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Médicos denunciam suspeita de fraude em prova de residência da Santa Casa em SP

Em uma das salas na zona leste, os envelopes teriam chegado abertos, sem o número de provas necessário; entidade decide cancelar algumas provas

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Por Gonçalo Junior
Atualização:

Candidatos do concurso público para Residência Médica em Pediatria na Irmandade de Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (ISCMSP) reclamam de fraude na prova deste sábado, 9, no campus da Universidade Anhembi Morumbi, na Mooca, zona leste São Paulo. De acordo com os candidatos, os envelopes já estavam abertos quando chegavam a pelo menos uma das salas de prova e não estavam completos.

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A Santa Casa de Misericórdia informa que constatou “erros de aplicação em uma sala e erros de impressão em um tipo de prova na seleção das especialidades”. Por essa razão, a entidade decidiu cancelar as provas de Pediatria (acesso direto); Endocrinologia e Metabologia; Gastroenterologia; Geriatria; Hematologia e Hemoterapia; Oncologia Clínica; Pneumologia; e Reumatologia.

Um grupo de candidatos se dirigiu ao 8º DP, no Belenzinho, e registrou um Boletim de Ocorrência. Nas redes sociais, vários grupos estão se mobilizando para acionar o Ministério Público, o Conselho Regional de Medicina (Cremesp) e solicitar o cancelamento do concurso sob alegação de fraude.

Médicos denunciam possível fraude em prova para residência em pediatria na Santa Casa de Misericórdia Foto: TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO

O concurso oferecia 24 vagas e, para assumir o posto, é necessário ser médico. A prova é igual para todos os participantes que entrarão em residências médicas de acesso direto.

“Na nossa sala, de número 72, com cerca de 60 candidatos, o malote chegou aberto. A fiscal contou na nossa frente e estavam faltando 20 provas. Houve de fato uma fraude. Como somem 20 provas do nada?”, pergunta o médico Paulo Sergio Gomes, de 26 anos, ao Estadão. Paulo, que atua como médico em Recife, veio a São Paulo exclusivamente para a prova.

Os candidatos da sala se recusaram a realizar a prova e solicitaram explicações da instituição diante da suspeita de fraude no concurso, de acordo com artigo 311-A do Código Penal. Os médicos relatam que alguns candidatos gritavam pela janela, pedindo que os vizinhos do prédio chamassem a polícia - os candidatos não foram autorizados a pegar os aparelhos celulares, recolhidos durante a prova.

Alunos de outras salas contam nas redes sociais que a denúncia de fraude espalhou rapidamente causando um clima de apreensão. Há relatos de candidatos que começaram a chorar; fiscais entravam e saíam da sala em busca de informações. Mesmo com o desencontro de informações, candidatos de outras salas realizaram o concurso.

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No procedimento formal de realização da prova de residência médica e de demais concursos públicos, o pacote de provas deve estar lacrado e ser aberto diante dos candidatos na sala de aplicação da prova.

De acordo com os participantes, os organizadores do concurso propuseram aos candidatos que fizessem provas que estavam em outro malote fechado, mas a opção foi descartada. Outra possibilidade é a realização do exame em janeiro ou fevereiro do ano que vem.

Abaixo, a íntegra da nota enviada pela Santa Casa de Misericórdia:

“A Comissão de Residência Médica (Coreme) da Santa Casa de São Paulo informa que iniciou imediatamente as apurações em relação aos problemas apontados na aplicação do Concurso de Residência Médica realizado em 9/12 pela empresa Imais.

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Constatou que houve erros de aplicação em uma sala e erros de impressão em um tipo de prova na seleção das especialidades.

Informamos o cancelamento das provas aplicadas para as áreas de Pediatria (acesso direto); Endocrinologia e Metabologia; Gastroenterologia; Geriatria; Hematologia e Hemoterapia; Oncologia Clínica; Pneumologia; e Reumatologia, a reaplicação para os candidatos a esses programas acontecerá em data a ser divulgada. Os demais cursos seguirão com o Cronograma já estabelecido.

Lamentamos as ocorrências e reforçamos que todas as providências necessárias estão sendo tomadas em conjunto com o Instituto Mais de Gestão e Desenvolvimento Social, que é a empresa contratada para aplicação da prova, para que não ocorram prejuízos aos candidatos.”

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