Um em cada 5 brasileiros se sente inseguro mesmo em casa, revela o IBGE

O estudo mostra que quanto maior é a renda das famílias, maior a sensação de segurança nos domicílios

PUBLICIDADE

Por Luciana Nunes Leal , Felipe Werneck e da Agência Estado
Atualização:

Apenas 52,8% dos brasileiros, pouco mais da metade da população do País, com 10 anos ou mais se sentem seguros nas cidades onde vivem, revela o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Suplemento de Vitimização e Justiça da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2009, divulgado hoje. São 77 milhões de pessoas com medo de andar pelas ruas por causa da violência. A sensação de segurança aumenta gradativamente quando a referência é o bairro de residência, onde 67,1% declararam se sentir seguros, e o domicílio (78,6%). Ou seja: à medida que a população se afasta do local onde mora, o sentimento de insegurança aumenta. Mas, mesmo em casa, quase um em cada cinco brasileiros se sentia inseguro.

PUBLICIDADE

Os menores porcentuais de sensação de segurança foram registrados na Região Norte: 71,6% no domicílio, 59,8% no bairro e 48,2% na cidade. O Estado do Pará lidera o ranking nacional de insegurança. Lá, apenas 36,9% se sentiam seguros nas cidades onde moravam. Já a Região Sul apresentou as maiores proporções de sentimento de segurança: 81,9%, 72,6% e 60,5%, respectivamente.

A maior sensação de segurança foi registrada em Tocantins. O estudo mostra que quanto maior é a renda das famílias, maior a sensação de segurança nos domicílios. Já para os bairros e cidades, a relação se inverte, com maior sentimento de segurança entre as famílias com menores rendimentos. Moradores de áreas rurais se sentem mais seguros. Quando a referência é a cidade onde vivem, a diferença chegou a quase vinte pontos porcentuais em relação a moradores de áreas urbanas: 69,3% se sentem seguros em áreas rurais, ante 49,7%. Os homens se declaram mais seguros que as mulheres tanto em casa como no bairro e na cidade. A sensação de segurança estava mais presente na faixa etária de 10 a 15 anos.

ROUBO - No período de um ano, 11,9 milhões de brasileiros foram vítimas de roubo ou furto, informa a pesquisa. O número representava 7,3% da população com dez anos ou mais de idade. Em 1988, o porcentual era de 5,4%. No grupo de vítimas de roubo e furto mais tentativa de roubo e furto, a sensação de insegurança chegou a 70,4%, ante 47,2% para toda a população de 10 anos ou mais. O total de vítimas de furto, 6,4 milhões (3,9%), foi maior que o de roubo.

Na região norte foi registrado o maior porcentual de pessoas roubadas (5,6%, ante 2,5% no Sul, o menor). O Pará lidera o ranking nacional de vítimas de roubo, com 7,7%. Já o crime de furto atingiu maior proporção na região Centro-Oeste (5,5%). O porcentual de vítimas de roubo ou furto foi maior entre os homens (8,3%) do que entre as mulheres (6,4%).

No grupo de pessoas que tinham de 16 a 34 anos foram verificados os maiores porcentuais de vítimas. Quanto maior a renda, maior a proporção de vítimas desses crimes. Os roubos foram concentrados em vias públicas (70,5% dos casos). Já os furtos ocorreram mais em residências (47,6%). Telefone celular e dinheiro, cartão de débito ou de crédito ou cheque foram os principais alvos de roubo. Na pesquisa anterior, de 1988, o bem roubado com mais frequência era dinheiro, depois joias ou relógios.

Nas regiões Norte e Nordeste, em 2009, os porcentuais de roubo e furto de telefone celular ultrapassaram os de dinheiro, cartão e cheque. Já no Sul e Sudeste, ocorreu o inverso.

Publicidade

Mais da metade das vítimas tanto de roubo quanto de agressão não procuraram a polícia para denunciar os crimes. No grupo das vítimas de roubo que não procuraram a polícia (51,6%), o principal motivo apontado foi não acreditar na polícia (36,4%). Entre as vítimas de roubo que procuraram a polícia mas não fizeram o registro, 24,9% afirmaram não acreditar na polícia.

GRADES - Grade em janelas ou portas é o dispositivo de segurança preferido pelos brasileiros. Mais de um terço (35,7%) dos domicílios estão gradeados no País. Em seguida vêm olhos mágicos, correntes no trinco da porta ou interfones, presentes em um em cada cinco (20,4%) dos lares. Cerca eletrificada, muro com mais de 2 metros ou arame farpado (18,8%) também são muito usados, assim como fechaduras extras e barras contra arrombamento (18,4%).

Já os cachorros protegem 9,4% das residências. Segurança privada e/ou cancela foi a opção em 6,7% dos domicílios brasileiros e as câmeras de vídeo chegaram a 4,2% das casas. Ou seja: 34,8 milhões de domicílios (cerca de 60% do total) usavam pelo menos um dispositivo de segurança, informa o IBGE - chegou a 64,9% dos domicílios em áreas urbanas, ante 28,5% em áreas rurais. O porcentual de domicílios com dispositivo de segurança foi sempre maior em áreas urbanas, com exceção de cachorro, presente em 12,8% dos lares em áreas rurais, e em 8,8% em áreas urbanas.

O perfil das vítimas de agressão no País, traçado pelo IBGE, revela o alto índice de mulheres atacadas pelos próprios cônjuges ou ex-cônjuges e mostra que a maioria dos agredidos é formada por negros e pardos. A baixa proporção de pessoas que denunciam a agressão à polícia é outra constatação da pesquisa, com dados de 2009. Mulheres denunciam mais que os homens. A estimativa do IBGE é de que 2,525 milhões de pessoas com 10 anos ou mais de idade foram vítimas de agressão no período de um ano antes da coleta dos dados, realizada em 2009.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.