Programa da ESPN critica CBF, entidade reclama e canal afasta jornalistas por ‘erro de processo’

‘Linha de Passe’ exibido na segunda-feira tratou de escândalos revelados pela ‘Piauí' sem o conhecimento prévio da alta cúpula do canal, que foi cobrada pela confederação nos bastidores

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Foto do autor Rodrigo Sampaio
Foto do autor Gustavo Faldon
Foto do autor Marcel Rizzo
Atualização:

A edição de segunda-feira, 7, do programa “Linha de Passe”, da ESPN, gerou atrito entre a emissora e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A atração foi marcada por críticas à gestão de Ednaldo Rodrigues. Como resultado, seis jornalistas foram chamados para uma reunião com a alta cúpula do canal e não foram ao ar nesta terça. A informação foi divulgada pelo Uol e confirmada pelo Estadão.

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O programa em questão discutiu a reportagem da revista Piauí que revelou, entre outros escândalos, o aumento do salário dos presidentes de federações em mais de 200% e gastos de R$ 3 milhões com um grupo de 49 pessoas sem relação direta com a entidade durante a Copa do Mundo do Catar.

Segundo apurou o Estadão, a ESPN tratou o caso como um “erro de processo”. Isso porque o “Linha de Passe” temático sobre a crise da CBF não foi avisado anteriormente à cúpula da emissora, que ficou sabendo apenas quando foi cobrada pela entidade sobre o assunto do programa.

Programa 'Linha de Passe', da ESPN, gerou crise nos bastidores com a CBF após críticas à entidade. Foto: Reprodução/ESPN

A CBF ficou sabendo do “Linha de Passe” temático por meio de uma publicação de Gian Oddi no X (antigo Twitter), no domingo, quando o jornalista falou que a atração iria falar sobre o tema. Na segunda-feira, a entidade procurou a ESPN e a emissora negou a informação de que o programa seria um especial sobre as informações divulgadas pela Piauí.

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No dia seguinte à exibição, na terça-feira, o elenco do programa dentro e fora das telas, formado pelo editor-chefe do “Linha de Passe”, Dimas Coppede, o apresentador William Tavares e os comentaristas Paulo Calçade, Pedro Ivo Almeida e Vitor Birner, conversou com a alta cúpula da emissora, que falou sobre o caso e apontou o erro no processo de exibição da edição especial.

A reportagem apurou que outros setores da ESPN, como por exemplo os departamentos de marketing e comercial, não estavam cientes sobre a temática do programa exibido na segunda-feira.

Não houve, no entanto, uma suspensão dos profissionais em questão, já que não teve nenhum procedimento legal em carteira de trabalho ou dedução de salário pelos dias fora do ar. Apesar de os envolvidos não estarem no ar deste terça-feira, eles estão escalados normalmente ao longo da semana no próprio “Linha de Passe” e em transmissões top da emissora, como jogos da Libertadores.

Oddi usou suas redes sociais na tarde desta quarta para confirmar o afastamento e dizer que voltará ao lado dos demais colegas de bancada a participar do programa na quinta-feira. “Vamos poder continuar falando as coisas da maneira como sempre falamos. Se não fosse para ser assim (com liberdade), não voltaria”, afirmou o jornalista.

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A ESPN informou que não vai se manifestar sobre o caso. O Estadão procurou os demais jornalistas envolvidos na polêmica. Os profissionais responderam que também não vão falar sobre o assunto. Por sua vez, a CBF disse que a informação “não procede” e que “respeita a liberdade de imprensa com responsabilidade e não pede interferências de nenhum tipo na linha editorial de veículos de comunicação. Qualquer narrativa diferente desta é mentirosa e leviana.”

Recentemente, a ESPN fechou um acordo para a transmissão da Série B do Campeonato Brasileiro até 2027 por R$ 48 milhões por ano, segundo revelou o colunista do Estadão, Marcel Rizzo. Apesar do torneio ser da CBF, ela não participou da venda dos direitos de transmissão da competição, ficando a cargo da Libra e LFU.