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Roupa de brechó perde estigma e ajuda a preservar o meio ambiente

Com preços atraentes e visão sustentável, franquias apostam no reúso de roupas como forma de gerar menos lixo e emissões

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Por Lilian Cunha
Atualização:

A designer Giselle Barreto comprou um vestido praticamente novo num brechó por R$ 60. A peça, de uma grife carioca famosa, não sairia por menos de R$ 200 na loja.

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O sentimento de ter feito um bom negócio e a sensação de estar ajudando a produzir menos lixo fazem Giselle gostar ainda mais do que comprou. “Antigamente, a pessoa dizia que tinha nojo de roupa de brechó. Não queria usar coisas que foram de gente morta”, conta, rindo, Bruna Vasconi, fundadora e presidente da rede de franquias Peça Rara Brechó, que tem como sócia a atriz Deborah Secco.

É por isso que redes de franquias como a Peça Rara e a Cresci e Perdi, especializada no nicho infantil, são consideradas hoje negócios que têm tudo a ver com os princípios ESG – sigla em inglês que se refere aos preceitos de respeito ao meio ambiente, ao social e à governança.

Os preços, e principalmente o ambiente nas lojas dessas franquias, ajudam a convencer clientes de que comprar roupa usada pode ser bom Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Um quilo de algodão usado na confecção de roupas libera cerca de 32 quilos de dióxido de carbono. Cerca de 70% das plantações de algodão do mundo são irrigadas e, para colocar no mercado um quilo da fibra, são utilizados em média 10 mil litros de água. Só uma mísera calça jeans tem uma pegada de carbono que pode chegar até 24,8 quilos de CO2 por peça, segundo o relatório Fios da Moda.

Os preços, e principalmente o ambiente nas lojas dessas franquias, ajudam a convencer de que comprar algo de segunda mão é um boa. “Nossas lojas têm cheiro de cereja”, conta Eliane Alves de Mello Baptistella, que fundou a Cresci e Perdi. Ela mandou desenvolver a fragrância que perfuma todas as 438 unidades da rede, onde um “body” (macacãozinho sem pernas de bebê, que nas lojas custa em média R$ 30) – é vendido por preços de R$ 5 a R$ 10. Na Peça Rara, por exemplo, nada lembra o clima de bazar de igreja. As lojas têm uma decoração moderna, são bem iluminadas e cheirosas.

De onde vem

Nas duas redes, o negócio não é apenas o de vender roupas. Mas de comprar também. Na Peça Rara, que tem 100 lojas, espalhadas por quase todos os Estados, há 158 mil fornecedores ativos (clientes que revendem seus itens na rede) e 2 milhões de peças cadastradas.

Na rede, as roupas, calçados, peças, itens de decoração dos clientes passam por uma triagem antes de serem aceitos. Um sistema de etiquetas inteligentes faz a gestão do estoque: cada produto recebe uma dessas etiquetas, que avisa quando o item é vendido. Se não for, ele entra em promoção. E, caso, mesmo assim, não seja vendido, depois de alguns meses, ele pode voltar para o primeiro dono ou – se for da vontade dele, ir para doação para o Instituto Peça Rara. “Aqui, 94% do que entra para loja é vendido”, diz Bruna.

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Na Cresci e Perdi, as peças aceitas são pagas na hora para o cliente, em dinheiro ou em vale compras. “De cada dez clientes que entram na loja, oito compram”, afirma Eliane.

Por isso, o mercado de roupas usadas deve crescer de 15% a 20% até 2030 no País. Conforme uma pesquisa do Instituto de Economia Gastão Vidigal, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a moda de segunda mão tem potencial para ultrapassar o mercado de roupas comuns até 2030.

Os dados citados neste texto foram coletados originalmente em junho de 2023.

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