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Entrevista com Elon Musk viraliza com legendas falsas para elogiar motociata em SP

Em vídeo, bilionário falava sobre fábrica da Tesla na Alemanha; conteúdo não tem relação com ato organizado por apoiadores de Bolsonaro

Por Gabi Coelho
Atualização:

Nas redes sociais, simpatizantes do presidente Jair Bolsonaro (PL) tiraram de contexto um vídeo do empresário Elon Musk ao lado do político alemão Armin Laschet. O material afirma que o bilionário elogiava a motociata organizada no dia 15 de abril, em São Paulo, com participação do presidente. A informação é falsa. O conteúdo original é uma entrevista sobre fabricação de carros elétricos da empresa Tesla, da qual Musk é cofundador. O material que viralizou nas redes foi acrescido de legendas falsas. 

 

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Até a data de publicação desta reportagem, o vídeo com legendas falas acumulava mais de 22 mil interações nas redes sociais, segundo a plataforma CrowdTangle. Ao analisar as imagens com a ferramenta InVID, foi possível identificar que a fala de Musk foi publicada pela agência de notícias Reuters, no dia 13 de agosto de 2021.

O post viral apresenta legendas traduzidas do inglês para o português erroneamente. O vídeo atribui ao empresário falas sobre a motociata como um ato "lotado de motos" e não "um deserto". Na verdade, a pauta central da conversa era a expectativa da Tesla em fabricar os primeiros carros em sua 'megafábrica' em Grünheide, município próximo a Berlim, na Alemanha

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Segundo a Reuters, a fábrica está localizada em uma zona de proteção de água potável e faz fronteira com uma reserva natural. Quando questionado sobre as preocupações com a água, o empresário foi taxativo. "Esta região tem tanta água, olhe ao seu redor. Tem água em todos os lugares aqui. Isso parece um deserto para você? Chove muito", comentou o bilionário. Esta fala é a mesma tirada de contexto para ser usada como elogio à motociata organizada por bolsonaristas na capital paulista. 

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Recentemente, outro boato em que o empresário teria dito que o ato em defesa do presidente foi "o maior do planeta" foi desmentido pela Agência Lupa


Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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