O mundo da bola e o futebol pelo mundo

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O pacto de Abel no Palmeiras tem um novo nome: Paulinho

Ligeiro favoritismo carioca antes do apito inicial nos EUA se dissipa em jogo dominado pelo time paulista e decidido pelo camisa 10

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Foto do autor Mauro  Beting
Atualização:

Há menos de um ano, o Botafogo que “nunca” mais ganharia “nada” depois de ter sublimado no returno do Brasileirão de 2023, superou o Palmeiras “favorito” e líder no Allianz Parque e encaminhou de modo sublime o primeiro título nacional desde 1995 com uma vitória histórica.

Há quase um ano, o Botafogo eliminou o Palmeiras nas oitavas da Libertadores estoicamente conquistada, mas quase perdida em outro final alucinante contra o rival paulista, em agosto. Há mais de um ano, o Botafogo que fez 3 a 0 e podia ter feito muito mais no Palmeiras no primeiro tempo no Nilton Santos, podia ter feito 4 a 1 aos 37 da segunda etapa, e levou a virada antológica em 16min31s mágicos da equipa de Abel e de Endrick.

Paulinho entrou no decorrer da partida para garantir a vitória do Palmeiras sobre o Botafogo. Foto: Franck Fife/AFP

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Há quase 53 anos, a Segunda Academia de Dudu e Ademir da Guia, rima que era seleção, conteve o Furacão de Jairzinho e ganhou o Brasileiro de 1972. Repetindo o feito e o show do Divino, no jogo decisivo do Robertão de 1969.

História e glória, Palmeiras e Botafogo têm antes de Leila e Textor brigarem entre si, de comandarem muito bem os clubes pelos quais nem torciam ou sabiam alguma coisa. Algo bem futebol. Esse esporte em que, há quase 22 anos, Palmeiras x Botafogo disputavam o título da Segundona dos infernos, em 2003. A mesma divisão onde há apenas quatro anos o Fogão batalhava para virar mais uma vez fênix e renascer das cinzas (como as meias) para virar esse furacão (como Jair) e fazer a campanha estelar (como o escudo) em 2024.

Palmeiras e Botafogo exemplares antológicos como o Santos na Era de Ouro do nosso jogo. Exemplos atuais de recuperação e superação. Cartilhas e cartolas a serem seguidos pelo que há de bom e mesmo de limitado no futebol deste século. Botafogo que conseguiu a proeza de vencer o melhor time do mundo nas melhores semanas em 55 anos de PSG. Palmeiras que foi o primeiro do grupo sem jogar toda essa bola.

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Mas o clássico iguala os desiguais. O que era ligeiro favoritismo carioca antes do apito inicial nos EUA vira outro jogo. Pelo que rolou até então, não teria pontapé inicial: o Botafogo deixaria a bola para o Palmeiras ficar com ela; o Verdão daria o privilégio ao Fogão.

O primeiro tempo foi de quem propôs mais. O Palmeiras chegou apenas três vezes. O Botafogo teve boa escapada que Marlon Freitas chutou quase na linha lateral. Na segunda etapa, o Palmeiras foi ainda melhor e criou mais, mesmo com a saída incompreensível de Estêvão. O Fogão jogou ainda menos no forno da Filadélfia.

Na prorrogação, o Palmeiras fez em 30 minutos o que merecia nos 90 iniciais. O pacto de Abel tinha um novo nome. Paulinho.

Opinião por Mauro Beting

Comentarista SBT, TNT, Xsports, N Sports e BandNews FM. Escritor e documentarista. Curador do Museu Pelé e do Museu da Seleção Brasileira.