Pisa: Como cada região do Brasil se saiu no exame?

Notas são referentes a três campos do conhecimento, Matemática, Leitura e Ciências; Brasil se manteve entre os piores países

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Por Leon Ferrari e Renata Cafardo
Atualização:
4 min de leitura

Alunos do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste vão melhor do que a média nacional nas três matérias (Matemática, Leitura e Ciências) avaliadas pelo Pisa, o principal exame internacional de educação básica. A prova é aplicada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Norte e Nordeste ficam abaixo do resultado geral do Brasil.

O Sul tem as melhores notas, enquanto o Norte apresenta as piores. A diferença nas médias dessas duas regiões chega a 45 pontos. O Nordeste - embora tenha alguns exemplos de bom desempenho na rede pública, como Ceará e Pernambuco - também tem baixos desempenhos nas disciplinas cobradas pelo Pisa (veja nos gráficos abaixo).

Os resultados da avaliação foram divulgados nesta terça-feira, 5. O Pisa não tem escala máxima ou mínima de pontos. As nações são divididas em uma escala, sendo que cada 20 pontos significam a diferença de um ano de escolaridade.

O ministro da Educação, Camilo Santana, disse que a diferença entra as regiões reforça “a desigualdade que já conhecemos” no País. Os dados expõem como as diferenças de aprendizagem se acentuam conforme mais baixa é a origem socioeconômica do aluno quando o poder público não investe na educação em patamares suficientes para eliminar esse déficit.

Resultados do Pisa foram divulgados nesta terça-feira, 5 Foto: Tiago Queiroz/Estadão

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Fatores como baixa escolaridade dos pais, acesso a uma alimentação de qualidade, a oportunidades culturais e o tempo livre para estudar impactam os alunos mais vulneráveis. Já a qualidade do ensino é alavancada, principalmente, por uma boa formação dos professores e pelas expectativas mais altas de aprendizagem entre os jovens da rede privada.

O ministro anunciou também que pretende, na divulgação do próximo Pisa, em 2025, que haja resultados por Estado. Para isso, segundo o MEC, a amostra de alunos participantes terá de ser de cerca de 40 mil. Na última edição, 10 mil alunos de 15 anos fizeram a prova no Brasil.

O desempenho dos estudantes em Matemática e Leitura nos países ricos durante a pandemia teve a maior queda da história na prova mais importante da educação do mundo. Já com notas muito baixas ao longo das edições do exame, a nota do Brasil se manteve praticamente estável, mas subiu algumas posições no ranking.

Diretor de Educação e Habilidades do Pisa, Andreas Schleicher afirmou que o Brasil foi um dos países “sortudos”, onde o desempenho não foi tão prejudicado na crise sanitária. Os estudantes brasileiros ficaram com nota 379 em Matemática, na 65º lugar do ranking, atrás de Colômbia e Cazaquistão.

Em Leitura, foram 410 pontos e a 52º colocação. Em Ciência, o Brasil aparece em 61º, abaixo da Argentina e do Peru, e com 403 pontos.

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Comparado aos demais países, a região Sul divide a posição 58 em Matemática com a Tailândia. O Brasil é o 65º deste ranking. O Norte fica entre as oito piores posições, ao lado do Panamá e com apenas 21 pontos a mais do que o Camboja, o lanterna da lista.

Em Leitura, Sul, Sudeste e Centro-Oeste ficam entre Ucrânia e Romênia, que estão em 45º, e o Catar (47º). O Brasil é o 52°.

Nordeste e Norte aparecem entre os 20 últimos da lista. Os alunos nordestinos ficam empatados com o Panamá na posição 59. Já o Norte está entre Arábia Saudita (62º) e Chipre (63º).

Nas Ciências, o Sul empata com a Bulgária (51º), o Sudeste fica entre Malásia (52º) e Mongólia (53º), e o Centro-Oeste divide a mesma nota de Chipre (54º). O Nordeste está entre Panamá (65º) e Geórgia (66º), e o Norte equipara-se à Macedônia do Norte (68º). Na média geral, o Brasil aparece em 61º.

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