Marca que disfarça cheiro de cocô ampliou para mau hálito, protetor labial e picada de mosquito

FreeBrands, dona do desodorizador Freecô, aposta agora em outros produtos de higiene pessoal

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Por João Scheller
Atualização:

Em 2014, os amigos Rafael Nasser e Renato Radomysler viram demanda por um produto que solucionasse um problema comum para todas as pessoas: o mau cheiro deixado no banheiro ao fazer cocô.

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Então trabalhando na marca de essências recém-comprada pela família de Radomysler, os dois desenvolveram o Freecô, um produto que promete bloquear os odores deixados pelas fezes. Ele é aplicado no vaso sanitário antes de a pessoa fazer o cocô. Com isso, cria uma película na água, que impediria a propagação de mau cheiro. A embalagem é pequena, cabe no bolso e pode ser levada a qualquer lugar.

Quase dez anos depois, a empresa fundada pelos dois, a FreeBrands, passou a ofertar diferentes produtos voltados para higiene pessoal: de spray para mau hálito, protetor labial e lenços antissépticos. Atualmente a empresa se posiciona como uma companhia focada no lançamento de produtos inovadores de higiene pessoal.

Com um faturamento de R$ 50 milhões em 2022, a marca pretende aumentar em 40% esse número até o final de 2024, apostando, principalmente, na internacionalização, vendendo o Freecô e o recém-lançado hidratante labial Beta em países de Europa, América do Norte e Oriente Médio.

Rafael Nasser (à esquerda) e Renato Radomysler, fundadores da FreeBrands Foto: FreeBrands/Divulgação

Freecô surgiu após pesquisa sobre vergonha de ir ao banheiro

Antes de lançarem o Freecô, Nasser e Radomysler encomendaram uma pesquisa de mercado para entender se a vergonha de ir ao banheiro em locais públicos era de fato um problema.

“A gente percebeu que existia um problema com ir ao banheiro, tanto por uma questão social, como de saúde”, diz Rafael Nasser, que também é CEO da companhia. “As pessoas não iam ao banheiro por vergonha do mau cheiro, mas também tinham vergonha de falar sobre o assunto”, afirma.

Foi com base nessa análise que os sócios tocaram o desenvolvimento do bloqueador de odores em 2015. Apesar de outros produtos no mercado voltadas para o mau cheiro no banheiro se posicionarem como itens de limpeza, a ideia era tratar o Freecô como um produto voltado para higiene pessoal. Os sócios conheciam soluções similares vendidas no exterior e acreditaram que o produto tinha espaço no Brasil.

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Por conta disso, o desodorizador foi lançado com foco na venda em farmácias, assim como em varejistas e sites de e-commerce. Hoje, a empresa paulistana conta com distribuição nacional, apesar da presença mais forte nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste.

Tabu do ‘número 2′

A divulgação do produto também contou com uma campanha de marketing voltada para acabar com o que chamam de tabu para falar sobre o cocô - até hoje, nas comunicações da empresa, ele é tratado como “número 2″.

O sucesso das vendas permitiu que a marca expandisse e passasse a comercializar outros produtos, mas a representatividade do Freecô ainda é considerável - ele responde atualmente por 60% do faturamento da companhia.

“O mercado vem entendendo a importância dessa solução”, afirma Nasser, ao citar a chegada de concorrentes de seu produto, inclusive marcas proprietárias das redes de farmácia que ajudaram o Freecô a se tornar conhecido.

Freecô promete bloquear os odores deixados pelas fezes Foto: FreeBrands/Divulgação

Expansão com lenços de limpeza e hidratante labial

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Cerca de quatro anos após o lançamento do Freecô, a marca começou a comercializar lenços antissépticos para limpeza das mãos, os Free Wipes. Com a chegada da pandemia, apesar de o produto não conter álcool em sua composição, a empresa surfou no boom de vendas de produtos de limpeza e higiene

Na sequência, lançou um gel para aliviar a dor de picadas de inseto, chamado de Free Bite, com base em ingredientes naturais, assim como um spray contra o mau hálito, Kissu.

Mais recentemente foi a vez da linha Beta, de dermocosméticos, que tem como primeiro produto um protetor labial feito com matérias-primas naturais e brasileiras.

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Lançada no ano passado, com campanha de divulgação em parceria com a atriz Giovanna Ewbank, a linha se tornou o segundo produto mais rentável para a companhia e, no primeiro trimestre de 2024, passará a contar também com um hidratante para as mãos.

Apesar dos diferentes produtos se destinarem para fins distintos, Nasser diz que os conceitos e formulações continuam os mesmos.

“A FreeBrands acredita em produtos e soluções inovadoras que sejam, na sua grande maioria, compostos por matérias-primas naturais e sustentáveis”, afirma.

Internacionalização é nova aposta da empresa

O plano agora, segundo Nasser, é expandir as vendas e mirar em mercados de diferentes países, usando os seus dois produtos de maior sucesso.

Presentes nos EUA desde 2022, por meio de uma filial, a FreeBrands já vende na Amazon americana e estrutura sua expansão com varejistas e distribuidores locais. “Os Estados Unidos são um mercado que vemos como prioritário para nós”, diz.

Além dos EUA, a marca também está presente em Portugal através de um parceiro local, mesma situação que ocorre no Chile. Segundo Nasser, a ideia é começar a vender no Reino Unido e nos Emirados Árabes em breve.

“Um dos nossos principais pontos de crescimento vai ser no exterior”, afirma Nasser. A empresa projeta que as exportações representarão cerca de 10% do faturamento de R$ 70 milhões estimados para 2024.

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