Como memes com inteligência artificial abriram um novo front na guerra entre EUA e Irã
Especialistas ouvidos pelo Estadão explicam que o uso potencializado da IA gera uma instabilidade informacional sem precedentes no cenário geopolítico moderno. Crédito: Imagens de apoio: AFP/Edição: Laís Nagayama
O Irã e os EUA estão próximos de um acordo, segundo o ministro iraniano Abbas Araghchi, após tensões causadas por declarações de Donald Trump. A agência Mehr divulgou uma minuta de 14 pontos, incluindo controle do Estreito de Ormuz e liberação de fundos iranianos. Trump negou os termos, chamando os iranianos de 'desonrosos'. O Paquistão, mediador, confirmou um texto final consensual. As negociações visam resolver conflitos após ataques entre Irã, Israel e EUA, com foco no programa nuclear iraniano.
O Irã afirmou, nesta sexta-feira, 12, que um acordo com os Estados Unidos “nunca esteve tão próximo”, depois que Donald Trump chamou as autoridades iranianas de “desonrosas” após a publicação, na imprensa estatal, de uma minuta de entendimento.
A agência iraniana Mehr publicou o que apresentou como uma minuta de um acordo de 14 pontos, que inclui a manutenção do controle sobre o Estreito de Ormuz, o direito ao enriquecimento de urânio e a liberação imediata de US$ 24 bilhões em fundos iranianos congelados no exterior.
“Os termos que o Irã vazou (...) NÃO TÊM NADA a ver com os termos que foram acordados por escrito”, afirmou o presidente dos EUA em sua plataforma Truth Social. “Eles são negociadores muito desonrosos”, acusou.
Após essas declarações, Teerã pareceu tentar acalmar as tensões. “O memorando de entendimento de Islamabad (capital do Paquistão, que está mediando as negociações) nunca esteve tão próximo”, escreveu o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, no X, pedindo à imprensa que não especulasse “sobre seu conteúdo”.
Washington ofereceu uma versão completamente diferente do texto. “Foi isso que eles concordaram”, disse um funcionário americano à AFP. Ele listou cinco pontos:
- “O material nuclear (iraniano) será destruído e removido”;
- “O programa nuclear será desmantelado”;
- “Seus fundos não serão liberados até que cumpram os termos”;
- “O Estreito de Ormuz será aberto”;
- “O Irã não financiará grupos terroristas”.

Donald Trump, que anunciou 39 vezes que um acordo era iminente, segundo uma contagem da CNN, está com dificuldades para encontrar uma saída para esta guerra impopular, desencadeada pelos ataques israelenses e americanos ao Irã em 28 de fevereiro.
Após semanas de negociações árduas, o magnata republicano mencionou na quinta-feira, 11, a possibilidade de assinar um “acordo muito bom” já neste fim de semana. Trump prometeu atacar o Irã “com muita força” naquela noite, mas acabou cancelando os ataques “em vista” do progresso nas negociações.
Essa reviravolta ocorre após a retomada das hostilidades no último domingo, 7, na sequência do lançamento de mísseis iranianos contra Israel em retaliação aos ataques israelenses no Líbano, minando ainda mais a trégua em vigor desde 8 de abril.
Segundo a agência oficial iraniana Irna, o memorando de entendimento não estipula que o Irã abrirá mão do controle do Estreito de Ormuz, uma passagem estratégica para o comércio global de hidrocarbonetos, onde impôs um bloqueio de fato no início da guerra.
A agência também indicou que o programa nuclear iraniano será abordado em 60 dias de negociações com Washington, segundo os termos da minuta do acordo. “Questões como o direito do Irã de enriquecer urânio e a preservação do material enriquecido (...) serão enfatizadas com vistas à sua inclusão no acordo final”, afirmou.
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Paquistão diz que texto final foi alcançado
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, afirmou nesta sexta-feira que o texto final pela paz entre os EUA e o Irã foi acordado.
“Podemos confirmar que um texto final e consensual do acordo de paz foi alcançado e o Paquistão está agora trabalhando em estreita colaboração com ambos os lados para finalizar os próximos passos”, publicou Sharif no Facebook.
Ele marcou os presidentes dos EUA e do Irã, bem como outros líderes de ambos os países. O Paquistão tem mediado as negociações entre os dois lados há meses.
“A paz nunca esteve tão próxima como agora”, disse Sharif. “Em meio aos intensos esforços de mediação em curso por parte do Paquistão, estamos plenamente cientes da incessante campanha de desinformação promovida por aqueles que desejam sabotar o acordo de paz”, acrescentou Sharif. / AFP





