Refinaria da Petrobras que receberá investimento bilionário tem acidente com quatro feridos

Estatal nega explosão em Abreu e Lima e diz que operação continua normalmente; presidente Lula esteve em Pernambuco na semana passada para anunciar retomada de obras de ampliação da unidade

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Por Gabriel Vasconcelos

Um acidente ocorrido durante a manutenção de um tanque de petróleo na refinaria Abreu e Lima, em Ipojuca (PE), feriu quatro trabalhadores nesta quinta-feira, 25, segundo a Petrobras. A equipe foi atendida na unidade e encaminhada para avaliação médica externa, segundo a estatal.

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O acidente ocorre uma semana depois do anúncio da retomada das obras de ampliação da unidade. A iniciativa foi oficialmente anunciada pela Petrobras em cerimônia na presença do presidente da empresa, Jean Paul Prates, e do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. A ampliação, prevista para terminar em 2028, deve consumir entre R$ 6 bilhões e R$ 8 bilhões em investimentos e elevar a capacidade de processamento da refinaria de 100 mil barris de petróleo por dia para 260 mil barris por dia.

A companhia negou nesta quinta que tenha havido uma explosão no local. Em nota, menciona “fagulhamento seguido de chama rapidamente controlada”. As unidades de produção da refinaria, informou, operam normalmente, “sem outros impactos”.

Petrobras informou sobre um acidente durante manutenção de tanque de petróleo na refinaria de Abreu e Lima, em Ipojuca (PE)  Foto: Wilton Jr/Estadão

Pessoas com conhecimento interno do funcionamento da empresa disseram ao Estadão/Broadcast que o tanque em questão foi liberado para manutenção, mas, no momento da abertura pelos funcionários, houve um “escape” de calor com chamas.

“As equipes internas da refinaria foram acionadas e atuaram para controle da ocorrência. As causas serão investigadas”, informou a Petrobras.

Procurada, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) afirmou que vai integrar a comissão de investigação do acidente com o Sindipetro Pernambuco-Paraíba e técnicos da estatal.

A refinaria, cuja construção foi inaugurada há 18 anos com a presença dos então presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Hugo Chávez (Venezuela), tornou-se um dos símbolos das investigações da Operação Lava Jato no escândalo do “petrolão”, esquema de desvio de recursos da estatal durante as gestões petistas. O projeto foi pensado em parceria com a estatal venezuelana PDVSA.

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Sua construção se arrastou de 2005 a 2014, com um atraso de três anos para o início da operação parcial, antes previsto para 2011. Com um custo inicial de R$ 7,5 bilhões, as obras do empreendimento, que deveria ser o início da independência para o refino de petróleo brasileiro, consumiram quase R$ 60 bilhões.

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