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Projeções econômicas dão argumento para mais estímulo, diz Fed de NY

William Dudley disse que preços estáveis e retorno ao pleno emprego justificariam afrouxamento monetário, mas que é crucial pesar custos e benefícios de novas medidas de estímulo

Por Renato Martins e da Agência Estado
Atualização:

NOVA YORK - O presidente do Federal Reserve Bank de Nova York, William Dudley, disse que há argumentos em favor de mais relaxamento da política monetária nos EUA e que os formuladores da política monetária não deveriam se apoiar somente na Regra de Taylor para determinar o nível apropriado da taxa básica de juros.

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Falando sobre regras e parâmetros de política monetária durante um evento em Nova York, Dudley disse que a perspectiva apresentada por sua equipe, de preços estáveis e um retorno lento ao pleno emprego, justificaria mais afrouxamento monetário, mas ressalvou que é crucial determinar os custos e os benefícios de novas medidas de estímulo.

"Enquanto a economia dos EUA continua a crescer com rapidez suficiente para reduzir a capacidade ociosa da economia do país a um ritmo significativo, acho que os benefícios de novas medidas provavelmente não superam os custos. Mas, caso a economia desacelere de modo a não fazermos mais progressos materiais na direção do pleno emprego, então os benefícios de mais acomodação da política crescerão, em minha estimativa, e isso pode fazer a balança pender na direção de mais relaxamento", afirmou Dudley.

Ele também disse que, caso o crescimento da economia desacelere, o Fed pode escolher entre estender a duração de sua carteira de ativos e aumentar seu balanço patrimonial com mais compras de bônus. Ao mesmo tempo, se a economia mostrar vigor suficiente, Dudley afirmou que estudaria adiantar o momento em que o Fed espera passar a elevar as taxas de juro, previsto atualmente para o fim de 2014.

Dudley disse estimar que a expansão do balanço patrimonial do Fed depois da crise financeira de 2008 equivale a uma redução de 1,5 a 2,0 pontos porcentuais na taxa dos Fed Funds. O atual programa de extensão da maturidade da carteira do Fed, a chamada Operação Twist, deve terminar em junho próximo.

O presidente do Fed de Nova York também advertiu que surpresas econômicas negativas normalmente acabam por ser mais custosas do que as surpresas positivas. Por exemplo, se o crescimento da economia realmente se acelerar, o Fed tem várias ferramentas para apertar a política monetária e assegurar a estabilidade, Mas, se houver estagnação na atividade econômica, os EUA correm o risco de entrar em uma era de deflação, como o Japão - e neste caso, o Fed não tem "um conjunto de ferramentas tão bom".

O Fed de Nova York está fora do sistema de rodízio entre os distritos regionais do Federal Reserve, e sempre tem direito a voto nas reuniões de política monetária. Dudley disse esperar que a taxa básica de juros permaneça nos níveis atuais pelo menos até o fim de 2014; para ele, a inflação ficará levemente abaixo da meta de longo prazo do Fed, de 2%, e a taxa de desemprego será reduzida muito lentamente, na direção dos 5% no longo prazo.

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"É muito difícil ficar preocupado com riscos de inflação quando a taxa de crescimento dos salários nominais é tão baixa e estável", acrescentou. As informações são da Dow Jones.

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