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Como acompanhar seu uso de dados

Conforme um número cada vez maior de usuários é transferido dos planos de dados ilimitados para os planos de dados restritos, acompanhar o volume de dados que já foi acessado pelo celular num dado mês está se tornando uma necessidade cada vez mais urgente. Ao ultrapassar os limites dos planos mensais – seja em minutos de voz, em mensagens de texto ou dados – somos obrigados a pagar taxas extras.

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Por Redação Link
Atualização:

Ora, sempre acreditei que parte do esquema das operadoras envolve a opacidade. Elas não querem que saibamos quantos minutos já usamos da cota mensal a que temos direito, quantas mensagens de texto já enviamos nem o volume de dados que já usamos. Afinal de contas: se soubéssemos o quão perto estamos do limite, seria menos provável que ultrapassássemos os termos do plano, pagando a mais.

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É claro que as informações relativas ao nosso uso do plano estão disponíveis – desde que estejamos dispostos a acessar um site e fazer login com alguma senha inventada no dia em que o celular foi comprado, ou se memorizarmos um código especial de discagem que gera um obscuro relatório de uso em forma de mensagem de texto.

O problema é que tais técnicas exigem que o usuário se lembre de como ativá-las. Eu diria que pouquíssimas pessoas desenvolveram o hábito de usar esses recursos. (Além disso, o código enviado por mensagem de texto – #DADOS* ou algo do tipo – revela apenas os dados já usados na franquia mensal, e não os minutos de chamada.)

Mas, outro dia, conheci o aplicativo My Verizon, para iPhone. Ali está, tudo numa mesma tela: gráficos claros em forma de barra mostrando o uso das Chamadas, Mensagens de texto e Dados. Aqueles que têm planos para toda a família, como eu, podem passar o dedo pela tela para ver as informações dos outros membros do lar.

Todos deveriam ter algo assim: uma maneira rápida e fácil de visualizar o quanto estamos próximos do limite do plano mensal. Este aplicativo também exibe com clareza os detalhes de nosso plano atual, mostra a fatura da conta do mês e permite até que a paguemos.

(Outro elogio à Verizon por seu novo site My Verizon. Num único local, ele oferece 16 botões claros e diretos que levam o usuário às atividades mais comuns: “Ver utilização.” “Mudar de plano.” “Bloquear chamadas e mensagens.” “Suspender serviço”, e assim por diante.)

Como descobri, AT&T, Sprint e T-Mobile oferecem aplicativos muito semelhantes. Todas as quatro operadoras oferecem um aplicativo para Android, e a T-Mobile é a única que não tem aplicativo para o iPhone. (A T-Mobile não trabalha com iPhones.)

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Acho digno de elogio o fato de as operadoras terem dado este passo. Ora, não vejo motivo pelo qual um recurso que permita ao usuário ter uma ideia do quanto já consumiu de seu plano mensal não possa ser integrado diretamente ao celular – mas a melhor alternativa a isso é um aplicativo que exiba tais informações com clareza, bastando um toque.

Mas também tenho uma queixa a fazer quanto a estes aplicativos: os programas oferecidos por Sprint e Verizon não mostram o quanto já usamos do plano mensal antes de inserirmos o número completo do celular (ou o nome do usuário) e a senha! A cada vez que o aplicativo é aberto!

Isto é loucura, por dois motivos.

Primeiro, por que a necessidade de inserir o número do celular? O aplicativo sabe qual é o número do celular. Ele está rodando no celular que recebi da operadora, com um número que recebi dela. É claro que o aplicativo consegue descobrir sozinho o número do celular em que está rodando!

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É como se, a cada vez que passássemos o cartão de crédito na máquina ao fazer uma compra, tivéssemos de digitar também a combinação de 16 números do cartão.

Segundo, mesmo que o aplicativo fosse capaz de se lembrar do número do celular, qual é a necessidade de se digitar uma senha? Sei que é uma questão de segurança – mas qual é o sentido? Será que algum colega de trabalho mal intencionado vai roubar o celular quando eu estiver distraído e, escondido, vai tentar descobrir quantas mensagens de texto já enviei este mês? Até parece!

A solução é simples: basta deixar que eu decida se quero ou não deixar a senha registrada. É assim que funcionam os aplicativos da T-Mobile e da AT&T. Eles são capazes de memorizar tanto sua identificação de usuário quanto a senha, e o mundo não acabou por causa disso. Então, que problema haveria?

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A maravilha dos aplicativos de acompanhamento do uso está no fato de eles removerem os obstáculos entre o usuário e a informação do seu consumo mensal dos planos contratados. Se é assim, por que criar novos obstáculos sob a forma da necessidade de informar o número do celular e a senha? (Dica: no aplicativo da Verizon, usei o recurso de atalhos de texto do iPhone para inserir o número do telefone quanto eu digito “vz”, o que facilita bastante o processo todo. Mas o recurso dos atalhos não funciona nas caixas de diálogo para senhas.)

Até as próprias operadoras têm dúvidas quanto ao nível de segurança necessário apenas para conferir o nível mensal de uso dos planos de acesso. (“Qual a necessidade disso? É uma boa pergunta”, escreveu o representante de relações públicas da Sprint. “Não sei a resposta, sei apenas que estamos sempre em busca de maneiras de aprimorar a experiência do consumidor.”)

Até que eles apareçam com uma boa resposta, eis uma dica: procure um aplicativo de acompanhamento do uso desenvolvido por terceiros. Para os celulares Android, o DroidStats exibe gráficos indicando o uso em termos de minutos de voz, mensagens de texto e dados, tudo numa mesma tela. Ele faz aquilo que os aplicativos das operadoras deveriam fazer desde o início: mostrar ao consumidor, instantaneamente, o total de minutos e dados já utilizados no mês. Nada de inserir nome de usuário e senha; nada de burocracia.

Para o iPhone, temos o DataMan e o VoiceMan. As versões Pro valem o preço pedido. Elas mostram quais são os aplicativos que consomem mais dados do plano e trazem alertas automáticos em tempo real quando atingimos marcos de uso pré-programados pelo próprio usuário. O VoiceMan é esperto a ponto de não incluir as chamadas feitas à noite e nos finais de semana se estas forem gratuitas no plano adquirido, como ocorre na maioria dos casos.

Bem que eu gostaria que o VoiceMan e o DataMan acompanhassem também o uso de mensagens de texto; o desenvolvedor disse que tal recurso logo será implementado. (Um aplicativo rival, Cell Minute Tracker, é gratuito e mostra as três estatísticas – minutos, mensagens e dados -, mas só funciona com os planos da AT&T.)

Resumindo: a informação é sua. É uma informação importante – pagamos caro quando ultrapassamos o limite contratado. Então, não deveríamos ter que lutar tanto para chegar a ela.

/Tradução de Augusto Calil

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* Publicado originalmente em 17/5/2012.

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