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Assessora de Anielle é demitida do Ministério após ofender torcida do São Paulo e os paulistas

Em nota, a pasta disse que as manifestações de Marcelle Decothé da Silva ‘estão em evidente desacordo com as políticas e objetivos do ministério’

Foto do author Isabella Alonso Panho
Por Isabella Alonso Panho
Atualização:

Marcelle Decothé da Silva, assessora especial de assuntos estratégicos do Ministério da Igualdade Racial, foi demitida da pasta nesta terça-feira, 26. No domingo, 24, enquanto acompanhava a ministra Anielle Franco em uma agenda oficial, ela debochou e ofendeu a torcida do São Paulo Futebol Clube e os paulistas. Ela viajou com a ministra de Brasília a São Paulo em avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para participar de um ato antirracista antes da partida, e depois assistiu ao jogo do time contra o Flamengo.

“Torcida branca, que não canta, descendente de europeu safade... pior de tudo pauliste”, escreveu a assessora nas redes sociais, usando adjetivos em linguagem neutra. As declarações repercutiram mal e a ministra telefonou para os presidentes do São Paulo e da torcida Independente para pedir desculpas. A Independente pediu a demissão da assessora.

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Em nota, a pasta disse que “as manifestações públicas da servidora em suas redes estão em evidente desacordo com as políticas e objetivos do ministério” e que a demissão de Decothé foi para “evitar que atitudes não alinhadas a esse propósito interfiram no cumprimento de nossa missão institucional”. Ela ocupava o cargo de chefe da assessoria especial do Ministério. Leia a íntegra da nota no final da reportagem.

Um comitê interno foi criado para investigar a conduta de Decothé e das demais assessoras da pasta. “Recém-instalado pelo Ministério, o Comitê de Integridade, Transparência, Ética e Responsabilização – instância interna de debate e sobre situações que envolvam temas de transparência, integridade pública, ética e questões disciplinares de caráter abrangente – vai investigar o caso”, diz a nota que anuncia a demissão da assessora.

Marcelle Dechoté da Silva chamou a torcida do São Paulo de 'branca' e 'safade' Foto: Reprodução/Twitter/@amandavetorazz

Além dela, outras funcionárias do Ministério apareceram em publicações debochando da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), como mostrou o Estadão. “30 segundos de diálogo com a CBF, já viraram patriotas. Prontas pro cancelamento”, escreveu a assessora demitida nas redes.

Assessoras de Anielle Franco debocham da STF em voo da FAB e abrem camisa do Fla em torcida do São Paulo Foto: Instagram/Reprodução

Ela também apareceu em storys de outra assessora, Luna Costa, abrindo uma camiseta do Flamengo no meio da torcida são-paulina e correndo com uma pasta com o timbre do governo federal. Dentro, estava o documento que a ministra assinou com a CBF.

“Realidade = derrota do Flamengo + saindo andando com o protocolo de intenções do Gov Federal na mão + tentando achar transporte + gás lacrimogêneo + olho e boca ardendo”, escreveu Costa na imagem em que Decothé aparece com a pasta de documentos.

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Assessoras de Anielle Franco fazem brincadeiras em avião da FAB, cutucam CBF e torcida do São Paulo e posam com documento do governo Foto: Instagram/Reprodução

Parlamentares de oposição foram ao Ministério Público pedir que a entidade abra uma investigação criminal contra Decothé. Kim Kataguiri (União Brasil-SP) e Paulo Bilynskyj (PL-SP) acusam a agora ex-assessora de ter cometido o crime de discriminação, que pode ser punido com um a três anos de reclusão.

Entenda o caso

No domingo, Anielle Franco e um grupo de assessoras viajou a São Paulo usando um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para irem ao jogo da final da Copa do Brasil, no estádio do Morumbi, na capital paulista. O uso da aeronave colocou a ministra no centro de críticas por causa do alto custo da viagem, que pode ser até 70 vezes maior do que o de um voo comercial.

No evento, a ministra assinou um protocolo de ações antirracistas com a CBF. O ministro do Direitos Humanos, Silvio Almeida, também participou da cerimônia, mas foi a São Paulo em um voo comercial.

Franco disse que as críticas “configuraram violência política de gênero e raça, na tentativa de impedir o nosso trabalho”. A ministra também argumentou que “não são ataques a este ministério ou a mim, mas ao povo brasileiro”.

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Na segunda-feira, 25, começaram a repercutir as publicações das assessoras da pasta. As primeiras imagens publicadas por elas nas redes sociais debochando da torcida são-paulina e da CBF foram exibidas pelo Estadão. Usuários do X (antigo Twitter) subiram a hashtag (símbolo que reúne publicações sobre o mesmo assunto) #ForaAnielleFranco por causa do episódio. Até o final desta terça, ela reunia 18,2 mil publicações.

Leia a íntegra da nota do Ministério da Igualdade Racial

O Ministério da Igualdade Racial reafirma seu compromisso inegociável com a promoção de direitos e com a igualdade étnico-racial, a partir de princípios como a transparência e o cuidado.

Com nove meses de atual gestão e um legado de luta de muitas e muitos que constroem as políticas de enfrentamento ao racismo no país, reerguemos a agenda de ações afirmativas e colocamos em prática medidas fundamentais de inclusão e valorização da população negra.

Esta é uma luta que se configura como compromisso de governo e política de Estado, por isso seguiremos realizando as transformações sociais que a sociedade brasileira e os povos negros, quilombolas e ciganos almejam, prezando pela boa conduta dos servidores do nosso quadro.

De acordo com esses princípios, e para evitar que atitudes não alinhadas a esse propósito interfiram no cumprimento de nossa missão institucional, informamos que Marcelle Decothé da Silva foi exonerada do cargo de Chefe da Assessoria Especial deste Ministério na data de hoje.

As manifestações públicas da servidora em suas redes estão em evidente desacordo com as políticas e objetivos do MIR.

Recém-instalado pelo Ministério, o Comitê de Integridade, Transparência, Ética e Responsabilização - instância interna de debate e deliberação sobre situações que envolvam temas de transparência, integridade pública, ética e questões disciplinares de caráter abrangente – vai investigar o caso e atuar para prevenir ocorrências que contrariem os princípios norteadores da missão do Ministério.

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