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Franquia da Polishop é uma boa ideia para investir após fechamento de mais de 100 lojas?

Empresa quer crescer em pequenas cidades; especialistas avaliam que modelo do negócio está mudando, a dívida da empresa não é grande em relação ao volume movimentado, mas há riscos

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Foto do author João Scheller
Por João Scheller

A Polishop irá apostar em franquias para crescer e aumentar sua capilaridade, em especial no interior de São Paulo. O movimento ocorre em meio à notícia de que a empresa fechou mais de 100 lojas em shopping centers e de que possui dívidas referentes ao aluguel dos espaços que somam R$ 9 milhões. Seria seguro investir numa franquia num momento desses?

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A ideia da marca é contar com os franqueados para a expansão da empresa por pequenas cidades, atuando em conjunto com grandes lojas próprias, que operariam também como centros de distribuição das mercadorias. Isso evitaria que os franqueados precisassem manter estoques grandes, baixando o preço de investimento no modelo. A expansão seria acompanhada ainda pelo aumento de participação de marcas próprias no portfólio da empresa.

Especialistas ouvidos pelo Estadão veem vantagens na estruturação de franquias da Polishop e destacam a integração do modelo de lojas físicas às vendas on-line. Eles pontuam, porém, que a maior dificuldade será a adaptação do próprio modelo de negócio da marca, que sofreu com a alta concorrência gerada pelo avanço do e-commerce e das compras internacionais nos últimos anos.

As franquias da Polishop contarão com três tipos de loja, com investimento inicial de R$ 250 mil para o modelo menor, R$ 370 mil para a loja intermediária e R$ 500 mil para a maior unidade. O faturamento estimado é de R$ 90 mil, R$ 120 mil e R$ 150 mil por mês para cada modelo, respectivamente. A margem de lucro gira em torno de 12% a 15%, com o retorno do investimento ocorrendo de 24 a 30 meses.

João Appolinário, fundador da Polishop Foto: Marcelo Chello/Estadão

Modelo de negócio é mudança central

“Não é só uma mudança estratégica, é uma mudança de modelo de negócio”, destaca Rafael Ribeiro, consultor de marketing da Raz Consulting, ao mencionar as incertezas referentes à reestruturação da empresa.

Segundo Ribeiro, a expansão por meio de franquias é uma boa estratégia do ponto de vista empresarial, mas pode não ser tão vantajosa para os franqueados, em especial considerando o momento em que a empresa se encontra. “Quem investe em franquias quer certeza, e não estamos vendo isso”, afirma.

Ele menciona ainda que o fechamento de lojas e as dívidas de aluguel fazem parte de um processo de negociação com os shoppings e que os valores devidos pela empresa são pequenos em relação ao tamanho e faturamento da marca, visão compartilhada por outros especialistas ouvidos pela reportagem.

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A Polishop não divulga os números atuais, mas o faturamento em 2019 era de cerca de R$ 1,5 bilhão ao ano. Segundo o presidente e fundador da Polishop, João Appolinário, houve uma queda de cerca de 30% no faturamento da empresa em comparação com o seu “melhor momento”. Os custos da companhia caíram pela metade, segundo ele, durante este período.

Para José Sarkis Arakelian, professor da FAAP e consultor em estratégia de marketing, a proposta de franquias da Polishop está alinhado com a transição do varejo para um modelo híbrido, no qual operações físicas e on-line estão completamente integradas.

“Me parece que ele busca, na capacidade de distribuição, um aumento do volume, sem ter o aumento de investimento”, afirma. Para o franqueado, diz, o modelo seria vantajoso considerando o investimento em inovação da Polishop em seus produtos autorais.

A opinião é compartilhada pelo consultor de negócios do Sebrae-SP Leandro Reale, que vê positivamente o modelo de expansão da Polishop via franquias, mas destaca a competitividade do setor. “É mais uma franquia no meio de todas”, afirma. “Tudo vai depender do formato e do retorno sobre o investimento”, completa.

Appolinário defende que o fechamento de lojas próprias da Polishop não tem relação com o lançamento do modelo de franquia Foto: Marcelo Chello/Estadão

Franquia não tem relação com fechamento de lojas, diz empresa

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Segundo João Appolinário, o lançamento de franquias da marca não está relacionado com o fechamento de lojas da empresa, que vem ocorrendo desde o início do ano.

“A gente não vai acabar com as nossas lojas próprias. O fechamento de lojas próprias não tem a ver com o modelo de franquia, mas com o crescimento muito forte do e-commerce e da migração do cliente que estava comprando só em loja física”, afirma Appolinário.

Ele conta que o modelo pensado pela Polishop aposta na criação de mega stores que atuariam como centros de distribuição para os franqueados nas cidades próximas. A ideia da empresa é ter cinco lojas do tipo em cinco diferentes capitais do País e em Campinas (SP), onde a unidade já está em operação.

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Polishop irá apostar na expansão via franqueados com a instalação de grandes "lojas pulmão" para distribuição de produtos Foto: Marcelo Chello/Estadão

“Será uma loja pulmão para atender o franqueado num determinado raio de distância, para que ele não precise carregar um estoque grande”, afirma. “Na linha fitness, por exemplo, ele só precisa ter mostruário, porque ninguém sai com uma esteira ou uma bike debaixo do braço”, completa, ao mencionar que as entregas poderão ocorrer até no mesmo dia da compra, como se o estoque estivesse na loja do franqueado.

O empresário destaca ainda que as vendas realizadas por meio do site ou de canais como WhatsApp também contarão com a participação do franqueado. “Nós temos a figura do gerente digital, que opera na sua região, com o seu Instagram e os seus produtos. Ele se comunica digitalmente com aquelas pessoas que estão ao redor dele”, afirma.

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