Empresas criam banco de vagas globais: saiba como se preparar para ser selecionado

PageGroup forma banco de dados com perfil de candidatos globais que podem ocupar cargos, em home office ou presencial, em qualquer região do mundo

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Por Felipe Siqueira

A pandemia e o isolamento social mudaram não apenas a forma de trabalhar como também de contratar. Com a popularização do home office, a janela de oportunidade de contratação foi ampliada, exigindo alternativas. Uma pessoa do Brasil pode ser escolhida em um processo seletivo para uma empresa na Europa, ou vice-versa, sem prejuízos para empresa ou trabalhador. Foi de olho nesse novo mundo que o PageGroup, uma das maiores empresas de recrutamento no mundo, passou a adotar a prática de currículos globais. Veja, nesta reportagem, como eles funcionam e quais os principais pontos que um candidato precisa atender para se encaixar na demanda por currículos globais.

Como funciona

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O que as empresas como a PageGroup fazem é criar uma estrutura - ou um banco de dados - com o perfil de candidatos que se encaixam em empresas e vagas de qualquer lugar do mundo.

Por meio do braço Page Outsourcing, a companhia enxergou uma tendência de mercado: empresas precisam iniciar operações em países ou continentes diferentes e não têm o know how para determinada região. Esta demanda por estruturas em diferentes países é recorrente há um certo tempo, mas acabou sendo intensificada após a pandemia, em que as “fronteiras” ficaram cada vez mais “relativas”, com o home office “encurtando” distâncias.

Para o diretor global do Page Outsourcing, o inglês Olly Harris, a pandemia ensinou que as relações de trabalho podem ser feitas remotamente. “Isso abriu um mundo de possibilidades, com contratações em diferentes regiões”, destaca ele.

Atualmente, as vagas em aberto são para profissionais mais técnicos, com expertise em alguma área, como cargos em tecnologia. “Esse tipo de processo é o oposto de posições C-Level (CEOs, por exemplo). Isso porque, nesses cargos mais altos, os profissionais vão precisar estar no escritório por muitas vezes (o que limitaria o tipo de contratação).”

O diretor global da Page Outsourcing, Olly Harris Foto: Divulgação

O que é currículo global?

A ideia é que a solução seja uma via de mão dupla. O CV tem abrangência mundial porque o candidato poderá preencher uma vaga local, no Brasil ou na América Latina, mas também na sede de uma companhia em outro continente, como na Europa, por exemplo. Além disso, o perfil pode ser considerado para outras posições, já que o CV fica no banco de dados do grupo especialista em recrutamento.

Em resumo, o indivíduo fica disponível para vagas ao redor do mundo, a depender da demanda e do preenchimento de requisitos - tanto em capacidade técnica quanto comportamental. Essas vagas podem ser presenciais ou online. Portanto, quando se fala em estrutura, considera-se tanto a parte física, como a montagem de escritórios (onde será instalado), quanto questões de burocracia e partes legais, que valem para online e presencial.

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O PageGroup é contratado por companhias que planejam expansões e precisam de mão de obra especializada em determinadas regiões. O processo de recrutamento pode ter início num local e ser concluída pela equipe global.

De acordo com o diretor executivo do Page Outsourcing, Lucas Toledo, os aspectos principais da centralização de operação feita pela companhia são: atender a demanda por talentos e conseguir realizar tudo em custo e qualidade efetivos, além de buscar diversificação de profissionais entre os países.

“Todo esse processo é muito complexo. Imagina uma empresa que opera em 30 países, que vai precisar realizar recrutamento em todos esses cenários diferentes. Vai ter de conhecer o mercado de trabalho, ter equipes nos locais. Teria de fazer a gestão de todo esse time e usar ferramentas de tecnologia, com bancos de talentos disponíveis para quando a demanda vier. Os custos são bem altos”, explica.

Tecnologia e saúde

As áreas com mais demandas por CVs globais atualmente, de acordo com Toledo, são tecnologia e saúde. Ele ressalta que o mercado tech tem crescido muito e vem se mantendo aquecido nesse quesito. “Mesmo que algumas grandes empresas estejam passando por um momento de readequação de quadros (como os vários casos de demissão em massa de startups e big techs, por exemplo), em geral, no mercado, a gente tem uma grande demanda e uma escassez de talentos.”

Desafios

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O presidente do PageGroup para a América do Sul, o holandês Gijs van Delft, explica que uma das maiores dificuldades em lidar com processos seletivos globais é garantir a padronização de serviços e de abordagens, além de assegurar pleno conhecimento das realidades locais e global de cada mercado.

Olly Harris, diretor global da empresa, complementa que, além da realidade da região, o modus operandi de cada empresa precisa ser levado em consideração, o que significa que diferentes companhias da mesma região podem também abarcar culturas diferentes. “O processo precisa fazer sentido para aquela empresa, não adianta querer fazer a mesma coisa para todas.”

Já do ponto de vista do profissional qualificado, os especialistas afirmam que a mentalidade é muito exigida, principalmente em relação à capacidade de adaptação. “Ele precisa estar aberto a mudanças e à diversidade. Nesse contexto globalizado, é necessário ter muita curiosidade e vontade de aprender”, fala van Delft.

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O executivo holandês também complementa que o principal desafio tem sido as questões legais e tributárias. Segundo ele, como não há exatamente um conjunto comum de regras a serem seguidas, demandando adaptações de acordo com as respectivas leis de cada região, esta parte acaba sendo bastante complexa. “Isso é uma tendência de mercado que ainda não tem 100% de regulação”, comenta.

Como ter um currículo global?

A pedido do Estadão, o PageGroup listou os principais pontos que um candidato precisa atender para se encaixar na demanda por currículos globais. A seguir, os tópicos elencados pelo diretor executivo do Page Outsourcing, Lucas Toledo.

- Ter currículo e Linkedin em inglês, bem feitos, com detalhes de competências e entregas, além de, no caso de gestores, realizar descrição sobre a capacidade de gestão;

- Investir em atualizações, cursos e certificações com reconhecimento internacional;

- Investir no aprendizado em idiomas;

- Fortalecer sua rede de relacionamento com pessoas de outros países ou que tenham acesso a outros mercados para entender demandas, tendências e gerar abertura de oportunidades de trabalho;

- Postar conteúdos interessantes nas redes sociais, isto gera muito engajamento;

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- Trabalho voluntário também é muito bem visto no exterior, pois mostra desenvolvimento pessoal e habilidades adquiridas com a experiência;

- Ter flexibilidade, capacidade de trabalhar em ambiente dinâmico e multicultural, lidar com diferentes estilos, trabalhar com diversidade, ter vontade de aprender e ser bastante curioso.

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