Ele vendeu banana na feira com 12 anos e hoje fatura R$ 40 milhões treinando empresários

André Menezes vendia picolé e banana quando criança na feira; hoje é dono do Imperium Group e faz mentoria para empreendedores

Foto do author Felipe Siqueira
Por Felipe Siqueira

André Menezes teve que começar a ajudar a família desde cedo. Quando tinha apenas 12 anos, passou a cuidar do irmão, 7 anos mais novo, após perder o pai e enquanto a mãe trabalhava. Depois de altos e baixos, começou a empreender, quebrou dois negócios em áreas diferentes, mas conseguiu se recuperar. Em 2023, faturou R$ 40 milhões com o Imperium Group, treinando empresários em temas como gestão, marketing e vendas. Conheça a história dele a seguir.

PUBLICIDADE

Quando tinha 12 anos, começou a trabalhar vendendo picolé aos domingos em uma feira na cidade de Taboão da Serra, região metropolitana de São Paulo onde cresceu. “Eu tive que ajudar em casa, não tinha opção. Talvez eu nem fosse empresário se não tivesse passado por isso. E não me atrapalhou na escola, porque eu estudava em um turno e trabalhava em outro”, comenta.

Nesse meio tempo, descobriu que poderia ganhar um pouquinho mais se fosse vender banana em uma barraca de feira - e assim o fez: “chegava às cinco da manhã, descarregava caminhão, montava a barraca, pegava as caixas de bananas e vendia”, relembra.

Mas essa rotina não durou muito tempo. A mãe dele trabalhava em um açougue na região de Pinheiros, em São Paulo, que era propriedade de um tio dele. “Ela teve a ideia de ter uma barraca de tempero do lado de fora. E lá eu fui.”

Tendo o tio como referência, decidiu que gostaria de ser empresário. “Ele tinha bons carros, morava em uma casa legal, viajava com a família nas férias. Eu achava isso o máximo. Até aquele momento eu não sabia o que era ser empresário. E o desejo surgiu” fala.

Empacotador em supermercado e compra de lava-rápido

Porém, como ainda era muito novo, ainda não era a hora. Buscando um trabalho mais fixo, ele conseguiu o primeiro registro em carteira aos 14 anos de idade, em uma floricultura na avenida Europa, na capital paulista. A virada maior até então na vida de André veio no emprego seguinte, que conseguiu por indicação de um amigo: empacotador de um supermercado - também na capital. “Eu ganhava de três a quatro vezes o valor do meu salário só em caixinha.”

Com isso, chegando perto dos 18 anos, conseguiu fazer a primeira compra grande: um fusca. Enquanto isso, a mãe conseguiu comprar uma lanchonete dentro de um lava-rápido em Taboão da Serra.

Publicidade

Depois, o lava-rápido foi colocado à venda. “Conversei com o dono, fiz uma proposta, dei o fusca de entrada e parcelei o resto. Realizei meu sonho de ser empresário”, diz.

O empresário André Menezes  Foto: Matheus Rodrigues/Divulgação

As coisas começaram a caminhar bem, com a receita do negócio crescendo. “Eu trabalhava de domingo a domingo”. Só que em uma noite alguns homens entraram no local e levaram todo o equipamento especializado do empreendimento. “Perdi tudo ali. E não tinha capital de giro nem noção administrativa.”

Em algumas semanas, recuperou o necessário para tocar o lava-rápido, mas o estrago já estava feito. Tinha perdido clientes, não estava conseguindo fechar as contas, e as dificuldades continuaram a aumentar. Após cerca de dois anos com o negócio, teve que se desfazer dele “a preço de banana”.

Franquia de filtros

Para se reconstruir, passou a vender consórcios, de porta em porta. Por pouco mais de dois anos, essa foi a rotina dele. Até que apareceu a oportunidade de vender filtros de água, em uma empresa que prometia um certo plano de carreira, com crescimento dentro da estrutura. “Eu fui. Tinha 23 anos.”

PUBLICIDADE

Na época, ele comprou uma franquia da marca e conseguia ter uma boa margem nas vendas. Mas, depois de um tempo, os cheques dos clientes começaram a voltar, os pagamentos foram ficando cada vez mais escassos, até que ele quebrou - pela segunda vez. Contas ficaram atrasadas, cheques foram devolvidos e o carro foi apreendido por conta de dívida.

Vendedor de curso e dono de franquia

Nesse momento, veio o que seria a grande virada de chave para a vida de André: “fui trabalhar vendendo cursos (profissionalizantes) para a Microlins”, recorda. “Fui para lá porque a minha esposa, Patrícia, na época minha namorada, trabalhava lá”, complementa.

Ele foi crescendo dentro da empresa. Em paralelo, criou um grupo de empresários, uma espécie de consultoria comercial, no qual os ajudava a vender mais. “Fui aprendendo muito sobre vendas e gestão nessa época.”

Publicidade

Em 2012, com 30 anos, surgiu a oportunidade de comprar a primeira franquia da marca. “Minha chance de empreender de novo”, pensou.

Nos anos seguintes, ele e a esposa foram se estruturando, buscando ajuda de consultorias, como a do Sebrae. Formado em marketing, ele foi fazer MBA em gestão de pessoas na FGV e também alguns cursos nos EUA. Até que veio a segunda franquia da Microlins.

“Tem uma série de habilidades e conhecimentos que são necessárias serem adquiridas no processo”, comenta. Abriu mais duas franquias da Microlins.

Começo da consultoria foi caseiro

Então deu o próximo passo: avançar com a ideia da consultoria para empresários. “Queria compartilhar minha experiência.”

A coisa começou um pouco “caseira”. Na estrutura da própria rede em que ele era franqueado. Com três unidades, juntou outros franqueados, totalizando mais de dez escolas.

Esse foi o embrião do negócio principal de André hoje, que surgiu em 2017. Em novembro daquele ano, foi o primeiro evento. “Aluguei uma sala em um hotel, consegui colocar 121 empresários. Em dois dias, ensinei o que vinha aprendendo ao longo da minha carreira”, fala. Desde 2020, o empreendimento se chama Imperium Group

Ele diz que tem uma metodologia própria com o seguinte programa: vendas previsíveis, finanças lucrativas, gestão eficiente, marketing estratégico, cultura de resultados e liderança empresarial.

Publicidade

Em 2018, segundo ele, foram 500 empresários. Na terceira edição, foram mil, o que já rendeu um faturamento de R$ 5 milhões, mais do que as três escolas franqueadas que ele tinha juntas.

Na pandemia, houve uma reestruturação, com tudo sendo realizado de maneira online, com queda de faturamento - cerca de R$ 4 milhões.

Em 2021, se recuperaram, com pouco mais de R$ 8 milhões de receita bruta. E, em 2022, alcançaram R$ 25 milhões. Para 2023, o faturamento ficou em cerca de R$ 40 milhões.

Após isso, decidiu vender as franquias da Microlins.

Avaliação de clientes

No ReclameAqui, plataforma que reúne queixas de clientes, o Imperium Group teve 16 reclamações em 2023, sendo que todas foram respondidas. A taxa de resolução é de 90% e tem como nota geral 6,9, considerada como regular pelo site. O índice mais baixo da marca é na categoria “voltariam a fazer negócio”: 30%.

Questionado sobre o tema, André respondeu à reportagem que, internamente, fora do ReclameAqui, o índice de renovação de clientes está acima de 50%, com notas de recomendações altas. “A maior parte das reclamações (na plataforma) envolvem termos que foram assinados em contrato e não lidos pelo cliente na assinatura”, afirma o empresário.

Cuidados ao contratar uma consultoria

De acordo com o vice-presidente da vertical de consultoria do Grupo 300 Ecossistema de Alto Impacto, Lucien Newton, o modelo de mentoria para empresários funciona e pode trazer resultados interessantes ao negócio. Porém, é preciso ter dois cuidados principais:

Publicidade

  • O primeiro é em relação ao conhecimento do empreendedor o que ele espera de uma consultoria. De acordo com Newton, que trabalha diretamente com este tipo de expertise, muitos clientes chegam para as empresas especializadas e não têm noção do que querem ou podem extrair de um serviço como este. “O cliente precisa estudar para conseguir ter uma troca boa com o consultor. Não pode entregar tudo na mão dele. Até porque o especialista vai embora, mas a empresa e os donos ficam. O trabalho tem que ser em conjunto”, explica.
  • O segundo ponto de atenção é experiência: o ideal, como explica Newton, é contratar alguém que já tenha colocado ideias em prática e, consequentemente, acertado e errado em algumas delas. Isso, ressalta o especialista, vai fazer com que a trilha a ser seguida seja mais adequada e com menos chances de erros. “É importante ver a história do consultor. O contratante precisa pesquisar com profundidade o que o consultor já teve de resultado, para não cair no papo de quem vende o que não faz. O famoso ‘fique milionário e pergunte-me como’, mas o cara que vende está quebrado”, conclui.
Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.