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Arquitetura, decoração e design

O banho em revista

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Destaque na Cersaie 2013, feira de cerâmicas e equipamentos de Bolonha, na Itália, exposição elenca o melhor dos produtos para banheiro desde 1998

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Marcelo Lima

Os componentes mecânicos estão devidamente escondidos. Fabricado de alumínio polido e podendo ser fixado tanto na vertical quanto na horizontal, poucos, à primeira vista, reconheceriam nele um aquecedor de parede. Mas o Zero-Otto, projeto de 2008 do italiano Francesco Luchese para a Antrax, o é. E dos bons. A ponto de levar sua funcionalidade tão a sério quanto seu desempenho estético: condição, hoje, mais do que fundamental para uma performance satisfatória em se tratando de um equipamento de sua categoria. De fato, poucas áreas do universo doméstico experimentaram evolução tão acentuada, em período tão relativamente curto, quanto a dos equipamentos criados para banheiros residenciais. Apresentado na Mostra Bathroom Excelence - 1998/2012, que aconteceu durante a última edição da Cersaie, Salão Internacional de Cerâmica e Equipamentos para Banho, no mês passado, em Bolonha, na Itália, o aquecedor Zero-Otto é retrato acabado dessa evolução. Mas está longe de ser o único. Reunindo 160 itens ? com ênfase em louças e metais sanitários, mas também com muitas opções de materiais de construção e revestimento ?, a exposição passa em revista as propostas de 110 designers, apresentadas cronologicamente, em uma perspectiva histórica. São peças produzidas entre 1998 e 2012, que não deixam dúvidas sobre sua relevância. Conforme atesta a poderosa Associação para o Desenho Industrial da Itália, responsável pela seleção dos produtos. Uma entidade fundada em 1956, ainda hoje sediada em Milão, que agrega mais de mil membros, entre profissionais e empresas em todo o território italiano, e é responsável por programas de incentivo à inovação aplicada a produtos industriais. Entre eles, desde 1962, o Prêmio Compasso d?Oro de Design: o mais importante e antigo título de reconhecimento do setor outorgado no território europeu. Partindo de um enfoque bastante preciso ? o de fazer ressaltar o potencial inovador de cada produto a partir do confronto com alguns de seus similares, passados e futuros ?, a Bathroom Excelence acontece em um ambiente híbrido. A planta é simples, quase óbvia. A atmosfera evoca o pátio de uma grande indústria. Mas bem poderia ser os corredores de uma loja de departamentos. A iluminação, com projetores suspensos de foco dirigido, ajuda a fazer de cada um de seus 20 nichos, conforme intenção dos organizadores, um receptáculo de objetos raros, preciosos. Nunca banais. Como acontece, por exemplo, com a peça que abre a mostra: Miss Hot, também um aquecedor, só que de 1998, criado por Paolo Pedrizzetti, com desenho muito simples, mas que funciona a um só tempo como utilitário e elemento gráfico. Ou, em outro extremo, com Super Wave. Uma linha de painéis componíveis de mármore, de espessura delicada e desenho ondulado, desenhados em 2006 pelo italiano Pongraiz Perbellini, que inaugurou a era da modelagem 3D aplicada a superfícies de pedra. Um projeto pioneiro, que franqueou aos projetistas a possibilidade de imaginar paredes e divisórias com padrões de revestimento mais complexos, só que agora com peças produzidas industrialmente. ?Concebemos a exposição como uma espécie de máquina do tempo que nos permitisse apreciar não só como o desenho dos equipamentos mudou ao longo dos anos, mas também quanto nós mudamos a maneira de ver esses objetos?, conta Manuele Focacci, arquiteta integrante da equipe responsável pela concepção da mostra, citando dois produtos, para ela referenciais: Kaos, banheira de 2003 com estrutura de alumínio, projetada pelo casal Roberto e Ludovica Palomba para a Kos, e Le Giare, linha de vasos sanitários de Claudio Silvestrin, lançada no ano passado pela Cielo Cerâmicas. A primeira, por se tratar de uma peça que até pode ser posicionada junto a uma parede, mas que fica igualmente perfeita se posicionada, por exemplo, no centro de uma sala. Algo impensável há uma década. A outra, por suas linhas sinuosas de aspecto escultural. Austeras, sem ostentação. ?Trata-se de um projeto sem concessões. De verdadeiras esculturas que partem de uma geometria quase elementar. São a prova evidente de que estética e praticidade podem, sim, caminhar juntas. Sem perder de vista a funcionalidade?, conclui a arquiteta.

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