Czar da fronteira da Casa Branca defende luvas de choque elétrico do ICE

Tom Homan diz que ferramenta pode evitar que agentes usem força letal; governo Trump prevê gastar até US$ 20 milhões na compra dos equipamentos

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Por Redação

Agente do ICE aponta arma e xinga mulher nos EUA: 'Vou te prender'; veja VÍDEO

Carolina Molina disse que gritou um insulto para o agente antes do incidente, diz ABC News. Crédito: @PopularFront_ via X

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O czar da fronteira da Casa Branca, Tom Homan, defendeu o plano do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) de equipar agentes com luvas capazes de aplicar choques elétricos dolorosos. Segundo ele, o dispositivo pode ajudar os agentes a encerrar confrontos sem recorrer à força letal.

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“É outro dispositivo para ajudar alguém a obedecer quando não está obedecendo”, disse Homan nesta quinta-feira, 13, em entrevista ao programa Fox & Friends, da Fox News. “Você não pode simplesmente ir de 0 a 100, certo, e a primeira coisa que você busca é a força letal.”

As declarações de Homan são a primeira defesa pública do governo de Donald Trump ao plano do ICE de gastar até US$ 20 milhões (cerca de R$ 104 milhões) na compra de milhares de “dispositivos condutores de distração e de desescalada” para policiais e agentes.

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Conhecidos como G.L.O.V.E., sigla em inglês para Generated Low Output Voltage Emitter (Emissor Gerador de Baixa Voltagem), os equipamentos são fabricados pela empresa Compliant Technologies LLC e vêm sendo utilizados nos últimos anos por algumas penitenciárias e departamentos de polícia.

A iniciativa provocou fortes críticas de grupos de defesa dos direitos civis, democratas no Congresso e especialistas em uso da força. Eles afirmam que agentes do ICE têm recorrido à força com rapidez excessiva durante a ofensiva do presidente Donald Trump contra a imigração ilegal.

Luva causa dor intensa, que cessa assim que o dispositivo deixa de tocar a pele, diz diretor de penitenciária Foto: Reprodução/Compliant Technologies LLC

Desde o ano passado, pelo menos seis pessoas foram baleadas e mortas por agentes de imigração, incluindo motoristas mortos no mês passado no Maine e no Texas.

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Homan argumentou que as luvas poderiam ajudar a evitar confrontos desse tipo. Segundo ele, o equipamento ofereceria aos agentes do ICE mais uma opção de menor potencial letal, semelhante a armas de choque e spray de pimenta, para situações potencialmente violentas nas ruas e em centros de detenção.

Homan afirmou que ainda “vai demorar” até que as luvas sejam utilizadas em operações de campo, pois a agência ainda trabalha em protocolos de treinamento e outras regras para o uso do equipamento.

Onde as luvas são usadas nos EUA?

Em Bardstown, Kentucky, o diretor da prisão do Condado de Nelson, Justin Hall, disse na quinta-feira que sua agência começou a usar as luvas há quatro anos para tentar obter a cooperação de detentos que estão fora de controle. Ele afirmou que, ao contrário das armas de eletrochoque, os choques não incapacitam as pessoas, não as fazem cair e não deixam marcas de contato ou queimaduras.

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Hall estima ter recebido mais de dez choques durante treinamentos. Ele descreveu a dor como intensa, mas afirmou que ela cessa assim que as luvas deixam de tocar a pele. Segundo ele, os dispositivos são usados com parcimônia, mas funcionam como um primeiro instrumento de contenção quando as técnicas de desescalada não surtem efeito.

“É apenas uma maneira mais segura. É mais seguro para o detento. É mais seguro para os funcionários. E, na maioria das vezes, conseguimos que eles obedeçam”, afirmou. “Tem sido uma ótima ferramenta para nossa unidade.”

Geoffrey Alpert, professor de criminologia da Universidade da Carolina do Sul que pesquisa há décadas o uso da força e as táticas policiais, afirmou que os dispositivos deveriam ser estudados de forma mais ampla para garantir que as forças de segurança tenham orientações adequadas sobre quando e como utilizá-los.

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Para ele, o ICE poderia fazer um investimento mais prudente começando com uma compra menor, diante do pouco conhecimento disponível sobre o equipamento.

“Você está distribuindo isso em larga escala para um grupo de agentes que talvez não tenha treinamento em outras estratégias, como técnicas de desescalada, ou em formas de interagir com o público que não envolvam ações de fiscalização, como ocorre com a maioria dos policiais locais”, afirmou.

“Em algum nível, o erro do usuário é quase previsível. A tecnologia pode ser boa, mas vamos parar por um momento e garantir que ela seja usada de maneira adequada, de acordo com os procedimentos e práticas corretos.” / AP

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