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Brasileiro que deteve ataque com faca em Dublin diz que não se considera um herói

Caio Benício trabalha com entregas na Irlanda e estava passando pelo local quando homem atacou cinco pessoas na saída de uma escola; ‘vaquinha’ em sua homenagem já arrecadou R$ 1,93 milhão

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Por Redação

Caio Benicio, o entregador brasileiro chamado de herói por ajudar a deter um agressor em Dublin, disse à AFP no sábado, 25, que agiu “como qualquer pai faria”. Benicio, um carioca que vive na Irlanda, deteve um homem armado com faca que atacou três crianças e dois adultos na saída de um colégio na quinta-feira, 23.

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Ao jornal Irish Times, o brasileiro, que trabalha para o aplicativo de entrega de comida Deliveroo, contou que estava passando pelo local do ataque quando viu o que acreditou que fosse uma briga. “No começo pensei que fosse uma briga normal, mas depois percebi que havia uma garotinha envolvida. Eu vi um homem tentando puxar a menina e uma mulher tentando puxar a menina também. Descobri que ela era professora”, disse ele ao jornal irlandês.

Benicio conta que desacelerou sua moto para ver o que estava acontecendo e então enxergou um homem com uma faca. No mesmo momento, parou a moto e tentou deter o agressor. “Usei meu capacete como arma para detê-lo. Ele caiu no chão. As pessoas começaram a chorar.”

Uma criança de cinco anos sofreu feridas graves e permanece hospitalizada após o ataque com arma branca, que desencadeou a pior noite de distúrbios na capital irlandesa, Dublin, em quase duas décadas.

As autoridades afirmam que informações não confirmadas que circulavam nas redes sociais, segundo as quais as facadas haviam sido desferidas por um “imigrante ilegal”, acabaram ocasionando distúrbios, nos quais veículos foram queimados e lojas foram saqueadas.

O primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar, elogiou Benicio, de 43 anos, e outros pedestres que intervieram, qualificando-os como “autênticos heróis irlandeses”. Nesta segunda-feira, 27, o brasileiro publicou em suas redes sociais uma foto ao lado do premiê irlandês. “Foi uma grande honra conhecer o primeiro-Ministro Leo Varadkar e receber uma medalha pelo meu ato de coragem”, escreveu.

Mas mesmo sendo reconhecido nacional e internacionalmente pelo seu feito, Benicio - pai de um menino de 12 anos e de uma adolescente de 19 - disse que não se considera “um herói”, enquanto voltava para visitar a cena do terrível ataque em Dublin.

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“Sou pai. Tenho dois filhos. Acredito que todos os pais fariam o mesmo”, afirmou em relação à sua ação improvisada. “É algo em que não se pensa, você (simplesmente) age”, destacou.

Segundo o Irish Times, depois que seu restaurante pegou fogo no Rio de Janeiro há alguns anos, ele se mudou para Dublin para trabalhar em dezembro de 2022. O piloto brasileiro da Deliveroo disse que não tem planos de trazer seus filhos para a Irlanda.

Benicio olha flores colocadas no local do ataque de 23 de novembro em frente a uma escola na Parnell Square East, em Dublin. Foto: Peter MURPHY/AFP

“Vaquinha” online

Uma campanha online em favor do brasileiro arrecadou quase 360 mil euros (cerca de R$ 1,93 milhão) até a manhã desta segunda, 27.

“O homem é um herói e o mínimo que podemos fazer é comprar uma cerveja para ele. Então, peço que você doe o preço de uma cerveja Guinness em sua localidade para Caio, para que ele saiba que o povo de Dublin o aprecia”, diz o texto da campanha de arrecadação./Com AFP.

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