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É falso que governo Lula tenha apresentado proposta para acabar com o Bolsa Família

Vídeo viral ainda engana ao afirmar que valor do benefício caiu de R$ 600 para R$ 400 por decisão do petista; redução no valor foi proposta por Bolsonaro para o orçamento de 2023

Por Clarissa Pacheco
Atualização:

É falso um vídeo que viralizou no Instagram afirmando que o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria acabado com o Bolsa Família. O conteúdo retira de contexto o trecho de uma fala do vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB) durante uma entrevista coletiva no dia 16 de novembro sobre a PEC da Transição. Alckmin dizia que a proposta era excluir o Bolsa Família da regra do teto de gastos, e não acabar com o programa. O corte na fala, contudo, faz parecer que o novo governo estava propondo o fim do benefício e deixando a decisão nas mãos do Congresso. O conteúdo ainda inseriu um texto sobre a imagem afirmando que o valor do benefício já tinha caído de R$ 600 para R$ 400 e que agora seria excluído, o que é mentira.

 Foto: Estadão

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No vídeo, que acumula mais de 400 mil visualizações e 23 mil curtidas no Instagram, aparece um pequeno trecho da fala de Geraldo Alckmin: "Nós trouxemos uma proposta que não tem prazo. Ela tem um princípio que é a exclusão do Bolsa Família, ponto. Cabe ao Senado e à Câmara discutir". Na legenda do post, o autor do conteúdo ironiza os eleitores petistas, principalmente os nordestinos: "E aí, povo que mora Nordeste, vão fazer o que agora?".

O conteúdo completo da entrevista de Alckmin está disponível no YouTube da Câmara dos Deputados e tem pouco mais de 10 minutos de duração. O Bolsa Família é abordado logo nos primeiros segundos de fala. Diferentemente do que aparece no vídeo viral, a proposta apresentada pela PEC da Transição não é acabar com o Bolsa Família, e sim excluir o programa do teto de gastos, sem prazo definido. Com o Bolsa Família de fora da regra, o governo poderia pagar o benefício no valor de R$ 600, além dos R$ 150 por criança com menos de seis anos de idade.

A fala de Alckmin sobre o Bolsa Família começa da seguinte forma:

"Entregamos uma proposta para que o Legislativo Federal, Câmara e Senado, possam analisá-las. Em resumo, o que ela faz? Ela retira do teto o Bolsa Família: os R$ 600 e os R$ 150 por criança com menos de seis anos de idade. E o cuidado com o social, combater a fome, erradicar a pobreza e atender as crianças. Os estudos mostram que as famílias com criança pequena são aquelas que estão mais empobrecidas e onde a privação alimentar é maior. Não tem como fracionar, né, então você tem uma mãe às vezes com três crianças, é o mesmo valor, R$ 600, do que se fosse só um adulto. Então, nós estamos retirando do teto o Bolsa Família e as crianças até seis anos de idade", diz ele, a partir dos 32 segundos de vídeo.

O assunto é mencionado mais uma vez a partir do minuto 6:18, quando Alckmin responde a uma pergunta de uma jornalista sobre ter ou não discutido com o presidente da Câmara, o deputado Artur Lira (PP-AL), sobre o prazo para que o Bolsa Família fique fora da regra do teto de gastos. É esta resposta de Alckmin que aparece no vídeo viral. Ele responde: "Não. Nós trouxemos uma proposta que não tem prazo. Ela tem um princípio que é a exclusão do Bolsa Família, ponto. Cabe ao Senado e à Câmara discutir", conclui.

Redução do benefício para R$ 405 foi proposta por Bolsonaro, não por Lula

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O texto inserido sobre a imagem, assim como a legenda do vídeo, afirma que, com Lula, o valor do benefício do Auxílio Brasil - que se chamará Bolsa Família - foi reduzido de R$ 600 para R$ 400, o que é falso. O Estadão Verifica já desmentiu conteúdos parecidos que atribuíam ao petista a redução de benefícios sociais.

A proposta de que o valor pago pelo Auxílio Brasil - ou Bolsa Família - seja de R$ 405 foi apresentada pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), e não por Lula, quando enviou o Projeto de Orçamento de 2023 ao Congresso Nacional, em 31 de agosto. Os R$ 600 pagos atualmente seguiriam, portanto, apenas até dezembro de 2022.

Uma das promessas de campanha de Lula foi pagar os R$ 600 do benefício. Por isso, a PEC da Transição, cuja minuta foi apresentada por Alckmin no dia 16 de novembro, quer excluir o Bolsa Família do teto de gastos, já que seriam necessários cerca de R$ 200 bilhões para expandir despesas que não foram previstas no orçamento proposto por Bolsonaro.

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