa incorporou o projeto há cinco anos, adquirindo uma participação majoritária de 85% dos apartamentos. Os 15% restantes permanecem com os compradores originais.

“O prédio estava preservado, mas tinha muitos sinais de depredação, muita vandalização. Todos os elevadores estavam enferrujados e acabados, muitas janelas quebradas. Então realmente dava uma impressão muito ruim, mas a estrutura estava bem conservada”, conta o sócio fundador da Capital 1, Antonio Carlos Osorio.

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“Tivemos de modernizar o projeto para atender aos conceitos atuais de moradia e qualidade, mas fizemos questão de manter muitos elementos do projeto original”, afirma Osorio.

A incorporadora vai investir cerca de R$ 150 milhões no empreendimento, cujo valor global de vendas (VGV) é de R$ 280 milhões. No total, são 448 apartamentos, com preços entre R$ 570 mil e R$ 750 mil. O empreendimento tem a assinatura de Paulo Niemeyer, bisneto de Oscar Niemeyer e único membro da família que permaneceu envolvido no ofício. Procurado, ele não respondeu ao pedido de entrevista.

O prédio terá estúdios de 40 m² e coberturas duplex de 80 m². Além disso, os futuros moradores podem esperar uma área de lazer com 5 mil m² e uma das maiores piscinas do Rio de Janeiro, com quase 1 mil m². O condomínio também deve contar com uma sauna que se funde à piscina, além de academia, churrasqueiras, praças internas, gazebos e um espaço gourmet.

Segundo a empresa, são áreas de lazer que “refletem uma abordagem moderna e adaptável ao conceito de morar em espaços relativamente compactos”. O terraço abriga um jardim com telhado verde, com visão panorâmica de todo o bairro.

A Torre H foi alvo de ocupação em 2004, mas logo foi retomada e protegida pela associação dos antigos adquirentes.

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Segundo o professor do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da UFF, a conclusão do prédio, que permaneceu abandonado por décadas, tem um significado histórico para a Barra da Tijuca.

Ela foi uma das primeiras torres construídas em um, então, areal desértico. Além disso, faz parte de um ambicioso projeto elaborado por um dos maiores arquitetos do mundo, Oscar Niemeyer.

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