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Xadrez 960, a revolução ‘freestyle’ impulsionada pelo astro Magnus Carlsen

Melhor enxadrista da última década dá um passo para inovar em direção a um jogo mais criativo

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Por Redação
Atualização:

AFP - Aborrecido com o circuito clássico e apoiado por um mecenas alemão, o norueguês Magnus Carlsen, o melhor jogador de xadrez da última década, deu um passo para inovar em direção a um jogo mais criativo, a variante 960 ou “freestyle”.

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Juntamente com o empresário alemão Jan-Henric Buettner, Carlsen, de 33 anos, quer trazer para o centro do debate uma variante do jogo, o xadrez 960, ou xadrez freestyle, do qual o lendário xadrezista americano Bobby Fisher era um grande admirador.

No xadrez 960, as regras para o movimento das peças são idênticas, mas a posição inicial é escolhida por sorteio antes do jogo de entre 960 combinações possíveis, o número que dá o nome a esta variante do jogo.

Existem, no entanto, algumas regras para a formação dos combates: os peões são alinhados como no xadrez tradicional, na segunda fila, à frente das outras peças; o rei deve ser colocado entre as duas torres; de cada lado, os bispos devem ser colocados em casas de cores diferentes; e a posição das pretas e das brancas é simétrica.

Com 960 possibilidades de partida, é inútil memorizar as aberturas de cada jogo, como acontece no xadrez clássico, onde cada possibilidade com as suas variantes está gravada na memória dos grandes xadrezistas.

Magnus Carlsen quer promover revolução 360 no xadrez Foto: Magnus Carlsen via Instagram

Com estes ingredientes, os organizadores prometem jogos mais criativos desde o início, abertos, com mais erros e reviravoltas inesperadas.

Esta variante “é uma pequena revolução”, disse à AFP o jogador georgiano Keti Tsatsalashvili. “Põe no ar todas as teorias do jogo que aprendemos, é interessante, mas também difícil para nós sairmos da nossa zona de conforto”, acrescenta.

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Se a variante for bem sucedida, poderá transformar o mundo do xadrez da mesma forma que a crescente relevância do jogo na Internet o fez desde a pandemia de covid-19, com o surgimento de torneios online com prémios monetários mais avultados.

O exemplo do ATP

Mas a variante 960 não é a única inovação que Carlsen trouxe ao seu desporto: os torneios são disputados em duas metades, com eliminatórias, finais eliminatórias e tempo de jogo reduzido.

O norueguês, que conta com 17 títulos de campeão do mundo em várias modalidades, há muito que critica os formatos atuais, especialmente os jogos longos para o título mundial mais prestigiado.

Carlsen renunciou voluntariamente ao título mundial de 2022 e recusou-se a participar no torneio de candidatos que deverá nomear, em abril, o desafiante a vencer o seu sucessor, o chinês Ding Liren.

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Para levar a cabo a sua revolução, Carlsen convidou, em fevereiro, oito dos melhores jogadores do mundo para um torneio de 960 em Weissenhaus, na Alemanha, numa luxuosa propriedade do seu patrono.

Em meados de março, Carlsen entrou na velocidade máxima e anunciou um circuito com cinco torneios entre o final de 2024 e 2026. Os 25 melhores jogadores ativos do ranking mundial foram convidados e responderam favoravelmente, sem dúvida atraídos pelo prémio monetário, muito superior ao dos torneios clássicos, com a ambição de atingir um milhão de dólares em jogo nas fases finais da competição.

O objetivo é torná-lo “comercialmente tão bem sucedido como o ATP para o ténis”, declarou o patrocinador alemão em comunicado.

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Federação é expectadora

A iniciativa surge fora do circuito oficial gerido pela Federação Internacional de Xadrez (FIDE). “Telefonei várias vezes a Jan-Henric Buettner e começámos com uma boa base para, espero, uma futura cooperação. Ainda estamos a falar”, disse o presidente da FIDE, Emil Sutovsky, à AFP. “É bom ter novas energias, isso faz toda a gente avançar”, acrescentou.

Apesar dos meios, tanto financeiros como técnicos, o xadrez freestyle ainda não se impôs entre os adeptos. “Ao ver uma competição de 960, até eu tive dificuldade em acompanhar”, admite Keti Tsatsalashvili, uma das 100 melhores jogadoras do mundo.

“Penso que o jogo é mais complicado, o que pode excluir os principiantes”, confirma Kevin Bordi, apresentador do primeiro canal de xadrez em França na Internet, o Blizstream.

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