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Brasileiros da Beenoculus relançam óculos de realidade virtual e preveem receita de R$ 20 mi

Brasileiros que apostam em mercado de realidade virtual e aumentada esperam faturamento de até R$ 20 milhões em 2015 e valor dez vez maior no ano que vem

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Por Murilo Roncolato

A empresa brasileira responsável pela criação do Beenoculus, óculos de realidade virtual semelhante ao Samsung Gear VR, completa apenas seis meses de operação, desde que lançou seu produto no mercado, na maior feira de eletrônicos para consumo do mundo, a CES, em Las Vegas.

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A empresa começou otimista, prevendo vender 1 milhão de Beenoculus em até dois anos. Seis meses depois, o total de unidades vendidas está ainda em 6 mil unidades. “Mas o volume maior ainda está por vir, tem muita empresa testando os óculos ainda”, diz o diretor de marketing Rawlinson Terrabuio.

‘Temos só seis meses de empresa efetivamente. Nossa aventura começou em janeiro, começamos com seis funcionários e hoje esse número dobrou, mas a perspectiva é de aumentar ainda mais”, afirma o executivo.

DIVULGAÇÃO

 

Segundo Terrabuio, a Beenoculus prevê obter um faturamento de até R$ 20 milhões até o fim deste ano e R$ 200 milhões em 2016. As fontes de tamanha cifra seriam as vendas do hardware e licença de conteúdo, já que a atividade original da empresa foi o desenvolvimento de aplicativos, de realidade virtual inclusive.

“A ideia do Beenoculus sempre norteou o acesso à realidade virtual com baixo custo. O desenvolvimento em Curitiba, eu diria que essa é a nossa área principal, porque desenvolve conteúdo. Como desenvolver conteúdo se você não tem um óculos acessível para as pessoas?”, diz. “Buscamos um meio de interação, o que nos levou ao Beenoculus.”

A construção dos óculos começou de forma improvisada. O dono de uma fábrica de plástico em Barueri, na Grande São Paulo, que atende o setor automotivo, colocou o Beenoculus na sua linha de produção em troca de 30% das ações da empresa nascente. Assim, a companhia se distribui hoje em Curitiba (Logística, Comercial e Desenvolvimento), Barueri (fábrica) e, em um futuro próximo, São Paulo.

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“Não dá mais. A gente fica uma semana aqui, outra lá (em São Paulo). É onde os negócios acontecem, não tem jeito.”

Antes do Google

Na conferência de desenvolvimento do Google chamada I/O, realizada na semana passada, a empresa dedicou bons minutos mostrando como seu projeto de óculos VR de baixo custo, o Cardboard (à venda por US$ 20), estava revolucionando a experiência de ensino em algumas salas de aula no mundo.

O diretor de marketing da Beenoculus acompanhou o evento, mas não se impressionou muito. “Educação é um dos focos do Google. O da Beenoculus é o principal. O Google está falando disso agora. Sem falsa modéstia, a gente já falava disso há bem mais tempo.”

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Para eles, o tipo de imersão permitida pela realidade virtual tem muito potencial de enriquecer e acelerar o processo de aprendizagem. A empresa de Curitiba testou o uso do óculos também em universidades e, segundo Terrabuio, a movimentação “abriu portas”.

Hoje a empresa tem acordos com a PUC-PR e com a Estácio para levar os óculos a alguns cursos, como de medicina.

“A gente aposta na ‘educação em primeira pessoa’, que é conseguir fazer um sujeito virtualmente participar de uma ação que um outra pessoa filmou em 360° em outro lugar”, diz, citando como exemplo uma cirurgia sendo acompanhada através de realidade virtual por um residente.

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“Esse conteúdo a gente leva para um estúdio, insere elementos gráficos, mostrando as ferramentas sendo utilizados, insere áudios e transforma isso em um produto de educação de 30 minutos que é muito valioso”, diz. “É uma técnica que diminui o tempo de aprendizagem. A gente tem discutido isso com médicos e pedagogos e eles têm corroborado isso.”

Nova versão

Nos últimos meses, após demonstrações e testes, os óculos receberam elogios acompanhados de críticas e sugestões, que levaram a empresa a já lançar uma nova versão do produto. “Sabíamos que tínhamos bastante coisa para melhorar na primeira versão do produto”, diz. “Ganhamos uma direção ótima a partir dessa interação com o público que testou o produto. Foi sensacional.”

A segunda versão do Beenoculus vem com modificações na tampa de realidade aumenta, visando gerar uma ventilação maior após relatos de super aquecimento, e outros acertos menores.

Por enquanto, a venda tem se dado pelo online, a partir do site da empresa, mas a ideia é articular formas de isso chegar logo ao varejo. Esse passo, no entanto, é mais longo porque não adianta colocar óculos de realidade virtual na prateleira e esperar que as pessoas comprem. “Tem muita gente que não sabe o que é isso, nem para que serve. Se for para a loja, é preciso ter gente demonstrando, etc. É mais complexo.”

Mais caro

Em janeiro, um dos pontos de destaque dos óculos era o preço, anunciado por menos de R$ 100. Questionado se o valor era apenas estratégia de marketing para ganhar exposição, Rawlinson Terrabuio diz que não. Tratava-se de uma meta, mas que foi frustrada.

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“Quando projetamos o preço do Beenoculus, pensamos em ter um valor de referência. Isso foi feito em setembro de 2014”, lembra. “Depois disso veio crise, alta do dólar, alta do preço do plástico… Não teve jeito, tivemos que reajustar.” Hoje, os óculos (sem frete) saem por R$ 130.

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