‘Farei todo o possível para acabar com a tirania muito em breve’, diz María Corina ao chegar em Oslo

Líder da oposição da Venezuela falou com a imprensa nesta quinta, 11, em primeira aparição pública desde janeiro. Ela fez uma viagem secreta até a Noruega para poder receber o Prêmio Nobel da Paz

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Por Redação
Atualização:

"Muitas pessoas me chamam de mãe da Venezuela", diz María Corina Machado

Em entrevista à Coluna, em maio, a vencedora do Nobel da Paz falou sobre como é unir o país em meio ao regime de Nicolás Maduro.

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A líder da oposição da Venezuela, María Corina Machado, afirmou nesta quinta-feira, 11, em entrevista coletiva em Oslo, que a “tirania” em seu país acabará “muito em breve”, um dia após se ausentar da cerimônia de entrega do Prêmio Nobel da Paz, evento em que foi representada por sua filha.

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“Vim receber o prêmio em nome do povo venezuelano e o levarei à Venezuela no momento adequado”, disse María Corina, em inglês, no Parlamento da Noruega.

“Não direi quando nem como isso acontecerá, mas farei todo o possível para poder retornar e também para acabar com esta tirania muito em breve”, afirmou, antes de acrescentar que é necessário “terminar o trabalho” para estabelecer a democracia em seu país.

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María Corina Machado fez sua primeira aparição pública depois de mais de 11 meses. Foto: Odd Andersen/AFP

A vencedora do Prêmio Nobel da Paz também agradeceu “a todos os homens e mulheres que arriscaram suas vidas” para que ela pudesse viajar a Oslo. Após uma viagem secreta, María Corina não conseguiu chegar a tempo de participar da cerimônia de entrega do prêmio na capital norueguesa, que acabou sendo recebido por sua filha, Ana Corina Sosa.

A opositora reapareceu em público em meio à crise entre Venezuela e Estados Unidos, que se agravou desde agosto, quando Washington mobilizou uma flotilha naval para, oficialmente, combater o narcotráfico no Caribe e no Pacífico - operação que já causou 87 mortes.

No entanto, o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, acusa Washington de querer derrubá-lo para se apossar do petróleo do país.

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Crítica implacável de Maduro, María Corina saiu para acenar a seus apoiadores da sacada de seu hotel em Oslo, depois das 2h no horário local, recebendo uma ovação. Em seguida, ela cantou o hino nacional da Venezuela com o grupo.

Depois, desceu para cumprimentar apoiadores nas ruas e foi recebida aos gritos de “liberdade” e “corajosa”, além de pedidos de ajuda. Muitos entoavam canções tradicionais com o “cuatro”, instrumento típico venezuelano, e gritavam palavras de ordem por uma “Venezuela livre”.

Esta foi sua primeira aparição pública desde janeiro, quando participou de uma marcha em repúdio à posse de Maduro para um novo mandato presidencial. A visita ao Parlamento da Noruega era um dos primeiros compromissos da agenda oficial de María Corina nesta quinta-feira, que também inclui uma entrevista coletiva, segundo o Instituto Nobel Norueguês.

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‘Lutar por liberdade’

Algumas horas antes, no discurso lido por sua filha durante a cerimônia de premiação na quarta-feira, a líder da oposição fez um apelo para “lutar por liberdade”.

Por sua vez, o presidente do Comitê Norueguês do Nobel, Jørgen Watne Frydnes, enviou uma mensagem ao ditador venezuelano. “Senhor Maduro: você deve aceitar os resultados eleitorais e renunciar ao cargo”, disse Frydnes, sendo interrompido por aplausos.

O discurso de María Corina denunciou “crimes contra a humanidade, documentados pela Organização das Nações Unidas (ONU)” e um “terrorismo de Estado, usado para enterrar a vontade do povo”. “Se queremos ter democracia, devemos estar dispostos a lutar por liberdade”, afirmou.

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María Corina Machado encontrou com apoiadores nas ruas de Oslo. Foto: Odd Andersen/AFP

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Dezenas de venezuelanos exilados, aliados políticos de María Corina e os presidentes de Argentina, Panamá, Equador e Paraguai viajaram à capital norueguesa para a cerimônia.

Não é a primeira vez que um vencedor do Prêmio Nobel da Paz não pode comparecer à entrega. Isso já ocorreu com a iraniana Narges Mohammadi (2023), o chinês Liu Xiaobo (2010) e a birmanesa Aung San Suu Kyi (1991).

No mês passado, o procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, afirmou que a opositora seria considerada uma “fugitiva” caso deixasse o país, onde é acusada de “atos de conspiração, incitação ao ódio e terrorismo”.

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O presidente dos EUA, Donald Trump, apoiador de María Corina, afirmou na quarta-feira que não gostaria que ela fosse detida. “Não seria do meu agrado que ela fosse detida, eu não ficaria feliz”, disse, em resposta a perguntas de jornalistas na Casa Branca.

A professora especialista em América Latina da Universidade de Oslo, Benedicte Bull, destacou que María Corina “corre o risco de ser presa se voltar, embora as autoridades tenham mostrado mais moderação com ela do que com muitos outros, porque uma prisão teria um simbolismo muito forte”.

María Corina passou à clandestinidade após as eleições presidenciais de julho de 2024, que concederam a Maduro um terceiro mandato. Os resultados não foram reconhecidos por EUA, União Europeia e diversos países da América Latina.

A líder da oposição afirma que Maduro roubou as eleições de seu candidato, Edmundo González Urrutia, e publicou cópias das atas de votação como evidência da fraude. Maduro nega as acusações.

Elogiada por seus esforços em favor da democracia na Venezuela, ela também é criticada por adversários por sua afinidade com Trump, a quem dedicou seu Nobel./Com informações da AFP

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