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Google I/O: empresa lança 'surra' de novidades em IA e segurança

Android 13, Pixel Watch e novidades de inteligência artificial foram anunciadas no principal evento da empresa

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Google I/O 2022 apresenta novidades da gigante Foto: REUTERS/Arnd Wiegmann

Nesta quarta-feira, 11, o Google realizou o principal evento anual da companhia, o Google I/O, para revelar as maiores novidades dos próximos meses. O evento ocorreu em Mountain View, sede da companhia na Califórnia, e teve apresentação do presidente executivo, Sundar Punchai, para um público de funcionários e desenvolvedores. O encontro marcou a volta ao escritório presencial da gigante após dois anos de pandemia. Em 2020, o I/O foi cancelado e, no ano seguinte, aconteceu com plateia reduzida.

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Entre as principais novidades desta quarta, o Google mostrou o Android 13, novo sistema da companhia para celulares, embora ele não tenha empolgado (e ficou com ares de "esquecido no churrasco"). A companhia também revelou novos celulares, fones de ouvido, tablet e até um relógio para competir com o rival Apple Watch. A empresa também sinalizou que voltará a ter óculos inteligentes sete anos após aposentar o Google Glass. 

Em boa parte da apresentação, porém, a empresa mostrou muitos avanços em inteligência artificial e segurança, o que permitiu novidades nas áreas de buscas (a principal da empresa), mapas e mundo corporativo. Além disso, a companhia revelou um novo projeto para acrescentar diversidade em sua tecnologia de aprendizado de máquina.

Abaixo, leia os destaques do evento:

Busca complexa

O Google mostrou como avanços em inteligência artificial (IA) mudam o seu produto mais tradicional, a ferramenta de buscas. No começo de abril, a empresa já havia anunciado um sistema chamado de “multisearch”, que permite fazer buscas usando texto e imagem ao mesmo tempo. 

Agora, o sistema terá informações de comércio local. Por exemplo: ao tirar uma foto de um prego e digitar comprar, a ferramenta pode indicar a loja de materiais de construção mais próxima. No início, porém, o recurso estará disponível apenas nos Estados Unidos.

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Outra ampliação da ferramenta de buscas é chamada de “scene exploration”, no qual é possível obter informações sobre diversos objetos em uma única foto. Por exemplo, ao tirar uma foto com diversas prateleiras em um supermercado, o sistema é capaz de identificar e dar informações sobre os produtos. O Google, porém, não deu data da estreia para o novo recurso. 

Google anuncia o Multisearch, nova ferramenta de pesquisa Foto: Google / Divulgação

Trabalho híbrido ganha destaque no Workspaces

O serviço corporativo do Google, o Workspace (que compreende Gmail, Docs, Agenda e Meet), ganha novos recursos com foco no “novo normal”: o trabalho híbrido. Segundo a empresa, cerca de 3 bilhões de pessoas utilizam esse serviço.

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Entre as novidades, o Google revelou que os chats em grupo da empresa (batizados de Espaços) receberão uma “sumarização” das mensagens não lidas — isto é, a ferramenta de inteligência artificial da companhia irá resumir em tópicos o que foi discutido, poupando que o usuário leia centenas de mensagens. 

No Google Docs, a ideia da ferramenta é simplificar o conteúdo em pequenos resumos, permitindo que arquivos com diversas páginas possam ser sintetizados em poucas linhas — como um briefing do tema. Ainda, o documento poderá ser linkado diretamente com outros arquivos já existentes, como planilhas e apresentações, de forma automática, a partir do reconhecimento dos termos utilizados.

Google anuncia novas ferrasmentas para o Docs Foto: google / Divulgação

Outro recurso é a ferramenta de transcrições de videochamadas do Meet, tornando possível que uma “ata” da reunião seja instantaneamente preparada para quem não pôde comparecer ao encontro. 

Além disso, o Google prepara otimizações de melhoria na qualidade da luz da câmera, usando software para melhorar a imagem. Complementando a solução, a empresa irá lançar um “desreverberizador” de sons: a ideia é diminuir o eco em chamadas por meio de IA e tornar a fala mais clara.

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Por fim, a companhia irá permitir que, em chamadas de vídeo, usuários possam assistir a vídeos do YouTube simultaneamente, por exemplo. É um recurso similar ao SharePlay, anunciado pela Apple no ano passado — a ferramenta permite que usuários em uma ligação ouçam músicas ou vejam filmes juntos em uma mesma tela.

Investimento em segurança

Google anunciou que vai investir US$ 10 bilhões em infraestrutura de cibersegurança nos próximos anos. A companhia afirma que o Gmail já bloqueou 15 bilhões de mensagens de phishing e ameaças no Gmail. Para evitar mais casos assim, serão bloqueados os cliques em links considerados suspeitos pela companhia, impedindo que o usuário acesse o conteúdo. 

Na parte de segurança corporativa, o Google revelou que irá expandir a análise de phishing e malware, hoje disponível apenas na leitura de mensagens do Gmail, para todos os outros serviços do Workspaces.

Google mostra novidades sobre web segurança Foto: Google / Divulgação

Google também está simplificando a autenticação em dois fatores, sem uso de códigos: será preciso autenticar a entrada a partir de outros dispositivos (como um smartphone ou tablet, por exemplo) — algo que já existe, mas não de forma obrigatória. Além disso, de agora em diante, todas as contas Google terão de usar esse método, deixando de ser opcional.

Para 2022, o Google quer um "futuro sem senhas". A empresa acredita que a utilização de senhas torna a segurança das contas mais vulneráveis a estranhos, como vazamento de dados. Como opção, o Google quer que seja feita a autenticação de contas por meio de outros dispositivos, sem códigos.

Cartão virtual 

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Outro recurso de segurança mostrado pela empresa é um cartão virtual para ser usado em transações financeiras na internet. Disponível para o navegador Chrome e celulares Android, o cartão é usado com a ferramenta de autocompletar informações e “esconde” as informações do cartão de crédito do usuário, substituindo por um número virtual. A ideia é aumentar a segurança dos usuários, principalmente em casos de vazamento de dados ou sequestro de informações.

Inicialmente, o recurso estará disponível apenas nos EUA e dará suporte a cartões Visa e American Express. A Mastercard ganhará suporte ainda neste ano, segundo o Google. A empresa diz que será possível gerar um número digital por cartão físico. 

Central de anúncios

Os usuários também ganharão uma nova ferramenta chamada “My Add Center”, que permite que o usuário exclua temas e marcas que são direcionados a ele. Será possível entender também como esses anúncios serão direcionados aos usuários nas buscas, no YouTube e no Google News. Será possível pedir para receber mais ou menos anúncios por tópicos, como, por exemplo, produtos de beleza. A empresa afirmou que a ferramenta será lançada neste ano, mas não revelou datas.

Remoção de conteúdo das buscas

Criticada por permitir a exposição de dados dos usuários em seu buscador, a companhia reformou a ferramenta na qual o usuário pede a exclusão das buscas de informações como endereço, número de telefone e e-mail.

Infelizmente, ela estará disponível apenas nos EUA no início. Assim, é possível adotar o método antigo. O Google diz que os resultados são removidos após alguns dias. Os pedidos passam por análise humana e de robôs para que a companhia avalie se a remoção atende aos critérios da empresa ou não — aqui, a ideia é evitar que informações de interesse público sejam censuradas. 

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Tons de pele 

O Google tem direcionado esforços para representar com melhor exatidão o tom de pele de pessoas não brancas — um dos problemas antigos da indústria da tecnologia. Batizado de Real Tone, a gigante da tecnologia tem usado inteligência artificial e aperfeiçoamentos de câmera para criar uma escala de cores que reflitam peles mais escuras nos produtos da empresa, como em Fotos e na Busca. A medida tenta responder as críticas que recebidas por demitir no final de 2020 pesquisadores focados em diversidades e viés algoritmico. 

Hoje, o Google apresentou o Skintone no Google I/O Foto: Google Divulgação

No exemplo apresentado pelo Google, o usuário poderá buscar por vestidos de noiva e utilizar um filtro para escolher o tipo de pele das imagens na busca. Atualmente, é preciso especificar no buscador que você quer por imagens de pessoas negras, por exemplo, e não de forma automatizada no sistema. Ainda, a empresa vai adicionar ao Google Fotos um filtro Real Tone, que mantém a tonalidade da pele mais fiel às características raciais — o filtro vai estar disponível a partir do final do mês.

Além disso, o Google lançou uma iniciativa em código aberto, chamada Skintone, para "ajudar os computadores a 'ver' o nosso mundo", diz a empresa. Pesquisadores poderão utilizar a escala de tons de pele da companhia para ensinar ferramentas de aprendizado de máquina e fazer pesquisas na área, com mais diversidade racial. Todo o trabalho tem como base as pesquisas de Ellis Monk, professor de Harvard e referência na área de raça e inteligência artificial.

Tradutor acrescenta 24 idiomas, incluindo guarani

No começo do evemto, Pichai anunciou que o Google acrescentou 24 novos idiomas ao tradutor, o que eleva para 133 o número de idiomas que recebem suporte da ferramenta. Segundo a companhia, 300 milhões de pessoas falam os idiomas acrescentados, incluindo guarani (usado por 7 milhões de pessoas no Brasil, na Argentina, no Paraguai e na Bolívia) e aymara (usado por 2 milhões de pessoas na Bolívia, no Chile e no Peru).

O Google explica que os novos acréscimos foram possíveis por uma nova técnica de inteligência artificial batizada de “Zero-Shot Machine Translation”. Com ela os modelos de IA foram capazes de traduzir os idiomas sem nunca ter tido contato com os idiomas originais. Até aqui, modelos de IA responsáveis por fazer traduções precisavam ser expostos a milhões de exemplos do idioma-alvo. 

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Com a nova técnica, os sistemas da empresa utilizam o aprendizado acumulado na tradução dos idiomas anteriores, e assim, são capazes de entender o significado e a função das palavras por contexto. É como um poliglota usar seu conhecimento para arriscar os primeiros passos em um novo idioma. 

Google anuncia novidades em evento Google I/O Foto: Google/ Divulgação

Mapas

O Google desenvolveu um novo jeito de navegar pelo aplicativo de mapas, de uma maneira mais imersiva. De mudança, a visão não é aérea, como antigamente, mas pode ser na diaganal ou, no exemplo mostrado pela companhia. De acordo com a empresa, o Maps vai permitir que usuários vejam o interior de restaurantes, hotéis e outros estabelecimentos antes de fazer uma reserva, por exemplo. O recurso faz parte de um conjunto de atualizações que vai trazer detalhes específicos de diversos lugares no Mapas. A novidade deve estar disponível para todos os tipos de smartphone até o final deste ano.

Reforçando a pegada verde, o Google Maps irá mostrar trajetos que reduzam a pegada de carbono e, ainda, a plataforma fará o cálculo do quanto de CO2 foi economizado pelo usuário ao optar por uma rota de bicicleta ou a pé, por exemplo.

Papo reto com o assistente

Os avanços em IA também permitiram o Google a melhorar a comunicação dos usuários com o Google Assistente. Uma das novidades contorna a frase de ativação “hey, Google” no Google Nest Hub, aparelho que tem uma tela (e não está disponível no Brasil). Com ele, bastará o usuário olhar para a tela e falar. 

Novas frases são inclusas na assitente do Google Foto: Google / Divulgação

Segundo o Google, foram necessários seis modelos diferentes de IA, capazes de entender mais de 100 sinais do usuário, para que a máquina compreenda que está sendo acionada sem uma palavra chave — apenas com a força e o charme do olhar (e de outras palavras).

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Modelos de inteligência artificial 

Lançado em 2021, o LaMDA, sistema de inteligência artificial, foi aprimorado e voltou trazendo a "inteligência mais apta a conversação de todos os tempos". Segundo a empresa, o sistema foi atualizado para corrigir erros de respostas consideradas ofensivas ou incorretas.

Com foco em diálogos, a tecnologia consegue construir diálogos mais compreensivos do que um assistente de voz, incorporando informações de diferentes contextos possíveis. É por isso, por exemplo, que o LaMDA 2 consegue produzir uma resposta para perguntas como "o que seria um mundo feito de sorvete?" — a partir da informação do que são os conceitos "mundo" e "sorvete", a inteligência consegue desenvolver uma linha de raciocínio sobre a questão.

Reveja a transmissão. 

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