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Messi jogará a Copa do Mundo de 2026? Craque argentino dá sinais ambíguos

Difícil de ser decifrado, astro da seleção e do Inter Miami disse reiteradas vezes que o Mundial do Catar foi o quinto e último de sua carreira, mas seus planos podem mudar

Foto do author Ricardo Magatti
Por Ricardo Magatti
Atualização:

O técnico Lionel Scaloni disse depois de ganhar a Copa do Mundo do Catar que queria ver Lionel Messi em ação no Mundial de 2026, quatro anos mais tarde. Na semana passada, embora desconfortável, ele repetiu seu desejo ao afirmar que espera que o astro repense seus planos de parar e reforce a Argentina, caso a seleção confirme seu lugar no torneio a ser disputado nos Estados Unidos, México e Canadá. A América do Sul tem seis vagas agora com a Copa com 48 seleções.

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Scaloni, companheiros de Messi na Argentina, jornalistas do país vizinho e torcedores que idolatram o maior de seus ídolos não parecem confortáveis em comentar sobre um futuro tão distante para Messi, mas todos deixam claro o desejo de assistir mais uma vez o camisa 10 desfilar seu talento em uma Copa.

“Pelo bem do futebol, todos queremos que ele jogue (a Copa)”, afirmou Scaloni antes de a Argentina estrear com vitória sobre o Equador nas Eliminatórias Sul-Americanas. O triunfo foi assegurado graças a um golaço de falta do camisa 10. No Catar, o treinador havia dito que, caso queira, Messi teria um lugar no plantel da Argentina na próxima Copa porque ele “ganhou o direito de decidir o que fazer com sua carreira futebolística e com a seleção”.

Messi pediu para sair no fim do jogo com o Equador, algo incomum em sua carreira Foto: EFE/ Luciano González

O comentário mais recente do treinador sobre o assunto reavivou a discussão. Messi tem 36 anos e terá 39 em 2026. “Gostaria de ir, mas não de participar”, disse Messi ao jornal Titan Sports, em junho, quando falou pela última vez sobre o tema. No Catar, dias antes da decisão contra a França, ele afirmou que aquela final seria a sua despedida dos Mundiais. Antes do torneio, havia sinalizado a mesma intenção.

Meses depois da competição, ao jornal Olé, Messi disse que estava satisfeito e grato pela carreira que construiu, pela taça mais sonhada de todas que ergueu e reiterou que, “por idade e tempo” seria “difícil” estar em condições de representar a Argentina em 2026. No entanto, fez ponderações. “Depende de como estará minha carreira. Tenho de ver em que direção vai minha carreira, o que vou fazer. Depende de muitas coisas”, declarou, sem citar os fatores que o farão manter sua decisão ou mudá-la.

“Messi vai passo a passo. Não asseguro que sim nem assegura que não”, acredita o jornalista Ariel Senosiain, que escreveu “Messi: o Gênio Incompleto”, uma das muitas biografias sobre o atleta eleito sete vezes o melhor do mundo.

Na Argentina, não existe um clamor popular por ele, tampouco uma cobrança para que adie sua aposentadoria da seleção e esteja nos Estados Unidos, México e Canadá. O que há é um desejo geral para que isso aconteça, com o reconhecimento de que o ídolo de uma nação toda já fez muito pelo país, incluindo o esforço para “incorporar” Maradona no Catar. “Pessoalmente, acho que ele vai jogar. Ele está em condições de jogar”, opina ao Estadão o jornalista Sebástian Fest, autor do livro “Messiánico”, que coloca Messi acima de Pelé e Maradona.

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Com título da Copa do Mundo, Messi disse ter cumprido sua missão Foto: Martin Meissner/AP

Sinais ambíguos

Messi pediu para ser substituído da partida contra o Equador, algo raríssimo em sua carreira, sobretudo na seleção argentina. Foi a primeira vez desde a Copa do Mundo de 2014 que ele não completou uma partida com a camisa alviceleste. Deixou o gramado do Monumental de Nuñez ovacionado por 84 mil torcedores aos 43 minutos do segundo tempo. “Estava um pouco cansado. Seguramente, não vai ser a última vez que vou sair durante um jogo”, justificou.

Na avaliação de Ezequiel Fernández Moores, colunista do jornal La Nacion, que acompanha a carreira do jogador desde o seu início, não jogar um jogo completo representa sinais ambíguos. “Por um lado, podemos interpretar com um ‘acostumem-se porque em algum momento vou me aposentar’. Por outro, podemos ver como uma mostra de sabedoria de um atleta que quer se cuidar mais para prolongar a carreira”.

Preparador físico de Maradona de 1983 a 1994 e de Messi na Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, Fernando Signorini diz que o camisa 10 faz movimentos de altíssima intensidade e curta duração, mas que depois é preciso de um tempo de recuperação mais longo para recarregar a energia. Trata-se de um Messi que anda em campo para se renovar e aparenta estar desinteressado do jogo, mas que “escaneia” todo o campo e conhece os atalhos como poucos, um atributo de um gênio difícil de ser decifrado.

Contente nos Estados Unidos, Messi transformou o Inter Miami em um time vencedor Foto: Tim Nwachukwu/AFP

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Messi, cabe lembrar, trocou os xingamentos e cobranças que sofria no Paris Saint-Germain pelo Inter Miami com o desejo de viver um ambiente de menor pressão, após fazer toda carreira profissional na Europa, e também de aproveitar a família. Desde que começou a jogar nos EUA, tem apresentado um futebol dominante e se mostrado à vontade e feliz. Prova disso são seus números: impressionantes 11 gols e cinco assistências em 11 partidas.

Contente fora da Europa, Messi transformou um time perdedor em campeão. E o fato de estar desfrutando de sua liderança madura em Miami suscita o pensamento de que essa renovada versão americana do astro argentino pode fazê-lo rever seus planos, esticar sua estada nos EUA e por lá jogar a Copa de 2026.

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