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Brasileiro quer aprender a cuidar melhor do dinheiro

O aumento da renda da população nos últimos anos fez com que as pessoas dessem mais importância para poupar e investir. E o caminho para se educar nessa área são os livros sobre finanças, cujas vendas crescem continuamente

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Por Redação
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 SUZANE G. FRUTUOSO Depois de experimentar o prazer das compras, o brasileiro começa a compreender a importância de poupar e investir. A estabilidade econômica alcançada pelo País nos anos 2000 impulsionou a venda de livros de investimentos e finanças pessoais. A crise de 2008 freou essa tendência, mas com o reaquecimento do consumo, as obras do segmento voltam a chamar a atenção. Estudo do Instituto Data Popular, com cinco mil entrevistados, mostra que 45% da classe média não entende notícias sobre economia. Para 56% é muito difícil guardar dinheiro. O assistente de logística Bruno de Souza, de 24 anos, faz parte dessa turma. "O que ganho, gasto. Sinto-me angustiado com essa situação. Tenho que me organizar porque quero construir um patrimônio", diz Souza. É aí que esse tipo de literatura conquista o público, como ocorreu com analista de sistemas Agnaldo Almeida, de 47 anos. "Tomei gosto e aprendi a investir no Tesouro Direto, na Bolsa e a mexer na mesada das minhas filhas de um jeito que mostrasse a elas a importância de poupar". Na Livraria Cultura, por exemplo, a procura aumentou 40%, em média, nos últimos dois anos. Segundo Ricardo Schil, gestor de compras da empresa, os 700 títulos da Cultura representam 8% das vendas. "Quem compra essas obras tem entre 30 e 40 anos, cresce na carreira e pensa bastante no futuro", diz. Os livros são um caminho para iniciar o contato com o mundo das finanças, afirma o economista Marco A. Laes, da LCA Consultores. "Com a melhor distribuição da renda, uma grande parcela da população passou a enfrentar questões com as quais nunca tinha se deparado: financiamentos para adquirir uma casa, empréstimos para um negócio próprio ou o que fazer com o dinheiro que sobrou no fim do mês", diz. São pessoas que, no geral, não tiveram educação financeira. Na Editora Sextante, o livro Os Segredos da Mente Milionária vendeu 120 mil exemplares no primeiro semestre deste ano ante 90 mil em todo 2011. A venda de livros de negócios também aumentou no Grupo Record. A empresa criou o selo Best Business há quase dois anos e já lançou 21 títulos. Um dos sucessos da Record é A Saga Brasileira, de Miriam Leitão, que vendeu 8 mil exemplares desde o lançamento em maio. A obra aborda a história econômica recente do País, mostrando o quanto sofremos até a estabilização da moeda.  Hoje, a ideia do planejamento a longo prazo é absorvida com mais facilidade. "A nação está envelhecendo. As pessoas notam a importância de criar uma cultura de poupança e investimentos", diz Marcos Pereira, sócio da Sextante.  "O brasileiro está lendo mais. O que pode mudar são as mídias", diz Igdal Parmes, diretor geral da Campus/Elsevier. Na Campus, praticamente todos os lançamentos já chegam tanto em livro como em e-book. É também da editora a coleção Expo Money, lançada em 2007, com 29 títulos no catálogo. Os livros, porém, só ensinam o caminho das pedras. O leitor deve saber que não há fórmula mágica para enriquecer. "Se alguém disser que existe atalho para ficar rico que não seja trabalho duro e planejamento cuidadoso, provavelmente não contaria para ninguém", diz Laes.    Veja mais depoimentos de leitores sobre livros sobre finanças.

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