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Futebol, seus bastidores e outras histórias

Opinião|Choro de alegria de Moscardo ao saber de sua convocação para a seleção olímpica mexe com todos nós

Garoto de 17 anos tem a informação no intervalo do jogo entre Corinthians e Palmeiras, seu primeiro dérbi da carreira no profissional, e não perde a concentração no Corinthians nem o respeito ao Palmeiras

Foto do author Robson Morelli
Atualização:

O choro de Moscardo é uma dessas cenas que marcam a gente no futebol. O garoto de 17 anos não se conteve de alegria, e chorou, ao saber de sua convocação para a seleção brasileira olímpica, que fará uma série de atividades no Marrocos de olho nos Jogos de Paris. Ele soube que seu nome estava na lista de Ramon Menezes no dia mais importante de sua carreira, como ele mesmo disse no intervalo do dérbi entre Corinthians e Palmeiras. Com uma frase, agradou tanto corintianos quanto palmeirenses.

Reconheceu a importância do duelo na Neo Química Arena e mostrou respeito à história e tradição do adversário.

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Gabriel Moscardo é um menino diferente, não somente pelo que faz no meio de campo desde que Vanderlei Luxemburgo olhou para ele e o ‘descobriu’ na base do clube. Em nada ele lembra os garotos de sua idade, mais expansivos quando o sucesso bate à porta, cheios de manhas e manias, de sorriso mais fácil e boa vida.

Moscardo parece estar sempre tenso, sabedor de suas responsabilidades em vestir a camisa do Corinthians, em cuidar de um setor do time que não existia e que era presa fácil para os rivais na temporada. É estudante e mais caladão. Joga com seriedade, sem maldade, sem falar com a arbitragem. Joga no Corinthians desde pequeno, mas ainda parece um aprendiz de suas tarefas.

Gabriel Moscardo, volante do Corinthians de apenas 17 anos, ganha oportunidade na seleção olímpica Foto: Rodrigo Coca / Agência Corinthians

Ele dedicou a convocação aos pais pelo esforço da família em ajudá-lo a realizar seu sonho de ser jogador. O inusitado de suas declarações foi que elas foram dadas no intervalo de um clássico, seu primeiro, com casa cheia em Itaquera. Imagina a cabeça do menino ao ser informado? Mesmo assim, ele próprio tratou de fazer a leitura que somente os mais experientes poderiam fazer, a de não se deixar levar pela alegria e esquecer do seu trabalho no segundo tempo. “Tenho de me concentrar”, disse.

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Sua alegria é a de um menino apaixonado pelo que faz e que muito precocemente começa a colher os frutos do esforço. Do seu esforço. Aos 17, ele sabe que nada chegou por acaso em sua vida, nem por falta de empenho. Esses meninos da base, de qualquer clube, entregam suas adolescências ao trabalho, alguns remunerados, outros apenas com ajuda de custo. Enquanto todos os outros colegas estão curtindo a vida, pensando em namorar e conhecer gente, o atleta amador se dedica aos treinos em dois períodos, em acordar cedo e se empenhar aos exercícios físicos e correr atrás de uma bola. Tem de ter muita força de vontade. Isso vale para Moscardo, mas para todos esses atletas que tentam a sorte no futebol.

O volante do Corinthians e, agora também, da seleção brasileira tem um futuro que se abre a seus pés, até com ofertas de clubes da Inglaterra, o centro do mundo no futebol atual. Tomara consiga seus objetivos e nunca esqueça quem ele é e de onde ele veio.

Opinião por Robson Morelli

Editor geral de Esportes e comentarista da Rádio Eldorado

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