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Análise|Corinthians é eliminado do Paulistão mesmo após vitória suada sobre o Santo André em Itaquera

Triunfo por 3 a 2 na Neo Química Arena não serviu para manter o time corintiano vivo na competição porque a Inter de Limeira venceu o Ituano horas mais tarde neste sábado

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colunista convidado
Foto do author Robson Morelli
Atualização:

O Corinthians até que fez a sua parte ao bater o Santo André por 3 a 2 na Neo Química Arena, em jogo decidido nos acréscimos, mas não evitou a eliminação precoce no Paulistão. O jogo, válido pela penúltima rodada do torneio, teve sinais de drama e decepção. O time comandado por António Oliveira estava vencendo por 2 a 0 em Itaquera, mas bobeou e permitiu o empate em 2 a 2. Pedro Raul salvou o Corinthians após outro bom lançamento de Fagner, com um gol marcado aos 49 minutos do segundo tempo.

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Todo o esforço para buscar a vitória foi em vão. A alegria durou horas apenas. Para continuarem vivos na briga por uma vaga no mata-mata, os corintianos precisavam que Mirassol e Inter de Limeira não vencessem seus compromissos da noite deste sábado. O Mirassol até perdeu por 1 a 0 para a Portuguesa, no Canindé, mas a equipe de Limeira superou o Ituano em casa por 2 a 0, de modo a matar as chances e os sonhos de o Corinthians se classificar. O time cumpre tabela na última rodada do Paulistão.

A vitória deu ao time do Parque São Jorge mais três pontos no Grupo C, agora com 13 em 11 jogos, faltando apenas uma rodada para o fim da fase de classificação. Como pode fazer no máximo 16 pontos, se vencer o Água Santa na partida derradeira, não tem mais chances de avançar porque a vice-líder Inter de Limeira chegou aos 17 pontos, um a menos do que o líder Red Bull Bragantino. O Mirassol está em terceiro, com 14, e é o único que pode ser ultrapassado pelo rival da capital.

Em Itaquera, somente a torcida do Corinthians foi capaz de se entusiasmar com o jogo nos primeiros 45 minutos na Neo Química Arena. Não foi um jogo de encher os olhos, longe disso, mesmo com a necessidade das equipes de somar pontos, claro, com interesses diferentes: o time corintiano entrou em campo acreditando que poderia se classificar para a fase eliminatória. Desde a derrota para a Ponte Preta, semana passada, no entanto, seus jogadores sabiam que não dependiam mais de suas próprias forças. O clube paga por um começo ruim sob o comando de Mano Menezes, quando ficou cinco rodadas sem ganhar. O Santo André tinha situação mais embaraçosa com o rebaixamento.

Maycon balançou a rede para o Corinthians em duelo com o Santo André neste sábado. Foto: Rebeca Reis/Ag. Paulistão

Fator Wesley

O Corintians foi melhor, mas o time ainda não se deu conta de que precisa usar Wesley com mais frequência e em outra condição, em velocidade, nas arrancadas com a bola dominada e com um companheiro que o acompanhe pelo meio. Quando a equipe entender que seu jogo deve ser mais agudo pela esquerda, vai se dar bem. O lado direito ainda é mais acionado. Wesley ganha todas no confronto um contra um até a linha de fundo. Tem cacoete dos pontas do passado. O que ele e alguns outros jogadores precisam melhorar é a calibragem dos cruzamentos. Houve muitos erros nesse fundamento.

Quem tomou conta da bola parada foi Garro. O jogador bate todas, de falta e escanteio. Deve treinar mais do que os outros o fundamento, que já foi decisivo no futebol brasileiro, mas que perdeu referência nos últimos anos. A bola ficou dividida entre as duas equipes, com o Santo André apostando nos ataques, mas sem tanta qualidade. Mesmo na defesa, o time do ABC estava bem posicionado, colocando dificuldades aos corintianos. Durou 12 minutos, quando Yuri Alberto fez o primeiro gol, após jogada ensaiada de bola parada. Mas o atacante meteu a mão na bola antes de ela entrar. O VAR dedurou e o árbitro anulou o gol para tristeza da Fiel.

Depois disso, o jogo entrou num “modus soneira”, com muito esforço, mas sem qualidade e finalizações. Todas as jogadas acabavam para fora ou nas mãos dos goleiros. As zagas eram soberanas, até Fagner achar Maycon no meio da área do Santo André num belo lançamento do meio de campo. O volante (moderno) dominou no peito e bateu de canhota para fazer 1 a 0.

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Cheio de maldade

O Santo André voltou para o segundo tempo cheio de maldade. Cássio teve de fazer duas boas defesas antes dos dez minutos, uma delas o que poderia ter sido um gol olímpico. O goleiro tocou na bola antes de ela bater no travessão. O Santo André pressionou o Corinthians em sua defesa. Foi muito mais perigoso dos primeiros minutos do que em toda a etapa inicial. Cássio acordou. O Corinthians mudou sua intensidade. Preferiu ficar com a bola, sem pressa, fazendo o tempo passar.

Uma das poucas chances de aumentar a vantagem foi numa cabeçada de Yuri Alberto no meio da área, livre, mas nas mãos do goleiro. O lance motivou os corintianos, que atacaram sequencialmente até a conclusão para fora de Fausto Vera. Logo em seguida, Yuri mandou para as redes e fez o segundo em Itaquera. A defesa do Santo André estava desarrumada. O time apostou no empate, mas se descuidou do setor defensivo.

O que parecia definido virou um drama para os corintianos. O Santo André abriu mão da defesa e partiu para o ataque, sem medo e sem olhar para trás, como deveria ter sido desde o começo do torneio. Dessa forma, empatou com gols de Bruno Michel e Lohan e calou a Neo Química Arena. Tentou levar o resultado até o fim, mas não conseguiu. Aos 49, Pedro Raul, de cabeça, fez o estádio em Itaquera pulsar novamente. Pena que não valeu de nada.

CORINTHIANS 3 X 2 SANTO ANDRÉ

  • CORINTHIANS: Cássio; Fagner, Félix Torres, Gustavo Henrique e Hugo; Raniele, Maycon (Fausto Vera) e Rodrigo Garro (Gustavo Mosquito); Romero (Pedro Henrique), Yuri Alberto (Coronado) e Wesley (Coronado). Técnico: António Olivera.
  • SANTO ANDRÉ: Luiz Daniel; Júnior Caiçara (Bruno Michel), João Victor (Ariel), Afonso e Igor Fernandes; Reis, Geovane, Dudu Vieira e Marciel (Enzo); Léo Passos (Lehon) e Cléo Silva (Felipe Ferreira). Técnico: Márcio Fernandes.
  • GOLS: Maycon, aos 33 minutos do primeiro tempo; Yuri Alberto, aos 26, Bruno Michel, aos 34, Lohan, aos 41, e Pedro Raul, aos 49 do segundo tempo.
  • ÁRBTIRO: Flávio Rodrigues de Souza (SP)
  • CARTÕES AMARELOS: Afonso, Reis, Gustavo Henrique, Fagner e Pedro Raul.
  • PÚBLICO: 43.379 pagantes
  • RENDA: R$ 2.656.331,00
  • LOCAL: Estádio Neo Química Arena, em São Paulo.
Análise por Robson Morelli

Editor geral de Esportes e comentarista da Rádio Eldorado

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