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Starship, foguetão de Elon Musk, realiza com sucesso 1º voo completo de sua história

Lançador Super Heavy e a nave principal voltaram à Terra pela primeira vez após uma viagem fora do planeta

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Foto do author Bruno Romani
Foto do author Guilherme Guerra
Foto do author Alice Labate
Por Bruno Romani,Guilherme Guerra e Alice Labate
Atualização:

A SpaceX conseguiu realizar o primeiro voo completo do Starship, superfoguete da empresa de Elon Musk. O maior foguete da história, que pesa 5 mil toneladas, decolou de Boca Chica, no Texas, às 9h50 do horário de Brasília e teve seus dois estágios de volta ao planeta com sucesso. Tanto o lançador Super Heavy quanto a nave principal desceram, respectivamente, no Golfo do México e no Oceano Índico como programado. O voo era não-tripulado.

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Um dos principais objetivos da missão, que era o retorno do lançador Super Heavy, foi atingido pela primeira vez - no terceiro voo a companhia perdeu contato com o componente a poucos quilômetros da superfície. Desta vez, ele desceu no Golfo do México apenas 7 minutos após a decolagem. A separação entre foguete e lançador começou a 75 km de altitude, com 3 minutos de voo.

Já a nave principal pousou no Oceano Índico cerca de 1 hora e 10 minutos após deixar a base nos EUA. A 55 km de chegar à superfície, parte da nave começou a apresentar falhas devido ao calor, e câmera da transmissão ao vivo teve a lente danificada, mas a nave ainda enviava dados, o que indicava que o voo acontecia com sucesso. A 4 km de altitude, o equipamento já estava abaixo da velocidade do som e se posicionou para a descida final com auxílio do motor Raptor Vacumn. O voo foi encerrado com sucesso perto das 11 horas da manhã.

Reveja a transmissão.

A decolagem foi realizada apesar de um dos 33 motores do lançador ter falhado na subida. A nave começou a reentrada na atmosfera às 10h29. Às 10h35, a 105 km de atitude, o equipamento começou a manobrar para a descida e reentrada na atmosfera. Às 10h39, em retorno à Terra, o foguete superou a marca de 72 km de altitude, superando o voo anterior, e tinha velocidade de mais de 26 mil km/h. As temperaturas não passaram dos limites fatais e a descida, auxiliada pela atmosfera (o que desacelera o foguete), foi estável. Com isso, o Starship é o maior foguete da história a realizar integralmente um voo fora do planeta.

O objetivo de Musk é utilizar o foguete para, em 2025, levar a tripulação da agência espacial americana (a Nasa) à Lua. A longo prazo, no entanto, o plano do bilionário é utilizar a nave para transportar carga e pessoas para Marte.

Decolagem do Starship nesta quinta Foto: SpaceX/Divulgação

Musk se pronunciou no X, ex-Twitter, após o pouso. “Apesar da perda de muitas peças e de um flap danificada, o Starship conseguiu pousar suavemente no oceano! Parabéns, equipe SpaceX, pela conquista épica!!”, escreveu às 11h08

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Melhorias e repetição da história

Para esse voo, a SpaceX disse que intencionalmente inseriu telhas de proteção térmica mais finas do que nos voos anteriores e que removeu outras duas telhas. Com isso, a expectativa é medir o quanto a espaçonave consegue resistir ao calor durante o voo, especialmente na reentrada na atmosfera. Apesar da perda de pedaços da nave, ela resistiu à viagem.

A SpaceX diz que foram feitas melhorias de software e hardware. A companhia também afirmou que implementaria mudanças operacionais, incluindo a eliminação do estágio quente do Super Heavy após a ignição para a volta do equipamento ao planeta. A ideia era reduzir a massa do lançador na fase final do voo.

Com o sucesso desta quinta, a SpaceX repete a sua própria história. Foi apenas no quarto voo que a companhia liderada por Musk conseguiu fazer o seu primeiro foguete voar com sucesso. Em setembro de 2008, após outros 3 voos fracassados, o Falcon 1 conseguiu atingir seu objetivo. A trajetória atual, porém, foi mais curta. O Falcon 1 precisou de dois anos e meio para conseguir o primeiro voo com sucesso, enquanto o Starship levou 1 ano e dois meses.

Apesar de câmera danifica, Starshio desceu com sucesso no Oceano Índico  Foto: SpaceX/Divulgação

Voo anteriores

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Em seu primeiro teste, o foguete decolou em abril do ano passado, mas explodiu quatro minutos depois do lançamento, a 39 quilômetros de altitude, por vazamento do propelente na parte traseira do propulsor Super Heavy, o que eventualmente cortou a conexão com o computador de voo principal do veículo. Segundo a Space X, isso levou a uma perda de comunicações com a maioria dos motores do propulsor e, finalmente, do controle do veículo.

À época, a explosão trouxe danos à região texana, fazendo “chover sujeira” em uma cidade próxima à decolagem, a 10 km do lançamento. O incidente chegou também a provocar um incêndio florestal, gerando uma investigação ambiental nos EUA.

Foguete Starship na base antes da decolagem  Foto: Eric Gay/AP

Para voar novamente, a Space X teve de cumprir com 63 exigências feitas pela administração federal de aviação dos Estados Unidos (FAA, na sigla em inglês) após a explosão. As mudanças incluíam uma relacionada ao processo de separação das naves, no qual o segundo estágio, a própria nave Starship, liga seus motores durante o mesmo processo de separação, e não depois, visando a obter mais potência.

Se tudo ocorresse como o planejado, o voo do Starship duraria 90 minutos, atingindo a órbita da Terra e dando uma volta quase completa ao redor do planeta.

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Já na segunda tentativa, em novembro de 2023, os 33 motores do Super Heavy, o primeiro estágio, funcionaram com sucesso, ao contrário do primeiro voo. Às 10h05, o foguete ultrapassou 39 km de altitude, ponto no qual h anteriormente. Às 10h06, o primeiro estágio se separou com sucesso, mas explodiu na sequência - ele deveria voltar e pousar na Terra.

O segundo estágio prosseguiu viagem, mas perdeu sinal com cerca de 9 minutos, após o desligamento dos seus motores, algo programado para a realização do voo em órbita. Engenheiros da companhia comemoraram, porém, o voo do propulsor, que alçou a nave Starship a até 90 km de altitude. O teste também tornou o Starship o maior foguete da história a entrar em órbita.

Na terceira tentativa, o Starship quase atingiu seu objetivo. Após realizar um voo quase completo em volta da Terra, o maior foguete da história a ir ao espaço explodiu no retorno para o planeta, a cerca de 72 km da superfície.

O lançador Super Heavy voltou à Terra, mas precisou ser detonado a poucos quilômetros do chão. Já a nave principal atingiu 234 km, entrando em órbita e realizando a trajetória programada para descer até o Oceano Índico. A transmissão perdeu sinal a cerca de 72 km da Terra e alguns minutos depois a companhia confirmou que perdeu o foguete.

Conheça o foguete Starship

O Starship é o foguete reutilizável mais potente desenvolvido pela Space X. O objetivo é levar a Humanidade à Lua e, depois, à Marte, cuja viagem deve durar US$ 10 milhões e US$ 60 milhões. A companhia diz que o foguete pode ser utilizado para transporte de até 150 toneladas de carga na Terra, com viagens de até uma hora e meia para qualquer parte do mundo.

“A Starship poderá transportar até 100 pessoas em voos interplanetários de longa duração”, diz em seu site a Space X sobre a espaçonave. “A Starship também ajudará a possibilitar a entrega de satélites, o desenvolvimento de uma base lunar e um transporte ponto a ponto aqui na Terra.”

O Starship é apelidado de “foguetão” porque é muito maior que o antecessor da Space X, o Falcon 9, de 70 metros. O irmão mais recente, no caso, mede 120 metros de altura, tem 9 metros de diâmetro e pesa 1,3 mil toneladas.

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A espaçonave traz o propulsor Super Heavy (de 69 metros de altura), responsável por levar o Starship até a órbita da Terra em cerca de 170 segundos. O lançador traz 33 motores Raptor, com empuxo de 72 meganewtons (o dobro do motor da Falcon 9, o Merlin). Assim como a nave principal, o lançador pode ser reutilizado para novos voos.

Já a nave Starship tem altura de 50 metros, é equipada com três motores Raptor e mais três motores Raptor Vacuum, modelo com escape maior para maximizar a eficiência no espaço. O veículo traz também um tanque de metano líquido e outro tanque de oxigênio líquido para combustão.

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