Entre festas e vendas

Sinais de arrefecimento da inflação reforçam a expectativa de uma economia mais saudável no próximo ano

O Estado de S.Paulo

13 Novembro 2016 | 06h00

Votos de boas-festas serão trocados, como sempre, no fim do ano, mas poucos poderão falar de boas vendas, segundo as projeções dos especialistas. Pela avaliação mais otimista, a economia brasileira chegou ao fundo do poço, mas ainda levará algum tempo para começar a subir de volta. As previsões de recuperação dos negócios estão focadas em 2017 - uma aposta vital para as empresas e para o governo. As vendas no período de Natal serão menores que as de 2015, de acordo com executivos de 53,4% das companhias consultadas em pesquisa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). 

A expectativa de vendas iguais às de um ano antes foi indicada por 28,6% dos consultados, enquanto 16,6% disseram prever um movimento maior. Mas esse levantamento, apesar dos números feios, pelo menos deixa entrever algum otimismo. Os mais pessimistas eram 62,1% em 2014 e 81% no ano seguinte, recordaram os condutores da sondagem.

As encomendas para o fim de ano estão mais fracas e, de acordo com 39,8% dos informantes, mais atrasadas que em 2015. As vendas devem ser em média 6,5% menores que as do ano passado, mas também essa previsão indica uma recuperação do otimismo. 

Em 2015, a expectativa era de queda de 14,1%. Em 2014, de 7,8%. A mudança nas previsões, nesse período, acompanhou, claramente, o agravamento da recessão de 2014 para 2015 e a mudança da política econômica a partir do processo de impedimento da presidente Dilma Rousseff. Embora a atividade continue reduzida e o desemprego permaneça elevado, com risco até de aumentar, a mudança de orientação pelo menos parece apontar um caminho de superação da crise.

Essa percepção tem sido indicada por várias pesquisas, nos últimos meses, sobre o nível de confiança dos empresários. Os indicadores de confiança têm oscilado, e até caído por causa da demora da recuperação, mas continuam claramente mais altos que nas piores fases da crise.

Apesar da melhora de humor de empresários e até de consumidores, os negócios continuaram fracos no terceiro trimestre. O grande acontecimento político do período foi a conclusão do processo de afastamento da presidente Dilma Rousseff. A confirmação do presidente Michel Temer como titular do posto até o fim de 2018 deu mais segurança ao governo, até então provisório, para encaminhar medidas de ajuste das contas públicas e avançar em discussões mais complexas, como a da reforma da Previdência.

Mas o trimestre, segundo as informações setoriais divulgadas até agora, deve ter sido mais um período de contração do Produto Interno Bruto (PIB). O balanço trimestral deve ser publicado no fim do mês. Se o resultado for positivo, ou mesmo equilibrado, a maioria dos especialistas - talvez a totalidade - será com certeza surpreendida.

O mau desempenho da indústria no terceiro trimestre já é conhecido. Os dados mensais apontaram queda de 0,1% em julho e de 3,5% em agosto e um crescimento de 0,5% em setembro, insuficiente para compensar os números negativos dos dois meses anteriores.

Além disso, a retração do consumo continuou no período de julho a setembro. No mês final do período as vendas do varejo restrito diminuíram 1%. As do varejo ampliado (com inclusão de veículos e peças e também de material de construção) encolheram 0,1%.

Os primeiros dados de outubro também foram ruins. Mesmo com aumento de 2,3% na produção de veículos, as montadoras foram incapazes de retomar o nível de atividade perdido nos dois meses anteriores, quando houve quedas de 6,4% e de 3,9%.

Sinais de arrefecimento da inflação reforçam a expectativa de uma economia mais saudável no próximo ano, assim como o avanço, no Congresso, da proposta de criação de um limite para o aumento de gastos. A recuperação, tudo indica, deve ser lenta, especialmente por causa da provável demora na reabertura de postos de trabalho. Mas o cenário já deverá ser mais animador bem antes do Natal de 2017.

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