Escreve toda semana sobre temas políticos, econômicos e diplomáticos da América Latina e dos Estados Unidos

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Trump e suas batidas anti-imigração vão arruinar a Copa do Mundo de 2026 nos EUA?

Política migratória de Trump, que já prejudicou setores como agricultura e construção civil, pode custar bilhões de dólares em receitas perdidas no campeonato mundial de futebol

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Foto do autor Andrés Oppenheimer

As batidas policiais do presidente Donald Trump já duplicaram as deportações na maioria dos Estados americanos, afetando vários setores importantes.

Agora, elas ameaçam arruinar a Copa do Mundo da FIFA do próximo ano em Miami e em outras 10 cidades americanas, o que pode custar bilhões de dólares em receitas perdidas.

Política anti-imigração de Donald Trump ameaça Copa do Mundo de 2026; Estados Unidos é uma das três sedes do torneio Foto: Anna Rose Layden/NYT

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As prisões indiscriminadas da Polícia de Imigração e Controle Alfandegário (ICE) estão gerando alarme na indústria hoteleira, agências de viagens e companhias aéreas que se preparam para o campeonato da FIFA.

A Copa do Mundo, que será realizada simultaneamente no México, Estados Unidos e Canadá, pode atrair mais de 6 milhões de visitantes apenas para os Estados Unidos. No entanto, a Associação de Viagens dos Estados Unidos e outros grupos do setor temem que muitos visitantes decidam não viajar por medo de serem detidos por agentes de imigração ou devido aos complicados trâmites consulares implementados recentemente.

“Estamos muito preocupados”, disse à ESPN o diretor executivo da Associação de Viagens dos Estados Unidos, Geoff Freeman, referindo-se à Copa do Mundo de 2026.

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Uma coalizão de organizações comunitárias organizou um protesto em frente aos escritórios da FIFA em Miami em 30 de junho, instando o governo Trump a se abster de uma “aplicação excessiva das leis de imigração” durante o campeonato. Além disso, grupos de direitos humanos como a Anistia Internacional e a Human Rights Watch enviaram cartas à FIFA exigindo que os participantes do evento fossem protegidos contra batidas policiais.

Um dos episódios que causou grande alarme foi a batida da Guarda Costeira em 11 de junho durante uma festa em um barco alugado pela rede Telemundo em Miami. O evento celebrava, junto com executivos da FIFA e autoridades locais, os preparativos para a Copa do Mundo de 2026.

Agentes da Guarda Costeira e da patrulha de fronteira abordaram o barco e solicitaram aos passageiros comprovantes de residência legal, segundo testemunhas. A prefeita do condado de Miami-Dade, Daniella Levine Cava, que estava a bordo, classificou a inspeção como “profundamente preocupante”.

Um porta-voz da Guarda Costeira esclareceu posteriormente que “não se tratava de uma questão de imigração”, mas de uma inspeção de rotina. Mas, independentemente de sua intenção, a operação funcionou como um controle migratório.

Quem não acompanha as notícias pode acreditar que a cruzada de Trump contra os imigrantes é apenas retórica ou que visa apenas “criminosos estrangeiros violentos”, como ele tem repetido. Nenhuma das duas afirmações é verdadeira.

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As prisões por motivos migratórios mais que dobraram em 38 estados — incluindo Flórida e Geórgia — desde que Trump assumiu o cargo, de acordo com um novo estudo da Faculdade de Direito da Universidade da Califórnia em Berkeley.

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Quanto à sua afirmação de que prende principalmente criminosos violentos, os dados oficiais mostram o contrário.

Desde a primeira semana de maio, as prisões de pessoas sem antecedentes criminais aumentaram 250%, de acordo com uma investigação da CBS News. Apenas 8% dos indocumentados presos desde 20 de janeiro tinham condenações por crimes violentos.

Por que Trump persegue imigrantes sem documentos que, em muitos casos, contribuem para a sociedade e realizam trabalhos que os americanos não querem fazer? Ele faz isso para agradar os setores mais racistas e xenófobos de sua base política e para desviar a atenção pública da economia, que não está indo bem.

O crescimento econômico dos Estados Unidos desacelerou para uma estimativa de 1,4% para este ano — aproximadamente metade da taxa do ano passado — desde que Trump iniciou sua guerra tarifária. Além disso, o dólar americano se desvalorizou mais de 10% em relação a outras moedas, a maior queda em mais de 50 anos.

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A obsessão de Trump em deportar indocumentados, independentemente de suas contribuições para a economia ou a sociedade, já havia prejudicado setores como a agricultura e a construção civil. Agora, ele ameaça arruinar a Copa do Mundo da FIFA de 2026, com um enorme custo financeiro para o país.

Isso é populismo em sua máxima expressão!

Opinião por Andrés Oppenheimer

Andrés Oppenheimer foi considerado pela revista Foreign Policy 'um dos 50 intelectuais latino-americanos mais influentes' do mundo. É colunista do The Miami Herald, apresentador do programa 'Oppenheimer Apresenta' na CNN em Espanhol, e autor de oito best-sellers. Sua coluna 'Informe Oppenheimer' é publicada regularmente em mais de 50 jornais