Investimento em infraestrutura aumenta competitividade-executivos

O anúncio dos investimentos em ferrovias e rodovias brasileiras, feito na quarta-feira, foi muito bem recebido pelo setor privado, mesmo que tenha sido visto como tardio.

Reuters

16 de agosto de 2012 | 13h36

Um importante benefício do pacote de 133 bilhões de reais é o aumento da produtividade e da competitividade das empresas brasileiras, segundo empresários e membros do governo reunidos em São Paulo nesta quinta-feira.

"(O pacote) abre oportunidades de investimentos de uma forma tão ampla que eu acredito que esse seja o momento da virada", afirmou o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Mauro Borges, em evento sobre economia brasileira em São Paulo.

Para o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, a melhoria das malhas rodoviária e ferroviária elevarão o nível de investimentos no Brasil. "É um investimento que dará competitividade para as nossas empresas no futuro. É fundamental escoar a produção", disse Andrade, que afirma que o futuro pacote de investimento em portos e aeroportos é tão fundamental quanto o pacote já anunciado.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, destaca a melhora do modelo de concessão em relação a certames anteriores.

"É um modelo que permite um acompanhamento mais eficiente, mais próximo, do Estado. É um modelo aperfeiçoado", garantiu.

Em rodovias, onde serão destinados 7,5 mil quilômetros à iniciativa privada, o modelo será diferente que o visto em 2007: a empresa vencedora somente poderá cobrar pedágio após a conclusão de 10 por cento dos investimentos previstos, e grande parte dos investimentos estará concentrado nos cinco primeiros anos de concessão.

Em ferrovias será adotado um modelo de Parceria Público-Privada em que a construção e operação dos 10 mil quilômetros de novos trilhos serão de responsabilidade da estatal Valec, e ela será responsável em ceder aos interessados horários e trechos nesses locais.

"Estamos reduzindo o risco de fato para motivar o capital privado a vir. Ninguém vai perder porque são obras estruturantes", completou o ministro Pimentel.

Para o presidente da General Motors na América Latina, Jaime Ardila, o anúncio de quarta-feira "foi um passo na direção certa, e auxilia o Brasil nos seus planos de se tornar mais competitivo no futuro.

"As melhores políticas são aquelas que corrigem distorções... O passo de ontem foi o correto a se fazer", disse.

O ex-presidente do Banco Central e presidente do Conselho de Administração do grupo J&F, Henrique Meirelles, afirmou que de 1981 a 2002 o Brasil cresceu uma média de 3 por cento ao ano, e de 2004 a 2010 o crescimento foi de 5 por cento, e, apesar do avanço ser positivo, a infraestrutura brasileira não acompanhou o ritmo.

"Isso não é só muito importante, é crítico. O fato é que houve muitos gargalos nesse período, principalmente em transportes", completou o executivo.

(Por Carolina Marcondes)

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