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Uma força para o ofício

Bernardo Senna se divide entre a criação e o incentivo a jovens profissionais

Julia Contier / REPORTAGEM,

20 de janeiro de 2011 | 08h00

Desde o início de sua carreira, ainda na sala de aula, Bernardo Senna é preocupado em estimular o desenvolvimento do design brasileiro. Formado em design de produtos pela Universidade Federal do Rio Janeiro (UFRJ) em 1997, ele atua na organização de exposições e de livros, como jurado de premiações e como ponte entre indústria e jovens profissionais, além de continuar criando peças de mobiliário e acessórios para diversas empresas. O profissional carioca, de 35 anos, falou ao Casa sobre a carreira e o momento do design nacional.

 

Como vê as perspectivas para a atual geração de designers?

Estamos vivendo um cenário muito positivo. Além da nova geração, os designers das décadas de 60 e 70 também estão sendo reconhecidos. Isso por conta do momento econômico positivo que o Brasil está passando.

 

É um mercado difícil para jovens profissionais?

Hoje é relativamente fácil conseguir emprego como designer de móveis. No Paraná, em Santa Catarina e em São Paulo, há muitas oportunidades de emprego. Mas, se o jovem quer trabalhar com um design mais autoral, deve tentar colocar seu nome no mercado, criando protótipos e mostrando para as indústrias.

 

É possível apontar uma tendência no design brasileiro hoje?

Uma coisa que está acontecendo, e que é muito positiva, é que não existe tendência. São pessoas diferentes, criando para um público diferente, como a classe D, por exemplo, que está começando a consumir. A diversidade é a nova tendência.

 

Existem diferenças relevantes no mercado de trabalho em diferentes Estados?

São Paulo, Rio e Belo Horizonte são centros cosmopolitas, mas as grandes indústrias estão no Sul do País. Então, você vê que, tecnicamente, os designers de lá são muito bons, mas acredito que falta a eles uma vivência cultural. Aqui a gente tem designers com boa bagagem cultural, mas com pouca experiência técnica. O ideal é promover um intercâmbio. Trazer as indústrias para cá e levar os designers para lá.

 

 

Os prêmios são importantes para iniciantes?

Importantíssimos. Participar de um concurso não é só escolher um produto e mandar. É olhar o que está sendo feito e tentar fazer melhor. E, quando se consegue ganhar um prêmio ou mesmo ser finalista, é uma oportunidade de se inserir no mercado e fazer contatos.

 

Quais são os principais prêmios nacionais?

Felizmente, temos vários, como o Prêmio do Museu da Casa Brasileira, o Salão Design Móvel Sul, o Movelpar, o da Tok&Stok, entre outros.

 

Você trabalhou no Instituto Nacional de Tecnologia (INT) e, anos depois, no Centro Design Rio. Hoje atua como jurado em concursos. Sempre se interessou por atividades de incentivo?

Sim. No INT trabalhei em vários projetos para pequenas e grandes empresas. No Centro Design Rio organizamos exposições e livros. Entendo, de um lado, a dificuldade dos profissionais, de serem aceitos pelas empresas, e, de outro, das indústrias, de perceberem o valor do design, e procuro articular isso, aproximando profissionais e indústrias que tenham perfis compatíveis. Apresentei, por exemplo, a Renata Moura à Trama Fhina. E recomendo diversos nomes à Schuster, empresa para a qual trabalho.

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