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Como escolher aparelhos eletrônicos que vão durar bastante

Se o bolso está curto, nada melhor do que tentar prolongar a vida dos nossos celulares, PCs e gadgets, mas como fazer isso?

Por Brian X. Chen
Atualização:
Setor de tecnologia é forte nas vendas online. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Hoje em dia, ao comprar um eletrônico, é raro supor que ele vá durar muito. Temos a expectativa de jogar um console de videogame enquanto houver empresas lançando jogos para ele. Esperamos usar um celular ou notebook enquanto a bateria estiver boa, ou até não podermos mais rodar o software mais importante. Em algum momento, sentimos a necessidade de trocá-los por um modelo mais moderno. Precisamos da mais nova câmera. Queremos que os apps funcionem mais rápido. Precisamos das telas mais brilhantes.

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Mas o fato é que tudo isso é obra dos profissionais do marketing, introjetada no nosso subconsciente. A realidade é que os bens eletrônicos de consumo, como o seu celular, seu computador ou tablet, podem durar muitos anos. Basta pesquisar um pouco para descobrir produtos tecnológicos que vão durar. Este será um exercício cada vez mais importante em uma recessão decorrente da pandemia, que obriga e obrigará muitas pessoas a limitarem seus gastos.

“A questão é comprar o que você precisa, não o que a empresa está dizendo que o consumidor precisa", disse Carole Mars, diretora de desenvolvimento técnico e inovação do Sustainability Consortium, que estuda a sustentabilidade dos bens de consumo. A escolha estratégica da tecnologia que mais vai durar não é intuitiva. É necessário levar em conta a facilidade de obter assistência para um determinado produto e determinar se faz sentido gastar mais. Eis algumas questões a serem consideradas no longo prazo.

O aparelho é fácil de consertar?

Na próxima vez que for comprar um eletrônico, tente o seguinte exercício: antes da compra, tente descobrir se o aparelho pode ser facilmente consertado por você ou por um técnico. Em caso afirmativo, pode botar no carrinho. Se for difícil demais, é melhor escolher um concorrente. 

Vincent Lai, que trabalha para o Fixers’ Collective, clube social de Nova York que conserta aparelhos antigos, ofereceu várias abordagens para avaliarmos se um dispositivo pode ser consertado com relativa facilidade:

Pesquise se é fácil consertar: uma boa dica de consulta é o site iFixit, que oferece instruções de conserto para aparelhos. No caso de alguns produtos, a página desmonta os dispositivos e analisa a facilidade do seu conserto. O iPhone SE, da Apple, por exemplo, tem nota 6 no quesito facilidade de reparo (a nota 10 representa os mais fáceis de consertar), de modo que o aparelho pode valer a pena para o longo prazo.

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Mas quem vai consertar? Verifique se há técnicos na sua região capazes de consertar o aparelho. Muitos técnicos têm conhecimento e peças para consertar os modelos mais populares de iPhones e celulares da Samsung e da Motorola. Mas quem pensa em comprar um aparelho de uma marca menos popular, como Asus ou LG, deve primeiro tentar descobrir alguém que saiba consertá-lo em caso de problemas. Isso vale também para o futuro e para quem gosta de comprar aparelhos no exterior. 

Saiba onde pedir ajuda: às vezes, não há técnicos próximos que saibam ajudar, mas talvez haja entusiastas que escrevem seus próprios guias de orientação, que você pode seguir. Uma comunidade de usuários é bem útil. Por mais que seja difícil encontrar um técnico para consertar uma escova de dentes elétrica Philips Sonicare fora da garantia, pode-se encontrar instruções de como consertá-la no iFixit.

É possível trocar a bateria?

Um dos indicadores mais claros da durabilidade de um produto é a possibilidade de substituir sua bateria. Aparelhos que funcionam sem fio são ativados por uma bateria de íon-lítio, que só pode ser carregada um número limitado de vezes antes de se deteriorar.

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Felizmente, a maioria dos celulares e notebooks tem baterias que podem ser substituídas por profissionais. Mas produtos mais compactos têm componentes que são colados e selados, o que torna impossível a substituição da bateria. Fones sem fio como os AirPods da Apple, e o QuietComfort 35, da Bose, são exemplos de produtos populares cuja bateria não pode ser trocada. Quando a bateria para de funcionar, o jeito é comprar outro aparelho.

Assim, se estiver pensando em comprar algo que leva baterias — incluindo porta-retratos digitais, câmeras de segurança sem fio e falantes Bluetooth — faça uma pesquisa na internet para descobrir se a bateria pode ser trocada. Em caso negativo, considere o aparelho descartável.

O produto é confiável?

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Como ocorre com os eletrodomésticos, há nos produtos de tecnologia uma proporção de defeitos — a relação entre o número de unidades funcionando e o número de unidades com problemas. Essa proporção pode nos dar uma ideia do quanto uma marca é confiável.

A Consumer Reports, conhecida por publicar classificações de confiabilidade para eletrodomésticos, reúne dados de confiabilidade semelhantes para smartphones, notebooks, tablets, TVs e impressoras por meio de levantamentos com assinantes que possuem esses produtos.

As pessoas tendem a encontrar mais problemas em aparelhos com partes móveis, como impressoras com cartuchos de tinta, do que com eletrônicos como TVs ou tablets, disse Jerry Beilinson, editor de a tecnologia da Consumer Reports. As impressoras da Brother tiveram bom desempenho nos levantamentos da publicação. Em se tratando de celulares, Apple e Samsung têm boa classificação de confiabilidade.

Lai, do clube Fixers’ Collective, recomenda uma abordagem comunitária para a avaliação da confiabilidade. Ele acompanha fóruns na internet como o Reddit para saber quais são os comentários das pessoas a respeito de um produto. Ele disse que evita comprar um aparelho se um grande número de consumidores aponta problemas no modelo.

Devo gastar mais?

Outra regra importante de se ter em mente na hora de investir diz que vale a pena gastar um pouco mais em um produto que deve durar mais. Isso não significa comprar o modelo mais caro de computador ou celular disponível no mercado, e sim investir em configurações que vão deixar o comprador mais satisfeito no longo prazo, disse Nick Guy, redator sênior da publicação Wirecutter, do New York Times, que testa produtos.

Tomemos como exemplo o caso do iPad. Quem deseja um iPad pode pagar US$ 329 pelo modelo básico, com 32 gigabytes de armazenamento. Mas, provavelmente, é melhor gastar US$ 429 no modelo com 128 gigabytes de armazenamento — quatro vezes mais capacidade, que será usada para armazenar aplicativos, jogos, fotos e vídeos durante anos. No universo da tecnologia, essa estratégia é conhecida como “proteção contra o futuro".

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Armazenamento é um dos pontos da lista de características para decidir por um aparelho Foto: Jim Wilson/The New York Times

O software é fácil de atualizar?

Como muitos aparelhos modernos, como smartphones e tablets, praticamente eliminaram as partes móveis, seu software desempenha um papel importante no cálculo da sua longevidade. Depois que uma empresa deixa de fornecer atualizações de software para um aparelho, podemos esperar que os problemas comecem, como aplicativos favoritos que deixam de funcionar normalmente.

É nesse quesito que o iPhone leva vantagem diante do sistema Android. A cada ano, quando a Apple lança um novo sistema operacional para o iPhone, a nova versão costuma funcionar em aparelhos de até cinco anos atrás (o iOS 14, da Apple, que deve ser lançado no terceiro trimestre, vai funcionar até no iPhone 6S, de 2015). Isso significa que, ao comprar um iPhone, o aparelho provavelmente receberá novos recursos e aprimoramentos por pelo menos cinco anos.

A situação é mais difícil para os usuários do Android. Tipicamente, os fabricantes oferecem atualizações de software para dispositivos Android por dois ou três anos após o lançamento.

Para dar um jeito nisso, os donos de aparelhos Android podem recorrer à comunidade de usuários. De acordo com Lai, no caso de alguns celulares Android, há entusiastas oferecendo os chamados ROMs, sistemas operacionais personalizados que podem ser instalados para manter o software atualizado. Confira no site XDA Developers se há técnicos construindo software personalizado para o aparelho Android que deseja comprar.

O aparelho soluciona um problema ou é só uma graça?

Muitos dos chamados eletrodomésticos inteligentes — aparelhos comuns com sensores sem fio e conexão com a internet — oferecem benefícios interessantes, como uma geladeira equipada com câmera que envia um alerta ao seu celular quando o leite está acabando.

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Mas tenha em mente que eletrodomésticos inteligentes podem criar mais problemas do que solucionam. Uma lata de lixo que abre automaticamente quando passamos a mão sobre a tampa pode parecer mágica, mas usa baterias e partes móveis que, um dia, deixarão de funcionar.

“Se o aparelho se move, se acende luzes, se tem conexão com a internet e responde ao seu comportamento, trata-se de um eletrônico", disse Carole, “e isso significa que é acompanhado por todos os problemas habituais dos aparelhos eletrônicos". Mais uma vez, o importante é comprar aquilo que precisamos. Às vezes, um produto “burro”, não conectado, é mais que suficiente. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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