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O lado dos músicos

Artistas reclamam do valor recebido por execuções nos serviços de streaming e falam em ‘exploração’

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Por Camilo Rocha

Artistas reclamam do valor recebido por execuções nos serviços de streaming e falam em ‘exploração’

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SÃO PAULO – Músicos e bandas acusam a indústria fonográfica de exploração desde os primórdios da música gravada. Na era do streaming, porém, muitos acham que a situação piorou.

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Em novembro do ano passado, o músico norte-americano Damon Krukowski, das bandas Damon & Naomi e Galaxie 500, escreveu um desabafo para o site Pitchfork: “As maneiras em que os músicos são ferrados mudaram de golpes individuais a práticas sistêmicas”.

Para exemplificar, ele conta que uma das faixas do Galaxie 500, “Tugboat”, foi executada 7,8 mil vezes no Pandora no primeiro trimestre de 2012 e que isso rendeu 7 centavos de dólar para cada um de seus três compositores. No total.

“O dinheiro que ganhamos de downloads ilegais é exatamente o mesmo que ganhamos de Spotify ou Pandora: nada”, disse Krukowski ao Link por e-mail. “Eles deviam admitir que se aproveitam da cultura livre. Não sou contra cultura livre, pelo contrário. Mas por que algumas pessoas devem ganhar milhões com ela?”

Em novembro, outro nome conhecido do rock independente veio a público reclamar da remuneração ruim do streaming. A banda Dead Kennedys disse que 14 milhões de visualizações no YouTube tinham rendido somente “algumas centenas de dólares”.

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No Brasil, as mais de 11 milhões de execuções do vídeo da música “Oração” não renderam nem um real à Banda Mais Bonita da Cidade. O YouTube faz pagamentos de direitos autorais só para o Ecad, que depois distribui o dinheiro apenas para filiados a associações, o que não era o caso da banda.

Para o guitarrista dos Dead Kennedys, East Bay Ray, “não é legal que homens de negócios distribuindo a música ganhem mais que as pessoas que a criam”, disse ele ao Link. Ele mostra dados do Serviço de Estatísticas do Trabalho dos EUA que apontam uma queda de 45% no número de músicos trabalhando no país desde 2002.

Ray sugere modelos como o existente na Suécia hoje, onde se paga uma taxa mensal para ter música no computador ou telefone, “equivalente a outras mensalidades de internet”. Para alguns, a situação deve melhorar com o tempo. Donald S. Passman, advogado especializado na área, disse ao The New York Times que “artistas também não ganhavam muito quando os CDs apareceram”. Mathieu Le Roux, do Deezer, defende o streaming como modelo de “longo prazo”, que vai “seguir remunerando enquanto a música for tocada”.

Krukowski acha que a falta de comprometimento dessas empresas com os artistas sempre será um empecilho. “Para o YouTube não há diferença entre vídeos de gatinhos e vídeos do (cineasta russo Andrei) Tarkovsky. O que importa são as visualizações. Se nunca mais existir um Tarkovsky, que diferença fará para o YouTube?”

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