Atirador mata ao menos 19 crianças e 2 adultos em escola primária de cidade do Texas

Foto: William Luther/via AP
Por Redação
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Ataque é o mais mortal em uma escola primária dos EUA nos últimos dez anos; ‘Quando vamos enfrentar o lobby das armas?’, reage Biden

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Um homem armado abriu fogo em uma escola infantil da cidade de Uvalde, no Texas, e matou ao menos 19 crianças e dois adultos, dentre eles uma professora, por volta das 13h30 (horário de Brasília) desta terça-feira, 24. As identidades das vítimas ainda não foram divulgadas pelas autoridades. Trata-se do ataque mais mortal em uma escola primária dos Estados Unidos desde o massacre da Sandy Hook Elementary, Connecticut, em 2012.

Um emocionado presidente Joe Biden se dirigiu à nação na noite de terça-feira, declarando – com uma voz trêmula – que esperava, quando se tornou presidente, não ter de fazer tais pronunciamentos novamente. “Outro massacre em uma escola primária do Texas. Lindos e inocentes alunos da segunda, terceira e quarta séries. Como nação, temos que perguntar: quando, em nome de Deus, vamos enfrentar o lobby das armas?”

O atirador foi identificado pela polícia como Salvador Ramos, de 18 anos. Ele também foi morto no local. O governador do Texas, Greg Abbott, afirmou que Ramos era aluno do ensino médio de uma escola próxima. “Ele atirou e matou terrivelmente, incompreensivelmente, 14 estudantes e um professor”, disse Abott logo após o ataque, antes do número de vítimas aumentar. Dois policiais, um dos quais matou o atirador, também ficaram feridos.

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Mulher reage fora do centro cívico de Uvalde, nos EUA, após ataque a tiros matar 14 crianças e 1 professor em escola infantil nesta terça-feira, 24
Mulher reage fora do centro cívico de Uvalde, nos EUA, após ataque a tiros matar 14 crianças e 1 professor em escola infantil nesta terça-feira, 24 Foto: Marco Bello / Reuters

A polícia também informou que o autor do ataque atirou na avó, de 66 anos, no apartamento onde ela morava antes de se dirigir á escola -- criando outra conexão com o massacre de Sandy Hook, no qual o assassino matou a mãe antes de ir para a escola e matar 20 crianças e 6 adultos. A idosa foi transferida para o hospital University Health, em San Antonio, distante 120 quilômetros de Uvalde.

O hospital informou que a idosa e uma outra criança vítima do ataque, transferida para o hospital, estão em estado crítico. Trata-se de uma garota de 10 anos. Além dela, outras duas crianças - uma de 9 anos e outra de 10 - se encontram na unidade.

Ramos tinha um revólver e possivelmente um fuzil e agiu sozinho durante o ataque, disse a polícia. O novo massacre acontece menos de duas semanas depois que um atirador abriu fogo em um supermercado em Buffalo, em Nova York, e matou 10 negros em um episódio descrito pelas autoridades como um crime racista.

Segundo o executivo-chefe do Uvalde Memorial Hospital, Tom Nordwick, as crianças tinham entre 7 e 10 anos. O hospital recebeu 15 pessoas após o ataque, dos quais 11 eram crianças. Duas delas, um menino e uma menina, morreram na chegada.

Entre os feridos levados para o Uvalde Memorial Hospital, quatro crianças foram liberadas; outras cinco crianças e um adulto foram transferidos para San Antonio. Não está claro se as cinco transferidas estão entre as crianças do University Health ou se tratam de outras.

Policiais dos Estados Unidos foram informados sobre o ataque durante a tarde desta terça-feira, 24
Policiais dos Estados Unidos foram informados sobre o ataque durante a tarde desta terça-feira, 24 Foto: Dario Lopez-Mills/AP

O atentado aconteceu por volta das 11h30 do horário local e o atirador estava sob custódia pouco depois das 13h, segundo informou Departamento de Polícia de Uvalde. Ainda não está claro se os tiros foram disparados contra crianças de uma ou diversas salas de aula. Autoridades também não deram informações sobre os nomes e as idades dos mortos.

Policiais que atuam na patrulha das fronteiras dos Estados Unidos participaram da ação contra o criminoso, informou o Departamento de Segurança Nacional dos EUA. Eles prestaram apoio à polícia local e trocaram tiros com o atirador dentro do prédio da escola. Os dois policiais feridos -- entre eles, um da fronteira -- não estão em estado grave.

Segundo o jornal New York Times, a polícia investiga se o atirador bateu uma caminhonete através de uma barreira escolar antes de entrar no prédio.

O superintendente em Uvalde acrescentou que “o ano letivo terminou” e todas as atividades seriam canceladas em todo o distrito escolar. O último dia de aula deveria ser na quinta-feira. Os parentes, em meio a angustia do ataque, foram instruídos a não buscarem as crianças na escola até que todos os alunos fossem contabilizados.

Onde fica Uvalde no Texas, Estados Unidos

O Centro Cívico DeLeon, a cerca de um quilômetro e meio da escola, foi escolhido como local de reunificação para os pais buscarem seus filhos. Centenas de famílias apareceram angustiadas no local, sem informações sobre os filhos.

Uvalde é uma cidade de aproximadamente 16 mil habitantes e está localizada a cerca de 120 quilômetros da fronteira dos Estados Unidos com o México.

A Robb Elementary fica em um bairro predominantemente residencial de casas modestas. Há uma casa funerária do outro lado da rua da escola.

Biden ordenou que as bandeiras dos Estados Unidos fossem abaixadas em prédios federais em luto às vítimas. O anúncio da Casa Branca afirma que o gesto é “uma marca de respeito às vítimas dos atos de violência sem sentido perpetrados em 24 de maio de 2022 por um atirador na Robb Elementary School em Uvalde, Texas”.

Ataque é o mais mortal dos EUA este ano

O ataque em Uvalde, no Texas, também se tornou o mais mortal deste ano nos Estados Unidos. O número de 15 vítimas superou os 10 mortos do ataque no supermercado de Buffalo, em Nova York, no que foi um dos massacres racistas mais mortais do país nos últimos anos.

Os Estados Unidos registraram 212 ataque a tiros este ano, de acordo com a Gun Violence Archive, uma organização não-governamental dos EUA. Eles registram como ataque qualquer incidente em que quatro ou mais pessoas são baleadas ou mortas.

A diferença temporal entre os dois massacres é de 10 dias. Os funerais das vítimas de Buffalo começaram na semana passada, com uma série de manifestações da comunidade negra da cidade pedindo que o racismo seja combatido com soluções sistêmicas, investimentos econômicos e programas de saúde mental de longa duração.

Parentes de estudantes de escola primária no Texas, onde aconteceu o ataque desta terça-feira, 24, choram no Centro Cívico de Uvalde. Atentado é o mais letal dos Estados Unidos este ano
Parentes de estudantes de escola primária no Texas, onde aconteceu o ataque desta terça-feira, 24, choram no Centro Cívico de Uvalde. Atentado é o mais letal dos Estados Unidos este ano Foto: William Luther / AP

O ataque em Buffalo teve motivações racistas. Um manifesto online atribuído ao suspeito foi postado antes da ação e revelou que o atirador estava fascinado por uma teoria supremacista branca conhecida como ‘teoria da substituição’ e acreditava que os americanos brancos seriam substituídos por imigrantes e negros. Ato semelhante aconteceu em El Paso, Texas, em 2017.

No dia seguinte ao ataque de Buffalo, um homem de 68 anos abriu fogo contra uma congregação taiwanesa em Laguna Woods, na Califórnia. O ataque deixou um morto e um ferido. As autoridades afirmam que o crime foi motivado por “um ódio político”.

A escalada da violência armada nos EUA fez o país registrar em 2020 a maior taxa de homicídios por armas de fogo dos últimos 25 anos, segundo informou o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) no dia 10 deste mês. Em geral, as mortes por armas, incluindo suicídios, atingiram o nível mais alto já registrado no país.

Mais de 45 mil americanos morreram em incidentes relacionados a armas quando a pandemia se espalhou nos EUA, o maior número já registrado, mostram dados federais. Mas mais da metade das mortes por armas de fogo foram suicídios, um número que não aumentou substancialmente de 2019 para 2020.

Esse aumento nos homicídios afetou comunidades em todo o país, mas teve grandes oscilações nas linhas raciais, étnicas e econômicas, ampliando as disparidades já existentes, segundo o CDC. /AFP, EFE, NYT, W.P.

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