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Opinião|"Botecotech": A transformação digital dos bares, cafés e restaurantes

Atualização:
Quiosque automatizado utiliza um braço robótico para preparar e servir diversas bebidas quentes e frias no aeroporto de São Francisco na Califórnia. Foto: Alexandre Nascimento.

Um artigo publicado há algumas semanas apresentou como o negócio de produzir e vender pizzas está sendo automatizado. O movimento de transformação digital de negócios tradicionais não irá parar nas pizzarias. Na verdade, o progresso tecnológico e o barateamento de várias tecnologias, nos últimos anos, estão viabilizando soluções de automação para muitos negócios tradicionais, como restaurantes, bares e cafeterias. 

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Juntamente com as possibilidades de automação, que permitem aumentar a disponibilidade da oferta de serviços para mais dias e faixas de horários sem necessariamente aumentar custos, a própria operação de tais negócios está se alterando. A transformação digital viabiliza que usuários façam seu autoatendimento desde o pedido até o pagamento utilizando seus próprios celulares e, com isso, permitindo que muitos desses negócios se tornem stand-alone, ou seja, operem de forma independente com mínima intervenção humana. Com os trabalhadores humanos saindo da equação, os requisitos ergonômicos mínimos reduzem consideravelmente a demanda por espaço físico ocupado pela operação.

Com isso, cada vez mais veremos "grandes caixas" em shopping centers, postos de gasolina e aeroportos com oferta 100% automatizada e 24 horas por 7 dias da semana de comidas e bebidas, tal como o quiosque da empresa CAFEX mostrado na foto, onde um braço robótico prepara e vende bebidas quentes e frias, bem como snacks no aeroporto de São Francisco, na Califórnia. O robô barista se tornou uma atração para o público, que faz filas para assistir e provar suas criações. E a avaliação da qualidade das bebidas preparadas e do serviço é muito boa. 

Esse tipo de quiosque, que vai muito além das vending machines tradicionais, possui um custo reduzido de mão de obra e de espaço. A elevada padronização para gerar a automação cria uma garantia na qualidade do que é produzido e no serviço, aumentando a satisfação dos clientes. Além disso, funciona em qualquer horário. A soma de todos esses fatores resulta em potencial faturamento e margem superiores quando comparados com o jeito tradicional de operar um quiosque.  

Mas a inovação não para por aí. Quando a mesma tecnologia de preparo de bebidas da CAFEX é combinada com a de preparo de comida automatizada (veja artigo anterior) e com os robôs garçons, temos a automação completa de um bar, restaurante ou padaria, incluindo o serviço de mesa. Os robôs garçons já estão por aí, como os modelos da empresa norte-americana American Robotech, que já automatizam alguns restaurantes! Algumas cadeias, como o Chili's nos EUA, começaram a utilizar a solução para enfrentar a escassez de mão de obra nos EUA.

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Se, por um lado, a inovação gera entusiasmo, por outro, ela pode gerar impactos potencialmente preocupantes para o setor de bares e restaurantes no Brasil. Segundo estimativas da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), no Brasil há em torno de 1,2 milhão de negócios no setor, sendo mais de 85% do setor formado por microempresas. Pelo porte dos negócios, espera-se que a maioria deles não deva possuir capacidade de investimento para adotar tais tecnologias, tornando-os vulneráveis à disrupção. Além disso, segundo a Abrasel, esses estabelecimentos empregam em torno de 6 milhões de pessoas, que estarão com seus empregos em risco com a automação ou com a perda de competitividade de seus empregadores. E aqueles que não perderem seus empregos terão que trabalhar de uma forma diferente em um futuro próximo, dividindo suas funções com máquinas cada vez mais inteligentes e num ambiente de negócios com expectativa de produtividade cada vez maior.

Vale observar que esse é apenas um dos diversos setores de atividades que, diante de um tsunami tecnológico, mudará suas operações e, até mesmo, eventualmente, seus modelos de negócios. Nesse contexto, surgem muitas preocupações e perguntas. Como os empreendedores desses inúmeros setores estão se preparando para enfrentar essa mudança de paradigma? Como os funcionários desses negócios estão sendo preparados para o futuro do trabalho e para aumentarem a empregabilidade num novo ambiente de negócios? Existem planejamentos estratégicos e ações concretas a nível nacional, estadual e municipal para lidar com tais mudanças e reduzir os potenciais impactos na economia e no desemprego?

Opinião por Alexandre Nascimento
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