PUBLICIDADE

Secretário de Estado dos EUA faz visita surpresa à Ucrânia para reafirmar apoio ao país

Em missão diplomática não anunciada, Blinken se reunirá com o presidente Volodmir Zelenski e outras altas autoridades ucranianas ‘para discutir atualizações sobre o campo de batalha’

Por Matthew Lee (AP)

O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, chegou a Kiev nesta terça-feira,14, em uma missão diplomática não anunciada, para assegurar à Ucrânia que ela tem o apoio dos Estados Unidos enquanto luta para se defender dos ataques russos.

PUBLICIDADE

A visita ocorre menos de um mês depois de o Congresso dos EUA aprovar um pacote de assistência externa que reserva US$ 60 bilhões em ajuda para a Ucrânia, grande parte destinada à reposição de sistemas de artilharia e defesa aérea.

Em sua quarta viagem à Kiev desde que a Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022, Blinken enfatizará o compromisso do governo Biden com a defesa e a segurança de longo prazo da Ucrânia, disseram autoridades americanas. Eles observaram que, desde que o presidente Joe Biden assinou o pacote de ajuda no final do mês passado, o governo já anunciou US$ 1,4 bilhão em assistência militar de curto prazo e US$ 6 bilhões em apoio de longo prazo.

Ele está “tentando realmente acelerar o ritmo” das remessas de armas dos EUA para a Ucrânia, disse o assessor de segurança nacional Jake Sullivan.

O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, trabalha enquanto viaja em um trem da Ukraine Railways para Kiev, segunda-feira, 13 de maio de 2024, perto de Lviv, Ucrânia.  Foto: Brendan Smialowski/AP

Artilharia, interceptores de defesa aérea e mísseis balísticos de longo alcance já foram entregues, alguns deles já nas linhas de frente, disse uma autoridade sênior dos EUA que viajou com o secretário em um trem noturno da Polônia.

Blinken “enviará um sinal de tranquilidade” aos líderes ucranianos e às figuras da sociedade civil com quem se reunirá durante sua visita de dois dias, disse a autoridade, que falou aos repórteres sob condição de anonimato antes das reuniões de Blinken.

Em um comunicado divulgado após a chegada de Blinken, o Departamento de Estado disse que ele se reuniria com o presidente Volodmir Zelenski e outras altas autoridades ucranianas “para discutir atualizações sobre o campo de batalha, o impacto da nova assistência econômica e de segurança dos EUA, segurança de longo prazo e outros compromissos, e o trabalho em andamento para reforçar a recuperação econômica da Ucrânia”.

Publicidade

Os atrasos na assistência dos EUA, especialmente desde que a guerra de Israel com o Hamas começou, provocaram profundas preocupações em Kiev e na Europa. Blinken, por exemplo, visitou o Oriente Médio sete vezes desde o início do conflito em Gaza, em outubro. Sua última viagem a Kiev foi em setembro.

A autoridade dos EUA acrescentou que Blinken também faria um discurso na terça-feira, exaltando os “sucessos estratégicos” da Ucrânia na guerra. A intenção é complementar um discurso de Blinken no ano passado em Helsinque, Finlândia, ridicularizando o presidente russo Vladimir Putin pelas falhas estratégicas de Moscou no lançamento da guerra.

O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, embarca em seu avião na Base Aérea de Andrews antes de viajar para a Polônia e Ucrânia, em 12 de maio de 2024, em Maryland. Foto: Brendan Smialowski/via REUTERS

Estratégia ofensiva

Desde o discurso de Helsinque, no entanto, a Rússia intensificou seus ataques, principalmente quando a Câmara dos Estados Unidos ficou meses sem agir em relação ao pacote de ajuda, forçando a suspensão do fornecimento da maior parte da assistência dos EUA. Esses ataques aumentaram nas últimas semanas, pois a Rússia procurou tirar proveito da escassez ucraniana de mão de obra e armas enquanto a nova assistência estava em trânsito.

As principais autoridades do governo Biden e as autoridades de segurança nacional ucranianas fizeram uma ligação na segunda-feira “sobre a situação na frente de batalha, sobre as capacidades de que mais precisam e um verdadeiro esforço de triagem para dizer: ‘Consiga esse material para nós o mais rápido possível, para podermos estar em posição de nos defender efetivamente contra o ataque russo”, disse Sullivan.

PUBLICIDADE

Zelenski disse no fim de semana que “batalhas ferozes” estão ocorrendo perto da fronteira no leste e no nordeste da Ucrânia, enquanto soldados ucranianos em menor número e com menos armas tentam repelir uma ofensiva terrestre russa significativa.

As forças do Kremlin visam explorar as fraquezas ucranianas antes que um grande lote de nova ajuda militar para Kiev, proveniente dos EUA e de parceiros europeus, chegue ao campo de batalha nas próximas semanas e meses, segundo comandantes e analistas ucranianos. Isso torna esse período uma janela de oportunidade para Moscou e um dos mais perigosos para Kiev na guerra de dois anos, segundo eles.

A nova investida russa na região nordeste de Kharkiv e o avanço para a região leste de Donetsk ocorrem após meses em que a linha de frente de aproximadamente mil quilômetros quase não se moveu. Nesse meio tempo, os dois lados usaram ataques de longo alcance no que se tornou, em grande parte, uma guerra de desgaste.

A autoridade sênior dos EUA disse que, apesar de alguns reveses recentes, a Ucrânia ainda pode reivindicar vitórias significativas. Essas vitórias incluem a recuperação de cerca de 50% do território que as forças russas tomaram nos primeiros meses da guerra, o aumento de sua posição econômica e a melhoria das ligações de transporte e comércio, principalmente por meio de sucessos militares no Mar Negro.

A autoridade reconheceu que a Ucrânia enfrenta “uma luta difícil” e está “sob enorme pressão”, mas argumentou que os ucranianos “ficarão cada vez mais confiantes” à medida que a nova assistência dos EUA e de outros países ocidentais começar a surgir.

Blinken disse no domingo que “não há dúvida” de que o atraso de meses na ajuda causou problemas, mas que “estamos fazendo tudo o que podemos para apressar essa assistência”.

“É um momento desafiador”, disse ele ao programa “Face the Nation” da CBS. “Não vamos a lugar algum, nem os mais de 50 países que estão apoiando a Ucrânia. Isso vai continuar, e se Putin acha que pode superar a Ucrânia, superar seus apoiadores, ele está errado./AP

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.